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O petralha incompetente e sua revolução

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O prefeito Fernando Haddad parece encantado com as suas ideias, com a sua visão de cidade, e esqueceu de que governar uma cidade é muito mais do que pintar ruas e calçadas

A cidade de São Paulo tornou-se refém de um prefeito que parece brincar de governar, e pelo jeito não gosta de brincar sozinho. Convidou agora três amigos do filho a participarem da brincadeira. Fernando Haddad ainda não se deu conta de que São Paulo é uma cidade com quase 12 milhões de habitantes e enfrenta situações complexas que exigem mais do que slogans. Exigem competência administrativa. Mas para Fernando Haddad tudo isso não passa de uma crítica barata, de gente que ainda não entendeu as mudanças que a sua gestão vem promovendo na cidade. Mudanças estruturais, de concepção de cidade, de cultura urbana, de modo de vida – nada mais nada menos que uma verdadeira revolução.

A mais recente novidade do prefeito foi a nomeação de três bacharéis em Direito, recém-formados, para trabalhar em cargos comissionados da Prefeitura. Segundo a Prefeitura, os profissionais são "de renomadas universidades, com experiência profissional de estágio em escritórios de advocacia e atuação em entidades representativas estudantis". De fato, os três têm ampla participação no movimento estudantil, e dois deles presidiram o Centro Acadêmico 11 de Agosto, da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP). Mas eles têm também outro ponto em comum em seus currículos — são amigos do filho do prefeito. Interessante essa revolução de Haddad…

Outra novidade para o ano que começa é que, aproveitando a sua experiência como prefeito, Fernando Haddad irá dar aulas na USP. Serão seis aulas sobre a cidade e a elite, o desenvolvimento capitalista, a urbanização e a dominação não legítima. Temas sem dúvida muito interessantes, que caem como uma luva no objetivo da disciplina: investigar a dinâmica atual do desenvolvimento urbano. Naturalmente, não deixa de ser motivo de orgulho para a cidade ter um prefeito professor. Além do mais, por que desprezar a possibilidade de que a preparação dessas aulas seja ocasião para que o prefeito se aproxime ao menos um pouco dos reais desafios da cidade?

Mas não são apenas os alunos da USP que estão precisando de Fernando Haddad. Os 12 milhões de habitantes da cidade estão à espera de um prefeito. Estão à espera de uma gestão que enfrente corajosamente os problemas e os desafios da cidade.

Nenhum prefeito, por menor que seja o seu município, pode ignorar a gestão da coisa pública e se contentar em fazer retórica. Mas, infelizmente, parece que isso vem ocorrendo no maior município brasileiro. O prefeito Fernando Haddad parece encantado com as suas ideias, com a sua visão de cidade, e esqueceu de que governar uma cidade é muito mais do que pintar ruas e calçadas.

Se de fato o prefeito tem a pretensão de realizar alguma melhoria na cidade nos próximos dois anos, o trabalho da Prefeitura precisa alcançar outro patamar de qualidade. O ano de 2014 foi pródigo em projetos lançados com estardalhaço pela Prefeitura, mas que logo depois foram suspensos pelo Tribunal de Contas do Município (TCM). Para ter uma ideia, em outubro de 2014 os recursos somados de todas as obras suspensas pelo TCM chegavam a R$ 6,3 bilhões. Nesse montante estavam obras e reformas em prontos-socorros, creches e escolas, a compra de radares e câmeras de monitoramento e fiscalização do trânsito, a construção de um data center para o Bilhete Único e para a inspeção veicular, além de uma das meninas dos olhos do prefeito: a construção de 150 km de corredores de ônibus. A cidade de São Paulo merece mais da sua administração, especialmente de uma que se proclama revolucionária e inovadora.

Pela frequência com que fala sobre esse tema, Fernando Haddad parece mesmo acreditar que a sua gestão será lembrada no futuro como um marco na história da cidade. Só o tempo dirá, ainda que faixa pintada no asfalto não tenha em geral grande durabilidade. Até agora, o presente tem dado sinais noutra direção. De que simplesmente será lembrado como o último poste de Lula. São Paulo não é para amadores, mesmo aqueles que se graduaram nas melhores universidades.

Opinião do Estadão

Isso é que é popularidade – Rejeição à gestão Haddad passa de 36% para 47%, aponta Datafolha

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O petralha incompetente também alcançou a terceira pior avaliação negativa em relação a outros prefeitos com o mesmo tempo no cargo

Após um ano e seis meses de mandato, o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), atingiu o pior índice de reprovação já registrado desde o início da sua gestão.

Pesquisa Datafolha realizada nesta semana mostra que a insatisfação com a administração de Haddad passou de 36% para 47% entre junho e julho deste ano. Até então, a pior avaliação negativa havia sido registrada após os protestos de junho de 2013, quando 40% dos entrevistados consideravam a administração municipal ruim ou péssima.

Agora, o índice de reprovação voltou a crescer. Segundo a pesquisa, o governo Haddad é considerado bom ou ótimo por 15% dos entrevistados — percentual próximo ao registrado nos três levantamentos anteriores, quando 17% tinham avaliação positiva sobre o prefeito. Já o índice dos que consideram a avaliação regular diminuiu de 44% para 37%. A taxa dos que não souberam responder é de 2%.

O Datafolha ouviu 1.047 pessoas entre 15 e 16 de julho. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos.

Reprovação

A pesquisa aponta que a avaliação negativa de Haddad cresceu entre entrevistados de diferentes idades, níveis de renda e escolaridade. A reprovação cresceu, por exemplo, entre os mais ricos (de 34% para 53%), homens (de 35% para 50%) e entre aqueles que têm renda familiar mensal de dois a cinco salários mínimos (de 34 para 49%).

Haddad também alcançou a terceira pior avaliação negativa em relação a outros prefeitos com o mesmo tempo no cargo. O índice fica atrás apenas dos registrados por Jânio Quadros (66%) e Celso Pitta (54%). Em queda, a nota média da administração também atingiu seu valor mais baixo — de 4,8 em junho, passou a 4,1 neste mês.

A pesquisa foi registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) com o número: SP-00010/2014.

Folha Online

A bandidagem no poder – Petista é acusado de fraude em ônibus em SP; irmão teria ido a reunião do PCC

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Vereador Senival Moura — irmão do deputado estadual Luiz Moura (PT), flagrado em ação do Deic — é apontado pelo MPT por burlar o cadastro da SPTrans com o uso de ‘laranjas’ e por atuar como empresário paralelo

O vereador Senival Moura (PT) é acusado pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) de usar "laranjas" em uma cooperativa de ônibus em São Paulo para atuar como empresário paralelo do sistema. Os veículos eram registrados em outros nomes, mas seriam dele. O suposto esquema fraudava o sistema de cadastro da São Paulo Transporte (SPTrans), empresa da Prefeitura atualmente presidida por Jilmar Tatto, seu aliado político.

O vereador foi procurado pelo Estado por dois dias para comentar o caso. Na noite desta quinta-feira, 19, informou que falaria sobre o assunto nesta sexta, pois antes precisaria conversar com seu advogado.

Pelas regras municipais, cada integrante das cooperativas de ônibus tem direito à permissão para trabalhar com um veículo. "A fraude fica comprovada a partir do momento em que é utilizado um falso cooperado ‘laranja’ para adquirir um veículo em seu nome, mas ele não será o real proprietário, pois o dinheiro para a compra vem do cooperado contratante", diz o relatório do MPT sobre o processo. Os indícios de crimes foram reportados aos Ministérios Públicos Estadual e Federal.

Cada perua recebe, em média, R$ 25 mil por mês da Prefeitura. O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) apura "laranjas testas de ferro" que receberiam até R$ 2 mil por mês para emprestar seus nomes.

As acusações constam em uma ação civil pública do Ministério Público do Trabalho apresentada em 2012, antes de o PT assumir a Prefeitura. No fim de 2013, a gestão Fernando Haddad (PT) firmou um acordo para alterar os editais de contratação das cooperativas de lotação da cidade.

Motoristas reclamavam seus direitos, após trabalhar sem registro em carteira nas cooperativas. Segundo eles, Moura exigiu que os profissionais financiassem em seus nomes os veículos das cooperativas. Mas era a empresa que pagava pelos veículos. Os processos não mostram de onde vinha o dinheiro.

Em uma das ações, de 2008, o empregado disse que "foi Senival Moura quem o contratou para ser motorista de micro-ônibus e foi ele quem comprou o veículo", mas o parlamentar teria usado o nome do empregado. Outro processo, de 2005, agora em fase de pagamento, teve as mesmas características. Em ambos os casos, Moura teria feito acordo com os motoristas. Segundo o advogado de um deles, que pediu para não ser identificado, pelo acordo, o veículo foi transferido para uma terceira pessoa, que manteve a posição de laranja.

As duas fraudes ocorreram em ônibus da Cooperativa de Trabalho dos Condutores Autônomos (Cooperalfa), que na época atuava em linhas da zona leste e foi substituída em outras licitações. Em março, a juíza Eumara Lyra Pimenta, da 40.ª Vara do Trabalho de São Paulo, condenou a SPTrans a fornecer somente o Certificado de Qualificação de Motorista, chamado "Condubus", quando houver certeza sobre a propriedade do veículo e quando os empregados estiverem registrados. A SPTrans não se manifestou.

PCC

Moura é irmão do deputado estadual Luiz Moura (PT), que participou, em 17 de março, na garagem de uma cooperativa da zona leste, de uma reunião com perueiros e nove suspeitos de integrar o Primeiro Comando da Capital (PCC). A reunião foi flagrada por investigadores do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic). O deputado afirmou que não sabia que havia pessoas da facção no encontro.

O departamento havia aberto inquérito para apurar ligação do PCC com queima de ônibus na capital. Durante a investigações, policiais encontraram indícios de que a fação lavava dinheiro por meio das peruas que trabalham para a SPTrans.

Estadão Online

Jilmar Tatto financiou petista que se reuniu com membros do PCC

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O PREFEITO INCOMPETENTE E O SECRTETÁRIO BANDIDO
Petralhas Fernando Haddah e Gilmar Tatto, em coletiva, tentando explicar o caos em que transformaram a cidade de São Paulo

O secretário municipal de Transportes de São Paulo, Jilmar Tatto, bancou quase um terço da campanha a deputado estadual de Luiz Moura (PT) em 2010. O parlamentar, que explora o serviço de transporte na capital, foi flagrado pela polícia num encontro com integrantes da facção criminosa PCC na sede da cooperativa da qual faz parte, a Transcooper. A investigação foi revelada pela Folha. Sozinho, o secretário de Fernando Haddad (PT) fez 23 doações à campanha de Moura, totalizando R$ 201 mil — ou 29% de tudo o que a sua candidatura arrecadou naquela campanha. O petista elegeu-se com 104.705 votos.

Procurado, Tatto se limitou a dizer que sua resposta era a mesma enviada na quinta-feira (22) pela Secretaria de Transportes.

"A relação política que o secretário Jilmar Tatto tem com o deputado Luiz Moura ocorre no âmbito institucional e democrático, da mesma forma que com os demais parlamentares do PT e de outras legendas", diz a nota.

O deputado participou de uma reunião, em março, em que estavam presentes ao menos 13 membros da facção criminosa PCC, segundo investigações da Polícia Civil. À TV Band o deputado negou que soubesse da presença de criminosos. "Graças a Deus, eu nunca tive ligação com nenhuma facção criminosa. Isso eu posso falar com a maior tranquilidade do mundo", disse.

O ANIVERSÁRIO DO DEPUTADO BANDIDO E A PRESENÇA DO CANDIDATO
Luiz Moura (primeiro à esquerda) comemorou aniversário com a presença de Alexandre Padilha (de camisa azul), candidato petralha ao Governo do Estado de São Paulo. Tamos bem pra caramba!

A polícia investigava a série de atentados a ônibus ocorridos na cidade. O petista afirmou que o encontro tinha o objetivo de impedir uma greve no setor. "Estava prestando um serviço à população […] O que estão tentando atribuir à mim é perseguição política."

A operação policial foi revelada pelo subsecretário estadual de Comunicação, Márcio Aith, na quarta-feira durante programa de José Luiz Datena, na TV Band. Entre os suspeitos do PCC no local, havia um dos ladrões do Banco Central no Ceará, em 2005 –solto por ordem da Justiça.

Desses 13 suspeitos do PCC, 11 não tinham ônibus ou ligação formal com a cooperativa e, assim, para a polícia, não tinham razões para estarem em reunião que, em tese, estaria discutindo interesses da categoria.

Moura faz parte do conselho administrativo da cooperativa, segundo dados da Junta Comercial de São Paulo, embora sua assessoria diga que ele está afastado. A cooperativa tem três permissões de transporte público na capital.

Moura, ex-presidiário por assalto a mão armada no Paraná em 1991, contribuiu na administração Marta Suplicy (2001-2004) na organização do transporte coletivo na capital, quando havia uma série de conflitos da prefeitura com perueiros clandestinos. Em 2012, Marta, então candidata ao Senado, fez uma doação de R$ 35 mil a Moura.

Folha Online

O tiro do prefeito no pé

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É de perguntar ao prefeito o que ele imaginava que as suas caneladas pudessem produzir para resgatar o seu governo que fechou o ano aprovado nas pesquisas por apenas 18% dos munícipes paulistanos

Agora não por atos, mas pelas palavras, o prefeito paulistano, Fernando Haddad, acaba de superar as já elevadas marcas alcançadas em 14 meses de mandato na modalidade tiro no pé. Frustrados os seus planos mirabolantes de transformar a cidade numa Xangai, como apregoa — ou porque a Justiça o impediu de onerar os paulistanos com um aumento abusivo do IPTU (de 20% a 35%) ou porque em boa hora a presidente Dilma Rousseff desistiu de apoiar o projeto que muda o indexador da dívida do Município com a União —, Haddad resolveu partir para cima da "elite econômica paulistana", culpando-a por seus dissabores.

Quando o seu mentor Luiz Inácio Lula da Silva desancava o "preconceito" das elites contra os pobres como ele — e como os que o ouviam nos palanques da reeleição e, depois, da candidatura Dilma —, a apelação podia ser o que se quisesse, menos irracional. Era um meio para um fim; como tal, funcionou. E seguramente ele tornará a se valer disso na campanha deste ano, para discriminar os adversários da presidente. Mas Haddad se saiu com uma diatribe que só serve para acrescentar mais críticas às tantas que o seu deplorável desempenho já fez por merecer.

Candidato, Haddad era um "poste" eleitoral. As suas luzes só se acenderam porque, além da força do patrocínio lulista nos redutos do PT, a sua imagem de bom moço lhe deu os votos da classe média que fizeram diferença no segundo turno. Prefeito, o tríplice diplomado pela USP (em direito, economia e filosofia) e ex-ministro da Educação revelou-se um neófito em política e um voluntarista na administração. Apesar dos protestos de junho contra o aumento das tarifas de transporte, ele só tirou os R$ 0,20 das passagens depois de ouvir uma advertência do seu colega do Rio, Eduardo Paes, que já desistira da majoração, e uma ordem de Lula.

Foi também o voluntarismo, o "fazer na marra", embebido dessa vez em caldo populista, que o incentivou a criar da noite para o dia as faixas exclusivas para ônibus, sem uma avaliação minimamente consistente dos seus efeitos para o trânsito de uma cidade por onde circulam cerca de 6 milhões de veículos, ou, por baixo, 1 para cada 2 habitantes. A mistura tóxica de insuficiente senso político e excessiva crença no poderio pessoal está decerto na origem da sua verrina contra as elites, por sinal numa entrevista ao site da BBC Brasil — que não há de ser propriamente o mais acessado pela maioria dos eleitores que lhe deu a vitória em 2012.

Os paulistanos "muito ricos", investiu, padecem de "miopia" e "pobreza espiritual". Essa elite é amesquinhada e muito conservadora, "a começar pelos meios de comunicação" — estes, evidentemente, porque ousaram discordar das políticas do professor-doutor. Para ele, a elite míope, acumpliciada com a mídia, sabota a cidade ao pressionar o Congresso para que não aprove a troca do indexador da dívida paulistana. Faltou-lhe, a essa altura do xingatório, a coragem de afrontar a verdadeira responsável pelo congelamento do projeto — a presidente da República. Ela se deu conta de que, se expurgasse R$ 24 bilhões do débito municipal de R$ 54 bilhões, não só transgrediria a Lei de Responsabilidade Fiscal, como ainda criaria um precedente que, ao ser imitado, levaria à ruína as contas nacionais.

É de perguntar ao prefeito o que ele imaginava que as suas caneladas pudessem produzir para resgatar o seu governo que fechou o ano aprovado nas pesquisas por apenas 18% dos munícipes. Será que eles mudarão de ideia ao ouvir de Haddad que são outros — as elites, a imprensa, o Congresso — os culpados por seus problemas? Extremando a comparação, a última vez que um mandatário quis virar a mesa acusando "forças terríveis" de impedi-lo de governar foi em 1961, quando o presidente Jânio Quadros tentou o fracassado golpe da renúncia.

E como ele quer que as elites reajam, depois de prometer, com arrogância, "educá-las a olhar a cidade com outros olhos"? Ainda é tempo de Haddad fazer isso em relação à Prefeitura. O Orçamento do Município para este ano, de R$ 50,6 bilhões, é o maior da história. Sabendo gastar, em vez de falar em conspirações e "crise financeira", não é pouco o que isso permite realizar.

Editorial do Estadão

Mais trapalhadas das faixas de ônibus

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Se as faixas exclusivas para ônibus são mesmo tudo o que dizem, por que Fernando Haddad e Gilmar Tatto não exibem estudos sérios e confiáveis provando isso?

A cada dia surgem novos sinais de que a implantação — aos trancos e barrancos — de mais de 300 quilômetros de faixas exclusivas de ônibus, no curto espaço de um ano, está muito longe de ser a maravilha que o governo de Fernando Haddad vive alardeando. Os transtornos causados pela faixa do Viaduto Pacaembu, mostrados em reportagem do Estado, são exemplo das consequências de decisões dessa importância tomadas sem estudos prévios. Se existem, permanecem guardados a sete chaves.

Desde que foi inaugurada no final do ano, estava evidente para qualquer observador minimamente atento que era praticamente impossível que aquela faixa trouxesse os benefícios dela esperados. Se fossem mantidas as faixas de rolamento ali existentes, destinando apenas aos ônibus a da esquerda, já por eles usada habitualmente, os resultados seriam no mínimo duvidosos. Com a explicação de que era preciso deixar um espaço para os pedestres, protegido por barreira, as faixas foram reduzidas a três. Como já existia um espaço para os pedestres — e tanto era suficiente que não se conhecem registros de acidentes ali acima da média —, tudo indica que a redução se deve à forma atabalhoada e improvisada com que a Prefeitura vem implantando as faixas.

O resultado da eliminação de uma faixa só poderia ser o afunilamento do tráfego, que dispõe de quatro faixas na Avenida Pacaembu e desemboca no Viaduto. O congestionamento nessa via e suas adjacências é inevitável e vai ficar muito pior com o aumento do tráfego no fim das férias escolares. Como os técnicos da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) não viram isso? Ou então eles viram, sim, mas foram atropelados pela pressa e o improviso do secretário municipal de Transportes, Jilmar Tatto, e do prefeito Haddad.

Para resolver o problema, a CET diz que "estão sendo desenvolvidos estudos para identificação e efetivação dos ajustes necessários para aumentar a eficiência e a eficácia do sistema de transporte público coletivo e diminuir o impacto gerado pela faixa exclusiva". Deixando de lado a linguagem arrevesada da CET, o que se deseja saber é por que, diabos, esses estudos não foram feitos antes, já que era evidente que o afunilamento aconteceria.

Essa falta de planejamento fica também evidente na mais recente faixa implantada, nas Ruas Cerro Corá e Heitor Penteado. Ela é exclusiva para os ônibus de segunda a sexta-feira das 6 às 9 horas, no sentido centro, e das 17 às 20 horas, no sentido bairro. Nesses horários o comércio se ressente fortemente da limitação, porque, como essas faixas são à direita, os carros não podem nem parar para deixar os clientes.

Além disso, nessas duas ruas os carros dispõem agora de apenas uma faixa naqueles horários, o que está congestionando o trânsito. Chamar a implantação das faixas de Operação Dá Licença para o Ônibus é uma forma demagógica e irresponsável de iludir a população, criando a falsa impressão de que para fugir dos congestionamentos basta trocar os carros pelos ônibus. Seria muito bom que isso fosse verdade, porque a prioridade deve ser mesmo para o transporte coletivo. Mas, já superlotados, os ônibus não têm condições de absorver nem mesmo uma pequena parcela dos usuários de carros, veículos que são responsáveis por um terço dos deslocamentos feitos diariamente na capital.

Se as faixas são mesmo tudo o que dizem, por que Haddad e Tatto não exibem estudos sérios e confiáveis provando isso? Divulgar declarações isoladas de um ou outro usuário contente não significa nada.

A menos que a Prefeitura tenha aderido à tese do SP-Urbanuss, o sindicato das empresas de ônibus, segundo a qual "o ganho maior está relacionado à sensação dos usuários, no que se refere à melhoria da qualidade do serviço e à percepção da importância que as autoridades passaram a dar ao transporte coletivo". Essa tese da "sensação" seria cômica, se não fosse antes uma agressão à inteligência dos paulistanos.

Editorial do Estadão

Debilidade mental crônica: Haddad, agora, admite que ação policial não atrapalhou seu programa na Cracolândia

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Prefeito volta a elogiar "parceria" com a Polícia Militar e o governo do Estado depois de ter feito duro ataque à ação policial do Denarc para prender traficantes

O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), voltou a dar sinais nesta quarta-feira de que se arrependeu dos ataques contra a ação da Polícia Civil para prender traficantes na Cracolândia, no centro da capital paulista, na semana passada. Após a ação, que terminou em confronto entre policiais e usuários de crack, Haddad adotou um discurso beligerante contra a polícia e disse que a ação sabotava seu programa recém-implantado para viciados. No dia seguinte, o tom já era outro: o petista afirmou que era preciso retomar a "grande parceria" com o Estado. E nesta quarta admitiu: "Não houve prejuízo na continuidade do programa”.

“Estamos há dez dias trabalhando em conjunto para o sucesso dessa operação. [Após o conflito] Nós não perdemos a confiança dos beneficiários. Não houve prejuízo na continuidade do programa”, disse o prefeito ao apresentar um balanço do programa "Braços Abertos" — para ser beneficiado com a hospedagem em um hotel e receber 15 reais por dia, o viciado deve trabalhar quatro horas no serviço de varrição das ruas do Centro.

Haddad também voltou a elogiar a atuação da Polícia Militar: “Trata-se de agir nas duas pontas do processo, no ponto de vista do usuário em relação à sua recuperação, e no trabalho permanente e bem sucedido que a Polícia Militar vem executando com a prefeitura, usando a inteligência para proceder nas prisões em flagrante. Isso só é possível com essa parceria inédita”.

O secretário de Segurança Pública do Estado, Fernando Grella, disse que o atrito entre a administração municipal e o governo estadual está “superado”. Segundo ele, cem pessoas foram presas na Cracolândia em janeiro – 66 detenções foram efetuadas pela Polícia Civil, e 44 restantes pela Polícia Militar.

A prefeitura informou que até agora já cadastrou 370 viciados no programa, mas apenas 53 aceitaram frequentar os Centros de Atenção Psicossocial (Caps), onde os dependentes químicos recebem tratamento médico para se livrar do vício.

Relembre a nota divulgada por Haddad na semana passada:

A administração municipal foi surpreendida pela ação policial repressiva realizada hoje na região da Cracolândia pelo Departamento Estadual de Prevenção e Repressão ao Narcotráfico (Denarc), da Policia Civil. A prefeitura repudia esse tipo de intervenção, que fez uso de balas de borracha e bombas de efeito moral contra uma multidão formada por trabalhadores, agentes públicos de saúde e assistência e pessoas em situação de rua, miséria, exclusão social e grave dependência química. A “Operação de Braços Abertos” é uma política pública municipal pactuada com o governo estadual, que preconiza a não violência e na qual a prisão de traficantes deve ser feita sem uso desproporcional de força. Agentes da Prefeitura trabalham há seis meses para conquistar a confiança e obter a colaboração das pessoas atendidas. A administração reafirma seu empenho na solução deste problema da cidade e manifesta sua preocupação com este tipo de incidente, que pode comprometer a continuidade do programa. E expressou essa posição diretamente ao Governo do Estado.

Veja Online

Fernando Haddad e a demagogia no transporte

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Não passa de demagogia multiplicar faixas exclusivas para ônibus sem planejamento e estudos, com a alegação de que elas e os corredores são a solução do problema da mobilidade na cidade de São Paulo

Cada nova medida adotada por eles nesse caso constitui uma demonstração a mais de que o prefeito Fernando Haddad e seu secretário de Transportes, Gilmar Tatto, estão firmemente decididos a utilizar as faixas e corredores de ônibus com claro objetivo político — seduzir o eleitorado, com a retórica demagógica da prioridade ao transporte coletivo, para ajudar o PT a realizar seu velho sonho de conquistar o governo de São Paulo, há duas décadas sob o controle do PSDB. Mesmo que seja alto o preço a pagar pelo brilho enganador desse fogo de artifício que serve apenas para escamotear os verdadeiros problemas.

O exemplo mais recente disso é a intenção de proibir a circulação de táxis nos corredores de ônibus, que foi autorizada em 2005, no governo de José Serra. Nas faixas exclusivas ela já foi proibida. O argumento a favor da proibição é de que ela deve aumentar a velocidade dos ônibus. Segundo a Prefeitura, um levantamento feito por ela em outubro indica, primeiro, que os passageiros de táxi são menos de 1% do total dos que usam os corredores e, segundo, que a medida aumentará em 25% a velocidade dos ônibus nessas vias — de 16 km/h para 20 km/h.

As críticas do Sindicato dos Taxistas e as dúvidas levantadas sobre a solidez do trabalho da Prefeitura levaram o especialista em engenharia de transportes Horácio Figueira — partidário da proibição, diga-se de passagem — a sugerir que se faça uma nova pesquisa, mais rigorosa, quando terminarem as férias escolares. Os táxis seriam proibidos de circular nos corredores durante 15 dias e autorizados a fazê-los nos 15 dias seguintes. O impacto na velocidade média dos ônibus seria medido com base em dados dos aparelhos de GPS instalados nesses veículos.

_Promotor-Ribeiro-LopesJá o promotor de Justiça de Habitação e Urbanismo Maurício Antônio Ribeiro Lopes parece ter aceitado sem maiores reservas aquele levantamento, porque avisou a Prefeitura que, se dentro de 45 dias, a contar do último dia 17, ela não proibir a circulação dos táxis nos corredores, entrará na Justiça com ação civil pública para tentar obrigá-la a fazer isso. O promotor não hesitou em participar de entrevista ao lado de Jilmar Tatto. "O nosso compromisso único e exclusivo é com a população que usa ônibus na cidade", disse ele na ocasião.

Algumas observações a respeito dessa questão se impõem. A primeira é que este é mais um dos muitos exemplos de promotores — não do Ministério Público como instituição — que se julgam no direito de, com suas ações, tentar interferir na condução da administração pública. Indevidamente, porque para isso não têm mandato. Não confundir isso com seu direito — mais do que isso, com sua obrigação — de agir quando alguma lei está sendo desrespeitada. A segunda é que Tatto, na ânsia de conseguir o que deseja, tenta se valer do apoio de Ribeiro Lopes, fechando os olhos ao fato de que assim apoia um comportamento de promotores que, além de invadir seara alheia, amanhã podem patrocinar ações que contrariam o atual governo.

A terceira é que, nesse caso, as atitudes tanto da Prefeitura como do promotor Ribeiro Lopes têm servido para desviar a atenção do que é realmente importante no problema da mobilidade urbana em São Paulo — a ampliação e melhoria dos sistemas de transporte coletivo. Ninguém discute que essa é a prioridade.

Isso posto, não passa de demagogia multiplicar faixas exclusivas para ônibus — já são 290 km — sem planejamento e estudos — onde estão eles? —, com a alegação de que elas e os corredores são a solução do problema no âmbito da Prefeitura, não importando o impacto que possam ter no transporte individual. Os milhões de paulistanos que usam carro, em vez de lamentar, que passem a utilizar transporte coletivo.

Só que, nas condições atuais, isso é impossível, pois tanto o serviço de ônibus como o sistema metroferroviário estão superlotados, operando no limite de sua capacidade. Todo mundo sabe disso. Mas a essa evidência Haddad e Tatto preferem fechar os olhos, um comportamento que beira a irresponsabilidade.

Editorial do Estadão

A cidade de São Paulo dá o troco

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O prefeito, já agraciado pelos paulistanos com o apelido "Fernando Maldade", faz jus, cumulativamente, ao de "Fernando Travando"

Político e frasista, Ulysses Guimarães (1916-1992) gostava de ensinar que os cidadãos não moram no País, não moram nos Estados: moram nos municípios. É a realidade imediata do entorno que define o seu cotidiano e lhes proporciona uma visão mais clara dos governantes de suas cidades. O modo como as pessoas avaliam nas pesquisas o desempenho de presidentes e governadores está em princípio mais sujeito à influência de fatores que não dizem respeito diretamente à percepção dos entrevistados sobre os méritos e deméritos de suas gestões. Não que o resultado dessas sondagens deva ser recebido com reservas: o agregado dos números, apesar dos vieses possivelmente embutidos nas respostas do público, tende a dar uma descrição fidedigna dos humores da população em relação às figuras em exame. Mas, no caso dos prefeitos, o julgamento popular traduz com mais fidedignidade os seus erros e acertos. Dito de outro modo, a opinião do munícipe é o retrato mais realista que se pode desejar da conduta da administração local.

Daí ser apropriada a condenação do prefeito petista Fernando Haddad, expressa na mais recente rodada das pesquisas do gênero realizadas pelo instituto Datafolha, divulgada na segunda-feira. (Se, em outras circunstâncias, os paulistanos tivessem lhe dado uma nota consagradora, ele também teria feito por merecê-la.) O fato é que aos 11 meses de mandato, o ex-ministro da Educação e segundo poste a ser erguido com sucesso pelo ex-presidente Lula, depois, naturalmente, da sucessora Dilma Rousseff, apenas 2 em cada 11 moradores da capital — e isso em números arredondados para cima — têm uma visão positiva de suas decisões, em especial daquelas que impactam o cotidiano da imensa coletividade de 10,8 milhões de habitantes. Imediatamente antes dos protestos em junho, desencadeados pelo aumento das tarifas de ônibus na cidade no mês anterior, 1/3 da população achava a gestão Haddad ótima ou boa. Imediatamente depois, esse contingente se reduziu a 18% — e assim continua. De nada adiantou ele cancelar, a contragosto, o aumento autorizado.

São Paulo está lhe dando o troco por outra barbeiragem pela qual não só não dá o braço a torcer, como ainda promete agravar. O desastre continuado é a crise do já terrível trânsito na cidade devido à combinação de populismo e de interesses privados que o levou a criar com uma simples demão de tinta faixas exclusivas para ônibus na pista da direita das vias escolhidas. O prefeito, já agraciado pelos paulistanos com o apelido "Fernando Maldade", faz jus, cumulativamente, ao de "Fernando Travando", tais os congestionamentos bem acima de 100 quilômetros que tem provocado, já pela manhã e em locais muito menos sujeitos a tais suplícios nos períodos fora de pico. Apoiado, se não instigado, por seu secretário de Transportes, o empresário petista Jilmar Tatto, de afamada família, Haddad empurrou para o último círculo do inferno da mobilidade urbana a legião dos que recorrem ao automóvel particular, para o seu ir e vir, e os taxistas proibidos de apanhar ou deixar passageiros salvo em áreas separadas por extensos intervalos nas faixas que beneficiam, antes de tudo, as concessionárias do serviço de ônibus.

Pistas especiais para coletivos e táxis ocupados no lado esquerdo dos grandes corredores da cidade são imprescindíveis e deveriam se multiplicar. Mas elas requerem recursos, obras, tempo — e planejamento. À falta disso, a oportunista improvisação de Haddad antes piora do que melhora a qualidade de vida de milhões de paulistanos, que a seus olhos ou são irrelevantes ou devem mesmo ser punidos por não trocar o carro pelos ônibus em circulação na metrópole. Sem falar numa ironia que não tem graça nenhuma para as suas vítimas. Substancial parcela dos carros que têm feito expandir a alta velocidade, aí sim, o número de veículos licenciados em São Paulo pertence à chamada "nova classe média", cuja capacidade aquisitiva deu um salto de alguns anos para cá, livrando os seus integrantes da servidão de perder todo dia horas no tráfego, a bordo de ônibus lotados e desconfortáveis. Devem estar maldizendo o seu voto em Haddad.

Editorial do Estadão

Petralha incompetente, Fernando Haddad apostou – e perdeu

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O prefeito pilantra de São Paulo declarou guerra a seu antecessor, Gilberto Kassab, e com isso criou problemas para o PT e para ele mesmo

O jogo de roleta e a política têm pelo menos uma coisa em comum: nas duas atividades, os novatos e os experientes se diferenciam de forma clara. Os tarimbados na roleta começam cautelosamente, apostando poucas fichas em muitos números. Quando reúnem um bom cacife, partem para lances mais arriscados. Acuado pelos baixíssimos índices de popularidade — apenas 15% de aprovação, depois de aumentar impostos e ver o caos se instaurar no trânsito com as faixas exclusivas de ônibus — o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), um novato na política, resolveu apostar todas as fichas numa providência arriscada: jogar a culpa no antecessor.

O pretexto para bater em Gilberto Kassab (PSD) foi o escândalo que levou para a cadeia Ronilson Bezerra Rodrigues, Eduardo Horle Barcellos, Carlos Di Lallo Leite do Amaral e Luis Alexandre Cardozo de Magalhães, todos funcionários concursados da prefeitura paulista e acusados pelo Ministério Público Estadual de formar uma quadrilha que desviou ao menos R$ 500 milhões dos cofres públicos. Ao comentar a prisão dos fiscais em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, Haddad afirmou tratar-se de uma “resposta do Executivo a uma situação de descalabro” herdada da gestão anterior. Questionado sobre quem seria o “prefeito” citado num dos grampos, Haddad respondeu: “Olha… Não é possível desconsiderar que (Ronilson) ocupou um cargo da maior importância na gestão anterior”.

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Kassab reagiu batendo forte. “Ele (Haddad) só esqueceu de olhar para o próprio umbigo, para sua administração, quando a cidade está espantada com o descalabro desse primeiro ano”, afirmou Kassab, também em entrevista à Folha de S.Paulo. O ex-prefeito é citado pelos criminosos em escutas feitas com autorização da Justiça. Ele nega envolvimento com o grupo e diz que a investigação do caso começou ainda em sua gestão, no final do ano passado.

Desde o começo de sua gestão, Haddad se sentia incomodado com o fato de não poder atacar seu antecessor. O PSD de Kassab é um aliado importante de Dilma Rousseff (PT) na luta pela reeleição. Ele somará de dois a três minutos de tempo à propaganda presidencial. Por isso, o comportamento de Haddad desagradou ao governo federal. Em junho, quando a popularidade de Dilma caiu para a casa dos 30% de aprovação, Kassab procurou a presidente para afirmar que não a abandonaria qualquer que fosse o cenário. O Planalto jamais foi contra a investigação na prefeitura de São Paulo. Queria apenas que Kassab, até por ter iniciado a investigação, tivesse recebido outro tratamento por parte dos petistas paulistanos.

Kassab deve reafirmar na próxima semana o apoio à reeleição de Dilma Rousseff, com quem conversa regularmente em Brasília e pelo telefone. Além de desagradar a Dilma, a atitude de Haddad irritou seu padrinho político, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Uma divergência numa cidade ou num Estado não pode atrapalhar uma aliança nacional. O Kassab está cumprindo aquilo que ele acordou com a presidente vários meses atrás. O problema de São Paulo vai ser resolvido em São Paulo. Fico feliz com o apoio do PSD a Dilma”, afirmou Lula na quarta-feira (13), em Campo Grande (MS).

Além de ter perdido prestígio no Planalto, Haddad viu a investigação do Ministério Público fazer um estrago — e dos grandes — em seu próprio gabinete. Em depoimento ao MP na terça-feira (12), Magalhães afirmou que, entre dezembro de 2011 até o final do ano passado, pagou uma mesada ao vereador Antonio Donato, secretário de governo de Haddad e homem forte do PT na gestão paulistana. Donato, que coordenou a campanha vitoriosa de Haddad, pediu afastamento do cargo na própria terça. Donato nega o teor da acusação e diz que se defenderá na Câmara Municipal. Um dos mais importantes secretários petistas na gestão Haddad afirma que o partido está “estarrecido” com a acusação a Donato. Segundo ele, Donato participou ativamente desde a construção da Controladoria do município, que investiga o caso, e de várias ações da operação que prendeu os acusados. Os petistas, reservadamente, acusam Kassab de ter “armado” essa situação contra Donato, embora o próprio ex-secretário tenha confidenciado a amigos enxergar “fogo amigo” petista no episódio.

O episódio complicou de vez a relação entre Kassab e o PT no âmbito municipal. Ela nunca foi boa e agora se complicou de vez. E por mais que Kassab diga que o episódio se restringe ao plano regional, reafirmando seus votos de fidelidade a Dilma, o PT ainda pode ser prejudicado com a briga. Kassab não é importante para o PT apenas nos planos de reeleição de Dilma. Na estratégia montada por Lula para tentar eleger o ministro da Saúde, Alexandre Padilha (PT), ao governo de São Paulo, Kassab precisa sair candidato para tirar votos do atual governador Geraldo Alckmin (PSDB). O estrago está feito. E, com ele, Haddad vê seu castelo de fichas desabar aos olhos do crupiê.

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