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Barcelona leva futebol brasileiro ao divã

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Ex-jogadores, treinadores e dirigentes comentam as lições e consequências do espetáculo protagonizado pelo clube catalão diante do Santos, no Japão

Daniel Akstein Batista, Tiago Rogero – O Estado de S.Paulo

O espetáculo protagonizado pelo Barcelona na final do Mundial de Clubes, contra o Santos, domingo, 18, em Yokohama, deixou muita gente impressionada. A diferença tática e técnica entre o melhor time da Europa diante do melhor da América foi tamanha que resultou em goleada: 4 a 0 para os espanhóis. Mas, afinal, o que explicaria o “passeio” catalão? E quais as consequências deste resultado para o futebol brasileiro?

Para o técnico campeão do mundo, Pep Guardiola, a resposta está no próprio futebol brasileiro. “Não é isso o que o Brasil fazia?”, indagou. “O Barcelona passa a bola como meu pai falava que vocês (brasileiros) faziam”, disparou após o título.

Edu, ex-ponta do próprio Santos na década de 60 e 70, segue a linha de raciocínio do treinador do Barça. “Eles (Barcelona) só estão fazendo o que a gente já fazia. Como as seleções de 1970 e 1982 e o Santos de Pelé”, apontou. "E tem outra coisa: fazia tempo que eles vinham tentando ser o melhor e não conseguiam."

Para Edu, não é questão de alguns brasileiros tentarem imitar o Barcelona. “Sempre deu certo aqui, só nos não percebemos”, disse, criticando alguns esquemas táticos que priorizam a marcação ou as bolas alçadas na área e pedindo a volta do futebol-arte que fez história.

Goleiro campeão do mundo com o São Paulo em 1992, Zetti também espera ver os times jogando pra cima. “Com o Telê (Santana) era assim, ele exigia que jogasse bonito”, lembrou. Mas para Zetti o País ainda tem de aprender algumas coisas com o Barcelona. “Não temos de ter vergonha em copiar o que eles têm de melhor ou ir lá fazer um estágio com eles.”

E esse “melhor” a que Zetti se refere não é apenas na forma de jogar. “É preciso tempo. Em 92 o Barcelona já jogava dessa forma e foi evoluindo. E lá, quando sai um treinador, entra outro com a mesma filosofia.”

Radical, Zetti acha que os clubes brasileiros só vão conseguir se igualar aos europeus quando o calendário daqui se igualar ao de lá. “Perdemos muitos jogadores no meio do campeonato”, acrescentou.

Apesar do amplo domínio do Barcelona no domingo, vale lembrar que muitas outras potências já sofreram o mesmo que o Santos. Há duas semanas, por exemplo, o Real Madrid levou um baile do rival no Santiago Bernabéu. Mas o placar de 4 a 0 em Yokohama não se deve apenas aos méritos do Barça. “Eu esperava mais do Santos, faltou pegada e mais atitude”, apontou Zetti. “Os zagueiros não marcavam em cima.”

O presidente do Vasco, Roberto Dinamite, também reclamou do comportamento do Santos. “O time já entrou em campo esperando e olhando o Barcelona jogar. Ficar o jogo inteiro correndo atrás traz desgaste físico e emocional, tem de marcar e sair para jogar”, ensinou.

O ex-jogador também estranhou a “bondade” dos santistas. “Quando faziam uma falta, os atletas do Santos batiam nas costas do jogador do Barça, pediam desculpas. Meu irmão, você está disputando um título! Deixa para fazer isso no fim do jogo”, falou. “O Barcelona jogou sem nenhum atacante, não tinha ninguém dentro da área do Santos, que mesmo assim jogou com três zagueiros.”

Lição

Mano Menezes, técnico da seleção brasileira, também comentou o resultado. E rasgou elogios ao campeão. “Este grupo do Barcelona veio para fazer história”, disse em comunicado oficial. “Há 35 anos eles decidiram que queriam ser assim, trabalharam incansavelmente nesta direção e o resultado está à mostra para o mundo todo ver.”

Segundo Mano, a derrota santista vai “remeter a uma discussão mais profunda e proveitosa dos verdadeiros problemas do futebol brasileiro”. “Tenho ouvido que sempre vencemos do nosso jeito e os outros estão fazendo da maneira que fazíamos antes. Temos que encarar que essa gente está fazendo algo diferente e temos de aceitar, entender e resolver isso.”

Written by Abobado

dezembro 20th, 2011 at 1:34 pm

Copa do Mundo: Globo negociou entrevistas com Ricardo Teixeira, mas Dunga vetou

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Dunga e a Rede Globo: Se tiver algum santo nessa história me contem que mando rezar uma missa

‘Besta, burro, cagão!’, replicou o treinador em voz baixa, o suficiente para ser captado pelo microfone à sua frente, durante incidente com jornalista

Por trás do incidente entre Dunga e o jornalista Alex Escobar, da Rede Globo, durante a entrevista coletiva no Soccer City, logo depois da vitória do Brasil sobre a Costa do Marfim, esconde-se uma história que revela o alcance do poder do técnico da seleção brasileira.

O UOL Esporte apurou que a Globo negociou diretamente com Ricardo Teixeira, presidente da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), entrevistas exclusivas com três jogadores da seleção, entre os quais Luis Fabiano. As entrevistas iriam ser exibidas durante o programa “Fantástico”, no domingo, horas depois da partida contra Costa do Marfim, vencida pelo Brasil por 3 a 1. Dunga vetou o acerto.

O incidente entre Dunga e Alex Escobar ocorreu quando o jornalista conversava ao telefone com o apresentador Tadeu Schmidt exatamente sobre este assunto. O técnico percebeu o que ocorria e perguntou: “Algum problema?” Escobar respondeu: “Nem estou olhando para você, Dunga”. O técnico replicou em voz baixa, o suficiente para ser captado pelo microfone à sua frente: “Besta, burro, cagão!”

Diversos jornalistas na sala de entrevistas ouviram Escobar desabafar: “Insuportável, bicho, insuportável. O Rodrigo (Paiva) foi revoltado lá falar comigo, cara. O Dunga não deixou. Ninguém. Caraca, nem o Luís Fabiano. Infelizmente. Valeu, Tadeuzão”.

Muitos também notaram que Rodrigo Paiva, diretor de comunicação da CBF, fez o gesto de quem soca a parede a certa altura da entrevista coletiva. Paiva tem tentado se equilibrar entre o atendimento à imprensa e o respeito às exigências de Dunga. No cargo há nove anos, gentil com todos os jornalistas, o assessor dá sinais cada vez mais evidentes de reprovação à política de clausura imposta pelo técnico.

Horas depois do incidente, durante o “Fantástico”, Schmidt falou: “O técnico Dunga não apresenta nas entrevistas comportamento compatível de alguém tão vitorioso no esporte. Com frequência, usa frases grosseiras e irônicas”. O jornalista da Globo não mencionou, no entanto, o motivo do atrito, ou seja, a recusa do técnico em aceitar um acordo feito entre o presidente da CBF e a emissora. Portal UOL

Written by Abobado

junho 22nd, 2010 at 1:06 pm