Abobado

Archive for the ‘Polícia Militar de São Paulo’ tag

Debilidade mental crônica: Haddad, agora, admite que ação policial não atrapalhou seu programa na Cracolândia

leave a comment

Prefeito volta a elogiar "parceria" com a Polícia Militar e o governo do Estado depois de ter feito duro ataque à ação policial do Denarc para prender traficantes

O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), voltou a dar sinais nesta quarta-feira de que se arrependeu dos ataques contra a ação da Polícia Civil para prender traficantes na Cracolândia, no centro da capital paulista, na semana passada. Após a ação, que terminou em confronto entre policiais e usuários de crack, Haddad adotou um discurso beligerante contra a polícia e disse que a ação sabotava seu programa recém-implantado para viciados. No dia seguinte, o tom já era outro: o petista afirmou que era preciso retomar a "grande parceria" com o Estado. E nesta quarta admitiu: "Não houve prejuízo na continuidade do programa”.

“Estamos há dez dias trabalhando em conjunto para o sucesso dessa operação. [Após o conflito] Nós não perdemos a confiança dos beneficiários. Não houve prejuízo na continuidade do programa”, disse o prefeito ao apresentar um balanço do programa "Braços Abertos" — para ser beneficiado com a hospedagem em um hotel e receber 15 reais por dia, o viciado deve trabalhar quatro horas no serviço de varrição das ruas do Centro.

Haddad também voltou a elogiar a atuação da Polícia Militar: “Trata-se de agir nas duas pontas do processo, no ponto de vista do usuário em relação à sua recuperação, e no trabalho permanente e bem sucedido que a Polícia Militar vem executando com a prefeitura, usando a inteligência para proceder nas prisões em flagrante. Isso só é possível com essa parceria inédita”.

O secretário de Segurança Pública do Estado, Fernando Grella, disse que o atrito entre a administração municipal e o governo estadual está “superado”. Segundo ele, cem pessoas foram presas na Cracolândia em janeiro – 66 detenções foram efetuadas pela Polícia Civil, e 44 restantes pela Polícia Militar.

A prefeitura informou que até agora já cadastrou 370 viciados no programa, mas apenas 53 aceitaram frequentar os Centros de Atenção Psicossocial (Caps), onde os dependentes químicos recebem tratamento médico para se livrar do vício.

Relembre a nota divulgada por Haddad na semana passada:

A administração municipal foi surpreendida pela ação policial repressiva realizada hoje na região da Cracolândia pelo Departamento Estadual de Prevenção e Repressão ao Narcotráfico (Denarc), da Policia Civil. A prefeitura repudia esse tipo de intervenção, que fez uso de balas de borracha e bombas de efeito moral contra uma multidão formada por trabalhadores, agentes públicos de saúde e assistência e pessoas em situação de rua, miséria, exclusão social e grave dependência química. A “Operação de Braços Abertos” é uma política pública municipal pactuada com o governo estadual, que preconiza a não violência e na qual a prisão de traficantes deve ser feita sem uso desproporcional de força. Agentes da Prefeitura trabalham há seis meses para conquistar a confiança e obter a colaboração das pessoas atendidas. A administração reafirma seu empenho na solução deste problema da cidade e manifesta sua preocupação com este tipo de incidente, que pode comprometer a continuidade do programa. E expressou essa posição diretamente ao Governo do Estado.

Veja Online

Meritocracia na Polícia de São Paulo

leave a comment

O prêmio à competência é um importante mecanismo de estímulo para que haja trabalho em equipe e, principalmente, para que os bons policiais se sintam verdadeiramente prestigiados por sua dedicação

O governo de São Paulo está no caminho certo ao adotar a meritocracia na segurança pública, conforme o programa recentemente anunciado pelo governador Geraldo Alckmin. De acordo com o plano, os policiais que atingirem determinadas metas de redução de criminalidade receberão bônus de até R$ 2 mil por trimestre.

A medida consta de projeto que foi enviado à Assembleia Legislativa no mês passado e que deve ser aprovado em fevereiro, com efeito retroativo a janeiro — os primeiros bônus devem ser pagos já em abril. "O bônus vem para premiar aqueles que vão além do cumprimento do dever", disse o secretário de Segurança Pública, Fernando Grella Vieira.

Segundo o Instituto Sou da Paz, responsável pela elaboração do plano de metas, o modelo resultou de amplo debate com especialistas e "é uma aposta de que é possível reduzir o crime por meio de práticas de gestão que valorizem o policial e enfrentem o desafio da integração das polícias, ao mesmo tempo que profissionalizam e controlam sua atividade cotidiana". Experiências semelhantes, razoavelmente bem-sucedidas, já ocorrem no Rio de Janeiro e em Minas Gerais.

Vieira explicou que os indicadores criminais serão divididos em três núcleos estratégicos, que vão compor as metas: crimes "que tiram a vida", isto é, homicídios e latrocínios (roubos seguidos de morte); crimes de "impacto social", como assaltos; e "crimes importantes na cadeia da economia", como roubo de veículos. Este último teve aumento significativo em 2013, atingindo, em novembro, a maior incidência em 12 anos.

Para mensurar os indicadores de atribuição dos bônus, haverá uma divisão geográfica dos resultados. Será aferido o desempenho em todo o Estado, nas regiões de cada unidade policial e, finalmente, nas chamadas "áreas compartilhadas", onde devem atuar, em conjunto, as diversas polícias do Estado.

As metas a serem atingidas, que sofrerão revisão periódica, serão específicas para cada uma dessas divisões e levarão em conta suas singularidades, como perfil demográfico, tipo de localidade (se residencial ou comercial) e incidência da criminalidade.

O sistema de premiação considera os resultados locais e estaduais em conjunto. Por exemplo: o policial receberá o bônus máximo (R$ 2 mil) se fizer parte de uma área que atingir integralmente sua meta e se o Estado também conseguir atingir a sua. O prêmio cai para R$ 1,5 mil se sua área atingir a meta, mas o Estado ficar até 3% abaixo dela. O piso da bonificação é de R$ 250, pago quando tanto o Estado quanto os policiais atingirem apenas dois dos três indicadores que formam a meta.

Se o policial fizer parte de uma das cinco áreas com a maior redução em relação à meta estabelecida no trimestre, receberá outros R$ 3 mil de bônus. Por ano, a premiação pode representar R$ 20 mil a mais na remuneração dos policiais. No caso de policiais de unidades especializadas, o bônus será pago somente conforme o resultado do Estado. Agentes de áreas administrativas e oficiais em postos de comando estão fora do programa de incentivos.

Para o primeiro trimestre, a meta de redução de homicídios dolosos e de latrocínios é de 7%, enquanto o objetivo em relação aos demais crimes é ao menos evitar o crescimento. Haverá desconto progressivo nos bônus se os indicadores de latrocínio crescerem, o que dá a dimensão da importância dada a esse tipo de crime — que, nas palavras do secretário Vieira, "abala demais a sensação de segurança". Também haverá desconto na premiação se houver mortos por ação da polícia, mas a aplicação desse redutor dependerá da avaliação do secretário de Segurança, que levará em conta as circunstâncias de cada caso.

É evidente que apenas o bônus não basta para melhorar o trabalho de segurança pública. Faltam, entre outras coisas, um plano de carreira para os policiais e maior cooperação entre as diversas polícias. No entanto, o prêmio à competência é um importante mecanismo de estímulo para que haja trabalho em equipe e, principalmente, para que os bons policiais se sintam verdadeiramente prestigiados por sua dedicação.

Editorial do Estadão

Pelo menos isso – Justiça decide manter preso suspeito de agredir coronel durante ato em SP

leave a comment

Bandido perigoso: De óculos, Paulo Henrique Santiago dos Santos é transferido para CDP do Belém; ele nega agressão contra o coronel da PM

O Tribunal de Justiça de São Paulo decidiu nesta quarta-feira manter a prisão preventiva do estudante e comerciário Paulo Henrique Santiago dos Santos, 22. Ele foi preso sob suspeita de tentativa de homicídio contra o coronel da PM Reynaldo Simões Rossi, espancado por um grupo de dez manifestantes que participavam de protesto do MPL (Movimento Passe Livre) na sexta-feira (25).

Na decisão, o juiz Alberto Anderson Filho, da Primeira Vara do Tribunal do Júri de São Paulo, disse que "o fato de o indiciado ser primário, estar cursando universidade, e ter respaldo familiar, não o afastou da participação em baderna na via pública".

Santos foi transferido do 2º DP (Bom Retiro) para o CDP (Centro de Detenção Provisória) Belém, na zona leste da cidade, na manhã de ontem. O advogado do universitário, Guilherme Braga, afirmou no domingo (27) que não existe "nenhum indício de que o jovem tenha encostado" no coronel da PM.

Ao ser espancado, o coronel teve fratura na omoplata, além de cortes nas pernas e na cabeça. A maior parte dos agressores flagrados em fotos e vídeos estavam mascarados. Souza é o único preso até o momento pelo crime.

"Em nenhum momento ele aparece agredindo nas fotos. O bolo da agressão estava no meio da manifestação então tinha um monte de gente por perto então no quadro das imagens aparece o rosto dele. E com isso, a polícia identificou ele como agressor. Mas em nenhum momento, aparece ele agredindo", disse o defensor. Segundo ele, as fotos mostram o jovem apenas perto do coronel.

Santos estuda relações internacionais na Faculdade Santa Marcelina e trabalha em uma empresa da região de Perdizes (zona oeste).

Em entrevista à Folha, o coronel agredido disse que a corporação não vai mudar a forma de atuar nos protestos por um oficial ter sido ferido.

Folha Online

Afronta ao Estado

leave a comment

Os cidadãos de bem, aqueles que confiam no Estado e em suas instituições, estão a exigir que os responsáveis pela manutenção da ordem pública não mais se intimidem ante um punhado de delinquentes travestidos de "ativistas"

Os golpes desferidos pelos "black blocs" contra um coronel da Polícia Militar, na noite da última sexta-feira (26/10) em São Paulo, atingiram não apenas a pessoa do oficial, mas o próprio Estado. É este que, ante a hesitação de seus agentes, está à mercê desses criminosos fascistoides, que estão cada vez mais à vontade para cometer seus crimes e atentar contra a ordem.

O coronel Reynaldo Simões Rossi foi espancado por cerca de dez mascarados, durante protesto organizado pelo Movimento Passe Livre (MPL) no Parque Dom Pedro II, centro da capital. Chefe do Comando de Policiamento da Área Metropolitana, Rossi foi cercado pelos baderneiros no momento em que parte dos manifestantes começava a depredar um terminal de ônibus, seguindo o roteiro de vandalismo já bastante conhecido na cidade.

Após levar socos e pontapés até ser derrubado, Rossi tentou se levantar, mas então foi atingido na cabeça por uma placa de ferro. Roubaram-lhe a arma e um rádio. Com as duas escápulas fraturadas e ferimentos nas pernas, no abdome e na cabeça, o coronel foi socorrido por um policial à paisana. Ao ser levado para o hospital, Rossi ainda teve tempo de pedir a seus comandados que não exagerassem na reação: "Segura a tropa, não deixa a tropa perder a cabeça".

Foi um apelo de alguém consciente de que o monopólio da força legítima, que está nas mãos do Estado, não pode ser usado sem limites. Mesmo em meio a uma situação de clara covardia desses criminosos que estão todos os dias a aterrorizar a cidade, é preciso agir dentro da lei. Mas é preciso agir, sob pena de cristalizar uma imagem de impotência, que só encoraja mais violência.

Os ataques contra policiais cometidos por esses bandidos infiltrados em manifestações têm sido sistemáticos. Segundo o coronel Rossi, nada menos que 70 PMs já foram feridos durante protestos neste ano.

O caso mais dramático até agora havia sido o do PM Wanderlei Paulo Vignoli, que quase foi linchado ao tentar impedir que um manifestante pichasse a parede do Tribunal de Justiça, na Praça da Sé, durante um dos protestos de junho. Ouviu gritos de "lincha, mata". Ele só escapou porque apontou a arma para os agressores, mas a imagem desse policial acuado e de rosto ensanguentado mostrou que a violência de alguns manifestantes extrapolava o mero vandalismo. O espancamento do coronel Rossi só reafirmou a índole criminosa dessa militância mascarada, para a qual a violência é um fim em si mesma.

Os manifestantes que permitem a infiltração desses vândalos em seus protestos e que não os repudiam são cúmplices de seus atos. Em nota, o MPL condenou a agressão a Rossi, mas praticamente a justificou, ao citar abusos cometidos por policiais contra manifestantes em outras ocasiões.

O vale-tudo ficou ainda mais claro quando o MPL aplaudiu a destruição causada no terminal de ônibus do Parque Dom Pedro II — foram depredados dez ônibus e várias catracas, além de orelhões e caixas eletrônicos. "Entramos no maior terminal de ônibus da América Latina para realizar na prática a tarifa zero", orgulhou-se o MPL. "A revolta que destruiu as catracas nessa sexta-feira foi acesa pela violência cotidiana do transporte coletivo. E continuaremos lutando pela destruição de todas as catracas."

Essas palavras mostram que o movimento deixou de ser pacífico, como pretendia no início das manifestações. A ameaça de violência é agora clara e permanente. O desafio a tudo o que se interpõe no caminho dos vândalos — sejam catracas, sejam policiais — denuncia o falso caráter moderado dos líderes desse movimento.

Os cidadãos de bem, aqueles que confiam no Estado e em suas instituições, estão a exigir que os responsáveis pela manutenção da ordem pública não mais se intimidem ante um punhado de delinquentes travestidos de "ativistas". E aqueles que saem às ruas para exercer seu legítimo direito de protestar devem imediata e indubitavelmente se dissociar dos criminosos, sob o risco de com eles se confundirem. Como disse o coronel ferido, "o silêncio dos bons é muito pior do que o ruído dos maus".

Editorial do Estadão

Bandido de 22 anos é preso por tentar matar coronel durante ato em SP

leave a comment

Criminoso deverá ser indiciado por tentativa de homicídio doloso e formação de bando e quadrilha. Cinco pessoas, incluindo o agressor, devem ser levadas a Centro de Detenção Provisória

Assistam cenas da horda atacando covardemente o policial

Criminosos travestidos de manifestantes agridem violentamente coronel da PM na noite de sexta-feira (25) em São Paulo

Um comerciário de 22 anos, morador de Perdizes, na Zona Oeste de São Paulo, foi preso e acusado de participar das agressões ao coronel da Polícia Militar Reynaldo Simões Rossi, que teve a clavícula quebrada ao ser agredido por encapuzados durante manifestação realizada pelo Movimento Passe Livre (MPL), para reivindicar tarifa zero no transporte público. O jovem será indiciado por tentativa de homicídio doloso e formação de bando e quadrilha. Outras quatro pessoas também foram detidas e estão no distrito policial, de onde serão levadas para um Centro de Detenção Provisória. No total, 92 pessoas foram detidas durante a manifestação, devido às depredações.

O coronel teve escoriações na cabeça e na face. Durante as agressões, teve a arma e o rádio-comunicador roubados. A arma foi recuperada por um policial, mas o rádio comunicador não. Rossi foi encaminhado ao hospital e passa bem. Já machucado, ele pediu à tropa que fosse com calma, "sem perder a cabeça".

Por volta de 15 horas, a PM já registrava a presença de mascarados no ato, que tinha cerca de 200 pessoas. Pelo twitter, a PM afirmou: "200 pessoas ligadas ao Movimento Passe Livre estão na Praça Ramos. Pelo menos 35 black blocs acompanham o ato." Uma hora antes, às 14h, a PM informara pelo twitter que cerca de 600 manifestantes, entre eles 100 black blocs, já se deslocavam da Praça Ramos para o Largo São Francisco.

O ato do MPL começou na Praça Ramos de Azevedo, em frente ao Teatro Municipal, e se deslocou para a Praça da Sé. Os manifestantes carregavam cartazes com as inscrições: “Por uma vida sem Catracas” e “Violência é a Tarifa”. Ao todo, cerca de duas mil pessoas participaram do ato, que a esta altura já incluía protestos contra a violência policial e os governadores do Rio e de São Paulo. Ao chegarem ao terminal, um grupo fez barricada para impedir a ação das forças policiais.

Os passageiros acabaram no meio da violência. Um ônibus foi incendiado, catracas foram quebradas e até mesmo os vidros blindados dos guichês foram estilhaçados. A área mais destruída foi a dos caixas eletrônicos: 18 equipamentos foram destruídos — um deles foi incendiado. Um dos guichês de venda de passagens foi roubado. O equipamento que controla o semáforo para saída de ônibus foi totalmente destruído. Uma loja de recarga de aparelhos celulares foi saqueada. A Subprefeitura da Sé, que fica na região, também foi alvo de depredações.

O governador Geraldo Alckmin visitou o Terminal Parque Dom Pedro para ver de perto os estragos, mas não falou com a imprensa. À tarde, no município de Buri, o governador afirmou que a polícia segue trabalhando para identificar os que participaram de depredações. Imagens gravadas por câmeras de segurança do terminal serão usadas.

Quando começou o tumulto, as ações não foram contidas imediatamente pela Polícia Militar (PM). Algum tempo depois, para dispersar os manifestantes, os policiais dispararam bombas de efeito moral e de gás lacrimogêneo. Depois de depredar o terminal, o grupo saiu em caminhada por ruas do centro. Quatro bancos foram depredados apenas na Rua Boa Vista: Safra, Itaú, HSBC e Santander. A polícia voltou a usar bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha para dispersar os manifestantes na Praça da Sé, por volta das 21h.

Desde junho, quando conseguiu a revogação do aumento da tarifa do transporte público, o MPL não convocava atos na capital paulista. Desde segunda-feira, o MPL realizou atos na Estrada do M’Boi Mirim, no Grajaú e no Campo Limpo e reuniu milhares de moradores dessas regiões insatisfeitos com os serviços público de transporte em São Paulo.

O Globo Online

Opinião do Estadão: A polícia no caminho certo

leave a comment

Os manifestantes, já que se pretendem pacíficos, tem o dever de se distanciar dos baderneiros. Do contrário, queiram ou não, serão seus cúmplices

As duas maiores cidades do País viveram na terça-feira mais um dia de violência e depredações, provocadas por baderneiros infiltradas em manifestações, mas desta vez a polícia, tanto em São Paulo como no Rio, deu mostras de que finalmente está disposta a tratar esses grupos com o rigor necessário. É bom que assim seja, porque tanto a destruição do patrimônio público e privado como o próprio enfrentamento direto entre os vândalos e a polícia vêm crescendo de tal forma que hoje qualquer sinal de fraqueza pode fazer a situação escapar ao controle das forças encarregadas de garantir a paz e a segurança da população.

Em São Paulo, cerca de 300 estudantes — de acordo com cálculos da Polícia Militar (PM) — aproveitaram a comemoração do Dia do Professor para pedir maior participação na administração da Universidade de São Paulo, numa passeata que começou no Largo da Batata, em Pinheiros, e pretendia chegar ao Palácio dos Bandeirantes. Como sempre, a violência começou quando mascarados do grupo Black Bloc se misturaram aos estudantes. Quatro agências bancárias e uma concessionária de veículos foram depredadas e a Estação Butantã do Metrô foi pichada.

Quando se sentiu acuado, um grupo que tinha tanto estudantes como baderneiros se refugiou na loja de móveis Tok & Stok situada perto da Ponte Eusébio Matoso. A presença desse grupo numa grande loja, sempre cheia naquele horário, poderia ter provocado uma tragédia, como chegaram a temer os clientes amedrontados. A polícia agiu com energia, fez um bloqueio naquela ponte, enfrentou os mascarados e prendeu 61 pessoas. Com a mesma energia, a polícia conseguiu conter, em outro ponto da cidade, militantes do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto que tentaram invadir o prédio da Câmara Municipal.

No Rio, o cenário não foi diferente. Mascarados, misturados a 7 mil professores que promoveram manifestação no centro da cidade, em especial na Cinelândia e nas imediações da Câmara Municipal, mais uma vez deixaram um rastro de destruição — agências bancárias e lojas depredadas, ônibus e viaturas queimados e policiais atacados com coquetéis molotov. E também barricadas e sacos de lixo queimados perto da Biblioteca Nacional, que tem o maior e mais valioso acervo de livros do País. Mas lá, tal como em São Paulo, a PM conteve os grupos mais violentos e fez dezenas de prisões.

A situação chegou a um ponto em que bastam algumas dezenas de pretensos anarquistas, aos quais cada vez mais se juntam criminosos comuns, para tumultuar a vida das grandes cidades, bloqueando vias importantes e semeando destruição e medo ao menor pretexto. Um estrangeiro que aqui desembarcasse num desses dias, vindo de qualquer país razoavelmente organizado e onde por isso existe o saudável hábito de respeitar a lei, imaginaria que o Brasil está em pé de guerra, ou quase.

Isto não pode continuar. É preciso, antes de mais nada, separar os manifestantes dos baderneiros de todo tipo. Quem primeiro tem de fazer isso é, evidentemente, a polícia. A rigor, já deveria ter feito, pois certamente seu serviço de inteligência tem condições de identificar e ficar atento a esse grupo, que não é numeroso. E os manifestantes, já que se pretendem pacíficos, tem o dever de se distanciar deles. Do contrário, queiram ou não, serão seus cúmplices, como tem acontecido muitas vezes.

E já está na hora também de todos que, entre nós, pretendem exercer seu direito de se manifestar e reivindicar se convencerem de que esse direito não é absoluto. Aí está o exemplo das velhas e sólidas democracias — países europeus e Estados Unidos —, onde as manifestações têm de seguir regras como avisar com antecedência as autoridades sobre o dia, a hora e o trajeto em que serão feitas, e que dependem de aprovação. Fora desse padrão, elas atentam contra o direito de ir e vir dos outros.

É animador ouvir do governador Geraldo Alckmin, depois da baderna de terça-feira, que o vandalismo é inaceitável e a polícia não pode se omitir. Que desta vez seja para valer.

Written by Abobado

outubro 17th, 2013 at 11:42 am

Alckmin quer investigação rigorosa para punir vandalismo

leave a comment

Governador de SP diz que vandalismo é ‘inaceitável’ e manifestantes irão responder por depredação
 

Bandidagem sem limite: Um dos resultados da manifestação ‘pacífica’ em Sâo Paulo na noite de ontem

O governador Geraldo Alckmin afirmou nesta manhã que o vandalismo que aconteceu na noite de ontem em protesto em São Paulo "extrapolou todos os limites". "Isso afasta manifestações legítimas como as que ocorreram em julho. É um absurdo verdadeiro", comentou o governador nesta manhã. Ele afirmou ainda que o trabalho de investigação da polícia está sendo feito e os manifestantes serão identificados e irão responder pelas infrações que cometeram.

Alckmin afirmou que há um tenente da Polícia Militar com uma fratura no rosto, causada pelo arremesso de uma "bola de aço". "É inaceitável. Todos serão identificados e irão responder por esses fatos." O governador disse que duas das 11 pessoas presas durante a manifestação permanecem na prisão.

"Eles vão responder por depredação ao patrimônio público, privado, além de lesão", completou. Durante evento na manhã desta terça-feira, Alckmin foi questionado se acontecimentos como os da última noite demonstram fraqueza da polícia e qual a orientação dada aos policiais. "A polícia está agindo e vai agir com rigor na defesa da lei, na proteção das pessoas. É preciso separar, manifestação legítima, em que a polícia protege os manifestantes para que eles possam exercer sua liberdade de expressão. Outra coisa é vandalismo, depredação, isso é inaceitável", respondeu.

Ele evitou responder diretamente se defende maior rigor na operação policial e maior punição de protestantes que agirem com vandalismo, se restringindo a comentar que o trabalho de investigação da polícia está sendo feito e que a orientação é para a polícia proteger os manifestantes e "garantir o direito de livre manifestação". "Agora, esse tipo de vandalismo é inaceitável", reiterou.

Na noite de ontem, manifestação de alunos e professores na Praça da República terminou em confronto com a polícia e atos de vandalismo, após atuação de um grupo de mascarados Black Bloc.

Agência Estado

Opinião do Estadão: Com Haddad, os camelôs estão de volta

leave a comment

Lançada no final de 2009, a Operação Delegada conseguiu resultados impressionantes num terreno em que sucessivas administrações só haviam colecionado derrotas
 

Na reportagem de março de 2013, observem a eficiência do trabalho da PM que o petralha pilantra Fernando Haddad está destuindo

O desmonte da Operação Delegada, criada por Gilberto Kassab para combater o comércio ambulante, que está sendo feito pelo prefeito Fernando Haddad, é uma demonstração de que, apesar da tentativa de se apresentar como moderno e dinâmico, seu governo retoma sem nenhuma cerimônia uma das práticas mais condenáveis da velha política brasileira — a de abandonar boas iniciativas só porque foram adotadas pelos adversários. Pouco importa se a população sai perdendo, desde que se satisfaça a necessidade de afirmação do novo governante.

Lançada no final de 2009, essa operação — pela qual policiais militares (PMs) combatem camelôs ilegais em horário de folga, recebendo por esse trabalho extra um adicional pago pela Prefeitura — conseguiu resultados impressionantes num terreno em que sucessivas administrações só haviam colecionado derrotas. O comércio ambulante havia tomado conta de importantes ruas da cidade, transformadas em verdadeiros "camelódromos". Pela facilidade de fugir da polícia, misturando-se com a multidão, esses locais ofereciam condições ideais para a prática de vários tipos de crime.

Sem falar que esse comércio — além da concorrência desleal com o comércio regular, que paga impostos — há muito deixou de ser apenas uma forma de sobrevivência para pessoas desempregadas. A maior parte de seus produtos é contrabandeada ou falsificada, quando não roubada. A situação foi se agravando cada vez mais, à medida que malogravam as tentativas de criar shopping centers populares.

A Operação Delegada começou na Rua 25 de Março e adjacências e logo se estendeu aos principais locais de concentração de camelôs. Diminuíram sensivelmente tanto o número destes como os índices de criminalidade nas regiões em que eles atuavam. A explicação para isso é que o camelô desrespeitava os fiscais e os guardas municipais por saber que, nesse caso, podia apenas ser acusado de cometer infração administrativa. Não fazia e não faz o mesmo com PMs, porque pode ser preso por desacato. O êxito da operação foi tal que a experiência se estendeu a outras 17 cidades do Estado.

É isso que está indo por água abaixo na capital. Haddad quis, de início, dar uma outra orientação à operação, com ênfase não mais no comércio ilegal, mas numa vaga segurança comunitária. Em março, foi assinado um convênio entre a Prefeitura e o governo do Estado para que um terço do efetivo da operação, segundo o desejo de Haddad, fizesse patrulha noturna em bairros distantes do centro, o que não interessou à maioria dos PMs.

A verdade, como se comprova agora, é que Haddad parece determinado a acabar com a operação ou torná-la insignificante. Nos primeiros seis meses do seu governo, o número de PMs que trabalham na operação caiu de 3.439 para 1.853. E, durante audiência na Câmara Municipal, a secretária de Planejamento, Leda Paulani [foto], deixou as coisas bem claras. Sobre o abandono do patrulhamento noturno, disse que "segurança é uma questão do Estado, em que o município contribui na medida do possível". É verdade, e por isso Haddad não deveria ter sugerido tal medida.

Mais importante é o que ela disse sobre os camelôs: "Esse governo não compactua com nenhum tipo de violência policial, seja para retirar invasores das ocupações, seja para perseguir os camelôs nas ruas". O que está de acordo com outra declaração sua, que sintetiza o que pensa sobre a questão: "A Operação Delegada não era uma meta de nossa campanha e não é prioridade do governo".

Falar em "violência policial" contra os camelôs na Operação Delegada é contrariar os fatos. O que Haddad vai fazer então com os camelôs ilegais, já que não admite a tal "violência"? Deixá-los tomar conta novamente das ruas, só por não admitir que outro governante pode também acertar? Aliás, é isso mesmo que já está acontecendo, como mostrou reportagem do Estado (18/8). E, com os camelôs, vem junto, aí sim, a violência, mas dos bandidos que se infiltram entre eles.

Com o petralha Fernando Haddad, Operação Delegada da PM cai à metade e camelôs invadem SP

leave a comment

Efetivo de projeto da Prefeitura passou de 3.439 para 1.853 PMs no primeiro semestre e lojistas da região central já reclamam de falhas na fiscalização do comércio de rua
 
Vejam o que esse pilantra dizia na campanha para a Prefeitura de São Paulo

Criada em 2009, a operação virou uma franquia que já chegou a 17 cidades do Estado e está em processo de implementação em outras 40. Na capital, porém, a relação entre Haddad e o comandante-geral da PM, Benedito Roberto Meira, sempre foi tensa. O petista não queria o foco no combate aos camelôs e tentou fazer com que os PMs trabalhassem à noite na periferia, sem sucesso.

"A (Operação) Delegada caminha para acabar", diz o vereador coronel Alvaro Camilo (PSD), que instalou o programa quando era comandante-geral da PM. Segundo ele, com a redução do efetivo, os policiais não dão conta de fiscalizar o comércio de rua na cidade.

O Estado percorreu vias do centro e constatou grande número de ambulantes mesmo onde ainda há policiais da operação, como nas Ruas 25 de Março, José Paulino e Santa Ifigênia. "Cuidava de um quarteirão. Agora, tenho de cuidar de três. Vira um jogo de gato e rato", diz um PM na Santa Ifigênia.

Na região da Avenida Brigadeiro Faria Lima, na zona sul, a retirada de 50 dos 67 PMs da operação causou mobilização da associação de moradores Ame Jardins. "Aumentaram as ocorrências de furto e roubo e teve um caso de saidinha de banco", diz João Moradei Junior, diretor da entidade. O grupo cobrou da Prefeitura e os PMs voltaram às ruas da região.

A situação causou polêmica também em outras áreas da cidade. "A gente percebeu que o efetivo vem diminuindo e os camelôs estão voltando", diz Kelly Cristina Lopes, da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) Bom Retiro. "Prejudica porque, muitas vezes, os ambulantes estão vendendo o mesmo produto que o comerciante na porta dele e sem pagar imposto."

Os camelôs usam esteiras e caixas de papelão para fugir da fiscalização com velocidade. "Agora, a gente só espanta. Antes, apreendia a mercadoria", diz um soldado da PM. O presidente do Fórum Nacional Contra a Pirataria e Ilegalidade, Edson Luiz Vismona, diz que a fiscalização foi abandonada. "Em oito meses de governo, a Prefeitura ainda está pensando no que vai fazer", afirma.

A Prefeitura também retirou a Guarda Civil Metropolitana da fiscalização. A gestão Haddad planejava que as duas corporações fizessem um trabalho de patrulhamento comunitário.

Noite

A administração municipal anunciou na última sexta-feira, 16, que abortou a tentativa de colocar a Polícia Militar à noite na periferia na Operação Delegada. Segundo a Prefeitura, os policiais não se interessaram. O principal temor seria a dificuldade de deixar esses bairros no período noturno.

"A população reclamou muito da violência dos policiais. A Operação Delegada não era uma meta nossa de campanha e não é prioridade do governo. Segurança é uma questão de Estado e que o Município contribui na medida do possível", disse a secretária municipal de Planejamento, Leda Paulani.

O número de PMs deve diminuir ainda mais. Nos bastidores, fala-se que a diminuição acontece porque a polícia não apresenta corretamente o nome dos contratados, que passou a ser pedida pela atual administração. Em nota, a Secretaria de Estado da Segurança Pública afirmou que "a Prefeitura não ofereceu as condições necessárias para o sucesso da Operação Delegada noturna".

Estadão Online

Estudo baseado no índice de assassinatos por habitantes atesta que São Paulo é a mais segura das capitais e redesenha o mapa da violência que inclui 1.663 cidades

leave a comment

É mais seguro caminhar pelas ruas do Rio de Janeiro ou de Campina Grande do Sul, cidade com menos de 40 mil habitantes na Região Metropolitana de Curitiba? E qual destas capitais parece mais perigosa: São Paulo ou Porto Alegre? Convidados a responder rapidamente a tais perguntas, é provável que 10 em 10 brasileiros escolham a primeira opção. Estão todos errados, informa o Mapa da Violência, organizado pelo Centro Brasileiro de Estudos Latino-Americanos (Cebela) em parceria com a Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso).

A mais recente edição do estudo cobre o período que vai de 2001 a 2011 e utiliza como critério o número de homicídios para cada 100 mil habitantes. Nesse ranking baseado exclusivamente nos crimes de morte, a paranaense Campina Grande do Sul ocupa um incômodo segundo lugar, atrás apenas de Simões Filho, na Bahia, com 118 mil moradores. O Rio de Janeiro aparece na 662° posição entre os 1.663 municípios pesquisados.

O desempenho de São Paulo (1096° colocada) é ainda melhor que o do Rio e muito mais animador que o de Porto Alegre (315°). Na capital gaúcha, a taxa de homicídios supera em 155% a registrada pela maior metrópole brasileira. Hoje, São Paulo é a mais segura das capitais e Porto Alegre patina na 10° posição. As mudanças ocorridas no ranking não tornaram menos perturbador o quadro nacional. Segundo a Organização Mundial de Saúde, a violência deve ser considerada epidêmica acima de 10 assassinatos a cada 100 mil habitantes por ano. Com 27 homicídios, o Brasil supera esse limite em quase 300%.

Para se ter uma ideia da enormidade dos dígitos, basta confrontá-los com as estatísticas sobre as guerras ocorridas entre 2004 e 2007 no resto do mundo: 62 conflitos armados provocaram 208.349 mortes. De 2008 a 2011, foram assassinadas no Brasil 206.005 pessoas, 117 mil  a mais que a soma das vítimas das guerras do Iraque e do Afeganistão.

O Mapa da Violência também confirma o que os especialistas qualificam de “migração da violência”. Enquanto se multiplicam em regiões consideradas “pacatas” há dez anos, os crimes de morte desenham uma curva descendente em antigos redutos da violência. Para espanto de quem mede a criminalidade pelo noticiário jornalístico, São Paulo reduziu em 81,3% a taxa de homicídio. Também de dez anos para cá, esse índice sofreu uma queda de quase 60% no Rio.

As constatações feitas pelo Mapa da Violência não impedem, contudo, que o medo permaneça na mesma altitude, resultante da sensação de insegurança. Uma pesquisa do Ibope divulgada no início do ano comprovou que nove em dez moradores da capital paulista “não se sentem seguros”. Para o sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz, responsável pelo Mapa da Violência, esse percepção equivocada (que se repete entre os cariocas) decorre do alcance dos meios de comunicação sediados nas duas maiores cidades do país.

“A violência não está no Rio ou em São Paulo”, garante Waiselfisz. “A notícia da violência é que está nessas cidades. Um sequestro no Rio tem uma repercussão extraordinariamente maior do que um sequestro em Alagoas”. É esse, aliás, o líder do ranking por estado. Maceió, a capital, é uma das 15 cidades que superaram a marca de 100 mortes por 100 mil habitantes. Nos últimos dez anos, a violência cresceu 146,5% em território alagoano. Tal expansão só foi superada pela criminalidade na Bahia, que registrou um avanço de 223,6% no número de homicídios.

Segundo Waiselfisz, o crime mudou de endereço em consequência de alterações na paisagem econômica e da falta de investimento em segurança. “A partir dos anos 90, a renda concentrada nas grandes metrópoles passou a migrar para municípios menores”, argumenta. “Essas cidades não estavam preparadas para o crescimento da população, e os sistemas de segurança, que eram compatíveis com o baixo número de habitantes, se mantiveram estagnados”.

No conjunto das capitais, a taxa de homicídios sofreu uma queda de 20,9%. Em contrapartida, cresceu 23,6%, nos municípios interioranos. O organizador do Mapa ressalva que essa curva ascendente também foi influenciada pelo aperfeiçoamento do aparelho policial. “Os institutos médico-legais eram muito poucos no país”, exemplifica o sociólogo. A contagem dos mortos foi aperfeiçoada, mas continua longe da eficiência desejável ─ o que permite supor que as dimensões da violência sejam ainda mais inquietantes.

“Alguns estudos comprovam que crimes banais, como discussões em botecos, matam muito que o tráfico de drogas”, observa Waiselfisz. E muitos crimes de morte decorrem da descrença na Justiça. “Como não confiam nos tribunais”, constata, “um número enorme de brasileiros acha mais eficaz fazer justiça com as próprias mãos”.

Júlia Rodrigues – Blog do Augusto Nunes