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Petralha incompetente, Fernando Haddad apostou – e perdeu

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O prefeito pilantra de São Paulo declarou guerra a seu antecessor, Gilberto Kassab, e com isso criou problemas para o PT e para ele mesmo

O jogo de roleta e a política têm pelo menos uma coisa em comum: nas duas atividades, os novatos e os experientes se diferenciam de forma clara. Os tarimbados na roleta começam cautelosamente, apostando poucas fichas em muitos números. Quando reúnem um bom cacife, partem para lances mais arriscados. Acuado pelos baixíssimos índices de popularidade — apenas 15% de aprovação, depois de aumentar impostos e ver o caos se instaurar no trânsito com as faixas exclusivas de ônibus — o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), um novato na política, resolveu apostar todas as fichas numa providência arriscada: jogar a culpa no antecessor.

O pretexto para bater em Gilberto Kassab (PSD) foi o escândalo que levou para a cadeia Ronilson Bezerra Rodrigues, Eduardo Horle Barcellos, Carlos Di Lallo Leite do Amaral e Luis Alexandre Cardozo de Magalhães, todos funcionários concursados da prefeitura paulista e acusados pelo Ministério Público Estadual de formar uma quadrilha que desviou ao menos R$ 500 milhões dos cofres públicos. Ao comentar a prisão dos fiscais em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, Haddad afirmou tratar-se de uma “resposta do Executivo a uma situação de descalabro” herdada da gestão anterior. Questionado sobre quem seria o “prefeito” citado num dos grampos, Haddad respondeu: “Olha… Não é possível desconsiderar que (Ronilson) ocupou um cargo da maior importância na gestão anterior”.

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Kassab reagiu batendo forte. “Ele (Haddad) só esqueceu de olhar para o próprio umbigo, para sua administração, quando a cidade está espantada com o descalabro desse primeiro ano”, afirmou Kassab, também em entrevista à Folha de S.Paulo. O ex-prefeito é citado pelos criminosos em escutas feitas com autorização da Justiça. Ele nega envolvimento com o grupo e diz que a investigação do caso começou ainda em sua gestão, no final do ano passado.

Desde o começo de sua gestão, Haddad se sentia incomodado com o fato de não poder atacar seu antecessor. O PSD de Kassab é um aliado importante de Dilma Rousseff (PT) na luta pela reeleição. Ele somará de dois a três minutos de tempo à propaganda presidencial. Por isso, o comportamento de Haddad desagradou ao governo federal. Em junho, quando a popularidade de Dilma caiu para a casa dos 30% de aprovação, Kassab procurou a presidente para afirmar que não a abandonaria qualquer que fosse o cenário. O Planalto jamais foi contra a investigação na prefeitura de São Paulo. Queria apenas que Kassab, até por ter iniciado a investigação, tivesse recebido outro tratamento por parte dos petistas paulistanos.

Kassab deve reafirmar na próxima semana o apoio à reeleição de Dilma Rousseff, com quem conversa regularmente em Brasília e pelo telefone. Além de desagradar a Dilma, a atitude de Haddad irritou seu padrinho político, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Uma divergência numa cidade ou num Estado não pode atrapalhar uma aliança nacional. O Kassab está cumprindo aquilo que ele acordou com a presidente vários meses atrás. O problema de São Paulo vai ser resolvido em São Paulo. Fico feliz com o apoio do PSD a Dilma”, afirmou Lula na quarta-feira (13), em Campo Grande (MS).

Além de ter perdido prestígio no Planalto, Haddad viu a investigação do Ministério Público fazer um estrago — e dos grandes — em seu próprio gabinete. Em depoimento ao MP na terça-feira (12), Magalhães afirmou que, entre dezembro de 2011 até o final do ano passado, pagou uma mesada ao vereador Antonio Donato, secretário de governo de Haddad e homem forte do PT na gestão paulistana. Donato, que coordenou a campanha vitoriosa de Haddad, pediu afastamento do cargo na própria terça. Donato nega o teor da acusação e diz que se defenderá na Câmara Municipal. Um dos mais importantes secretários petistas na gestão Haddad afirma que o partido está “estarrecido” com a acusação a Donato. Segundo ele, Donato participou ativamente desde a construção da Controladoria do município, que investiga o caso, e de várias ações da operação que prendeu os acusados. Os petistas, reservadamente, acusam Kassab de ter “armado” essa situação contra Donato, embora o próprio ex-secretário tenha confidenciado a amigos enxergar “fogo amigo” petista no episódio.

O episódio complicou de vez a relação entre Kassab e o PT no âmbito municipal. Ela nunca foi boa e agora se complicou de vez. E por mais que Kassab diga que o episódio se restringe ao plano regional, reafirmando seus votos de fidelidade a Dilma, o PT ainda pode ser prejudicado com a briga. Kassab não é importante para o PT apenas nos planos de reeleição de Dilma. Na estratégia montada por Lula para tentar eleger o ministro da Saúde, Alexandre Padilha (PT), ao governo de São Paulo, Kassab precisa sair candidato para tirar votos do atual governador Geraldo Alckmin (PSDB). O estrago está feito. E, com ele, Haddad vê seu castelo de fichas desabar aos olhos do crupiê.

ÉPOCA Online

Máfia do ISS em SP – O despejo do secretário de Haddad adverte: quem esconde fantasmas em casa não deve procurá-los no porão do vizinho

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Os desdobramentos das investigações sobre a máfia do ISS confirmam que, sempre que coloca testas inimigas na alça de mira, o PT acaba acertando o próprio pé. Desta vez, coube a Fernando Haddad o papel de atirador trapalhão. Decidido a compensar com gestos espetaculosos os estragos político-eleitorais causados pela superlativa elevação do IPTU, o prefeito enfiou-se na fantasia de faxineiro do Planalto de Piratininga e desencadeou a guerra de extermínio contra a multidão de larápios que herdou de Gilberto Kassab. Nesta terça-feira, atropelado por gravações constrangedoras e nomeações muito mal explicadas, o secretário de Governo Antonio Donato teve de deixar o cargo.

É a baixa mais vistosa desde o início dos barulhos. E é só a primeira, previnem as suspeitas que rondam o secretário Jilmar Tatto e outras velharias que cercam aquele que seria, segundo marqueteiros sempre inventivos, um novo homem para um novo tempo. Quem esconde fantasmas no sótão da própria casa não deve procurá-los no porão do vizinho, advertiu o post aqui publicado em maio de 2012. O texto se inspirou na CPI do Cachoeira, planejada em abril daquele ano por Lula e José Dirceu.

Na cabeça da dupla, a operação que mobilizou a base alugada fulminaria com uma bala de prata dois alvos goianos ─ o senador Demóstenes Torres, do DEM, e o governador tucano Marconi Perillo. Deu tudo errado. O projétil ricocheteou no companheiro Agnelo Queiroz, governador de Brasília, provocou ferimentos de bom tamanho no parceiro fluminense Sérgio Cabral e seguiria fazendo vítimas entre os aliados se a CPI não fosse sepultada às pressas pelos pais da ideia de jerico.

Tem sido assim desde janeiro de 2002, quando Altos Companheiros apareceram no velório de Celso Daniel para animá-lo com o jogral das viúvas inconsoláveis. Meses antes, começou o deputado Luiz Eduardo Greenhalgh, panfletos apócrifos distribuídos em São Paulo avisaram que uma organização de extrema direita decidira liquidar fisicamente políticos petistas, mas o governo FHC ignorou os sinais de perigo. Em novembro de 2001, continuou o deputado Aloizio Mercadante, o prefeito Toninho do PT fora morto a tiros numa avenida de Campinas.

O assassinato do prefeito Celso Daniel, concluiu o deputado José Dirceu, confirmou que os extremistas não estavam brincando. Agora era tarde, lastimou em coro a trinca inconformada com a insensibilidade dos tucanos no poder. Já na largada das apurações policiais ficou claro que a misteriosa organização era tão real quanto a transposição das águas do Rio São Francisco. Em seguida, uma enxurrada de evidências comprovou que Celso Daniel fora silenciado por integrantes de um esquema corrupto montado, com o incentivo e a proteção do próprio prefeito, para extorquir empresários do setor de transportes.

Ao descobrir que alguns sócios na roubalheira estavam embolsando o dinheiro que deveria desaguar exclusivamente nos cofres do PT, Celso Daniel comunicou que denunciaria o desvio do desvio. Antes que cumprisse a ameaça, foi eliminado a mando de ex-parceiros que orbitavam em torno da estrela vermelha. Faz quase 12 anos que a força-tarefa coordenada por Gilberto Carvalho tenta transformar em homicídio comum um crime político. Não conseguiu. Nem vai conseguir, alerta a ofensiva do Ministério Público que já conseguiu a condenação de vários acusados e agora fecha o cerco em torno de Sérgio Gomes da Silva, o Sombra.

A instauração da CPI do Cachoeira provou que a companheirada não aprendera com o assassinato de Celso Daniel. O despejo do principal secretário de Haddad acaba de provar que a lição da CPI do Cachoeira não foi assimilada. Reincidentes de nascença não têm cura.

Augusto Nunes