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Redução de danos

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Dora Kramer – O Estado de S.Paulo

O ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, comparece hoje ao Senado para falar sobre as acusações de que teria sido o mentor do chamado "dossiê dos aloprados" meio que por sua conta e risco.

Não há uma estratégia montada a partir do Palácio do Planalto nem, em princípio, disposição da bancada do PT de se comportar como tropa de choque. Os senadores estão prontos a defendê-lo, mas avisam que não será suficiente Mercadante recorrer a evasivas nem alegar que o ônus da prova é de quem acusa ou que a história é requentada.

"Estamos plenamente solidários, mas ele vai precisar ser consistente, contundente e, sobretudo, convincente na demonstração cabal das razões que o fizeram passar incólume por uma CPI e pelo crivo do Supremo", diz o senador Walter Pinheiro, um dos defensores da tese originalmente levantada por Lindberg Farias, de que a melhor maneira de enfrentar o problema é falar o quanto antes sobre ele.

De preferência na Casa da qual Mercadante fez parte nos últimos oito anos e em ambiente menos acirrado que a Câmara, de onde surgiu o movimento para a reabertura das investigações na Procuradoria-Geral da República e no próprio Congresso.

A ideia de aproveitar um convite feito pela Comissão de Assuntos Econômicos para expor seus planos à frente da pasta e enfrentar logo os questionamentos a respeito da existência de gravações que comprovariam a participação de Mercadante na montagem de um dossiê contra seu então adversário na eleição ao governo de São Paulo (2006), José Serra, é uma óbvia tentativa do PT de esvaziar o movimento dos deputados da oposição.

Antes que o caso ressurja reforçado por fatos novos, ganhe pernas próprias, repita o desastre da estratégia de esconde-esconde recentemente adotada com Antônio Palocci e evolua para caminhos não desejados.

Por exemplo, para a convocação da ex-senadora Serys Slhessarenko e de outros personagens como o ex-diretor do Banco do Brasil Expedito Veloso, o dono das gravações, ou mesmo de integrantes do grupo preso num hotel em São Paulo com R$ 1,7 milhão para a compra do dossiê.

A preocupação maior, na realidade, é com Serys que, no dizer de um senador petista, está "com a faca nos dentes".

Não sem razão. O mesmo Expedito Veloso, cujas conversas gravadas apontam a responsabilidade de Mercadante no dossiê contra Serra, contou a ela que o ex-deputado Carlos Abicalil, também do PT, engendrou a montagem de um dossiê envolvendo a então senadora em fraudes do Ministério da Saúde e acabou com as pretensões dela de se eleger a governadora de Mato Grosso.

Além disso, Serys foi alvo de um processo de expulsão que acabou lhe rendendo suspensão de um ano do PT, por ter feito propaganda partidária na eleição de 2010 sem incluir o nome de Abicalil como candidato ao Senado.

O presidente da Comissão de Assuntos Econômicos, senador Delcídio Amaral, não recebeu recado algum do Palácio do Planalto sobre a audiência de hoje e do ministro Mercadante ouviu apenas o desejo de comparecer para se explicar e encerrar o episódio.

O líder do PSDB no senado, Álvaro Dias, no entanto, já avisa que a oposição detectou a manobra, não se satisfaz com o depoimento de Mercadante e vai insistir na Câmara em chamar Serys Slhessarenko, Expedito Veloso e a ministra Ideli Salvatti, agora incluída na história como a pessoa que à época, no Senado, ficaria encarregada de dar publicidade ao dossiê dos ditos "aloprados".

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Foto original: Agência Senado

Dossiê dos aloprados: Líder do PSDB na Câmara quer convocação de Ideli

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A aloprada Ideli: Onde tem mutreta, essa mulher tá envolvida. Basta dar um F5 que aparece lama

Para o líder do PSDB na Câmara, Duarte Nogueira (SP), a ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, também precisa prestar esclarecimentos sobre sua participação no caso do dossiê falso contra o candidato do PSDB ao governo de São Paulo, José Serra, em 2006.

Segundo a revista “Veja” desta semana, Ideli teria participado de uma reunião no gabinete do então senador Aloizio Mercadante com outros três envolvidos no caso do dossiê, onze dias antes da apreensão dos R$ 1,75 milhão e da prisão dos aloprados. A revista também reforça o vínculo entre a ministra e Carlos Abicalil, atual secretário do Ministério da Educação, que teria atuado na fabricação de um dossiê semelhante no Mato Grosso.

Segundo o líder, o PSDB fará requerimentos para a convocação da ministra e de convite a Abicalil nas comissões técnicas. A ex-senador Serys Slhessarenko também deverá ser convidada. Ela declarou à imprensa que o petista Expedito Veloso admitiu em conversas com ela que integrantes do PT haviam montado dossiês em 2006.

De acordo com Nogueira, não se trata de reacender uma denúncia antiga, mas de levar a cabo investigações que à época foram arquivadas por falta de provas, que começam a aparecer agora.

“A origem do dinheiro e a autoria do plano são perguntas que não podem ficar sem resposta. O caso teve implicações nas campanhas eleitorais de São Paulo e à Presidência da República. Tentaram influenciar a decisão do eleitorado com denúncias fabricadas, o que não deixa de ser uma tentativa de golpe contra a democracia”, avaliou.

Além disso, segundo o líder, os fatos revelados nos últimos dias envolvem personagens que ocupam cargos importantes no governo.

“O envolvimento na fabricação de um dossiê falso para prejudicar adversários não é um bom antecedente. É um sinal de que, para atingir os objetivos, faz-se qualquer coisa. Não é essa a reputação que a sociedade espera de quem está no governo”, diz Nogueira.

Outros requerimentos e ações

Na semana passada, foram protocolados três requerimentos de convocação do ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, e outros dois de convite a Expedito Veloso. De acordo com Veloso, Mercadante teria sido um dos autores do plano contra o candidato do PSDB.

Na quarta-feira passada, o líder do PSDB e os deputados Carlos Sampaio (SP) e Vanderlei Macris (SP) protocolaram representação na Procuradoria Geral da República solicitando a reabertura das investigações sobre o dossiê. O mesmo pedido foi feito à Polícia Federal. Assessoria de imprensa da Liderança do PSDB na Câmara

‘Aloprado’ admitiu que PT montou dossiês em campanha, diz petista

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A ex-senadora pelo PT-MT, Serys Slhessarenko, disse ontem que o petista Expedito Veloso, implicado no “escândalo dos aloprados” admitiu em conversas com ela que integrantes do partido haviam montado dossiês na campanha de 2006. Naquele ano também foram encontrados documentos reunidos pelo partido para tentar atingir a candidatura do tucano José Serra ao governo de São Paulo. Serys é a primeira petista a confirmar a montagem de dossiês na campanha. Ela contou que, há cerca de três anos, Veloso a procurou para dizer que setores do PT de Mato Grosso, liderados pelo ex-deputado federal Carlos Abicalil, hoje secretário no MEC (Ministério da Educação), promoveram uma “armação” contra a então senadora.

O objetivo, disse, era atrelar seu nome à chamada “máfia dos sanguessugas”, um esquema de fraudes na compra de ambulâncias. “Ele [Expedito] veio muito chateado com o que o PT regional tinha armado contra mim. Era mais indignação de uma pessoa muito partidária em ver o que pessoas do próprio partido fizeram com uma candidatura”, disse Serys à Folha. Em 2006, a senadora afrontou Abicalil ao insistir numa candidatura própria ao governo de Mato Grosso. O grupo do então deputado apoiava a reeleição de Blairo Maggi (então no PPS).

A denúncia que abalou a candidatura de Serys – ela acabou em terceiro lugar na disputa – dizia que a família Vedoin, pivô de desvio de verbas federais para a compra de ambulâncias, teria pago R$ 35 mil ao genro da então senadora. Serys, que nega conhecer Vedoin, não foi indiciada pela Polícia Federal nem denunciada pela Procuradoria da República e também foi absolvida no Conselho de Ética do Senado. A ex-senadora pediu a demissão de Carlos Abicalil, que é cotado para o segundo cargo mais importante na Secretaria de Relações Institucionais da Presidência. “As credenciais que ele apresenta não permitem que esteja no governo da presidente Dilma, governo que ele pode comprometer”, afirma.

A ex-senadora alega que não fez a denúncia antes porque não gravou as conversas com Veloso. Folha Online