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PT – a estratégia do ataque à mídia

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Para Lula, um político que deve muito à liberdade de imprensa e de expressão, imprensa boa é a que fala bem. Jornalismo que apura e opina com isenção incomoda e deve ser extirpado

*Carlos Alberto Di Franco – O Estado de S.Paulo

Em 1964, sob o pretexto de preservar a democracia ameaçada por um presidente da República manipulado pelo radicalismo das esquerdas, os militares tomaram o poder. E o que se anunciava como intervenção transitória, com ânimo de devolver o poder aos civis, se transformou no pesadelo da ditadura. A imprensa foi amordaçada. Lideranças foram suprimidas. Muitas injustiças foram cometidas em nome da democracia.

O que se viu no transe da ditadura foi o germinar de duas tendências opostas: liberdade x autoritarismo. Os democratas, como Tancredo Neves e Ulysses Guimarães, entre outros, partiram para a luta contra a ditadura, mas sempre apontando para o horizonte de um regime aberto. Outros, como Dilma Rousseff e Franklin Martins, partiram para a clandestinidade. Passaram-se muitos anos. A guerrilha foi substituída pelos ensinamentos de Gramsci, pela força do marketing político e pela manipulação populista das massas desvalidas. Mas a alma continua a mesma: autoritária. A hipótese de estarmos caminhando para uma eventual alternância de poder, normal em qualquer democracia, vem provocando visível radicalização em certas lideranças.

Depois de o ex-presidente Lula, armado de notável irresponsabilidade, ter proclamado que o inaceitável episódio das ofensas dirigidas à presidente Dilma no jogo de abertura da Copa do Mundo fora obra da elite, seu braço direito e companheiro de longa data, o ministro Gilberto Carvalho, manifestou opinião divergente: "Lá no Itaquerão não tinha só elite branca, não! (…) Tinha muito moleque gritando palavrão dentro do metrô que não tinha a ver com elite branca". Divergência só aparente. O denominador comum revela a estratégia: "A coisa desceu! Tá? (…) Esse cacete diário de que não enfrentamos a corrupção, que aparelhamos o Estado, que somos um bando de aventureiros que veio aqui para se locupletar, essa história pegou! Na classe média, na elite da classe média e vai gotejando, vai descendo! (…) Essa eleição agora vai ser a mais difícil de todas".

Não foi uma autocrítica nem um reconhecimento claro dos equívocos. Foi a tática da vitimização e, ao mesmo tempo, a busca de um bode expiatório. A culpa é da "mídia conservadora e hegemônica". Trata-se, desesperadamente, de construir uma narrativa que sirva para desviar a atenção dos problemas concretos. Da economia que range. Da inflação que se percebe em cada nova compra. Da falta de saúde que grita nos corredores dos hospitais públicos. Da péssima educação que gera frustração enfurecida nos jovens. Da corrupção que se torna patente em cada novo capítulo da novela da Petrobrás.

Lula manifesta crescente irritação com o trabalho da imprensa independente. Seus sucessivos e reiterados ataques à mídia, balanceados com declarações formais de adesão à democracia, não conseguem mais esconder a verdadeira face dos que, mesmo legitimados pela força do processo eleitoral, querem tudo, menos democracia. Para Lula, um político que deve muito à liberdade de imprensa e de expressão, imprensa boa é a que fala bem. Jornalismo que apura e opina com isenção incomoda e deve ser extirpado.

Na verdade, cabe à mídia papel fundamental na salvaguarda da democracia. O ex-presidente da República, seu partido e sua candidata, independentemente das declarações de ocasião em favor da liberdade de expressão, resistem ao contraditório e manifestam desagrado com o exercício normal das liberdades públicas. Não tenhamos receio das renovadas tentativas de atribuir à imprensa falsos propósitos golpistas. Trata-se de síndrome persecutória, uma patologia política bem conhecida no mundo político.

A biografia de Luiz Inácio Lula da Silva foi construída graças aos seus méritos pessoais e aos amplos espaços que a democracia oferece a todos os cidadãos. Mas o poder fascina e confunde. E os bajuladores, de ontem, de hoje e de sempre, são o veneno da democracia. Preocupa, e muito, o entusiasmo de Lula, da presidente Dilma e de seu partido com modelos políticos capitaneados por caudilhos. Cuba e Venezuela, ditaduras cruéis e antediluvianas, são o modelo concreto da utopia petista.

Como já escrevi neste espaço opinativo, não é de hoje a fina sintonia do petismo com governos autoritários. O Foro de São Paulo, entidade fundada por Lula e Fidel Castro, entre outros, cujas atas podem ser acessadas na internet, mostra que não há acasos. Assiste-se, de fato, a um processo articulado de socialização do continente de matriz autoritária. E o ex-presidente é um dos líderes, talvez o mais expressivo, dessa progressiva estratégia de estrangulamento das liberdades públicas. A fórmula Lulinha e Dilminha "paz e amor" acabou. Agora, com o Estado aparelhado, o Congresso ameaçado pelo decreto de Dilma que inaugura a governança via conselhos, obviamente controlados pelo governo, e a imprensa fustigada, o lulismo mostra sua verdadeira cara: o rosto do caudilhismo.

Cabe à imprensa, num momento grave da história da democracia, denunciar a tirania que vem por aí. É preciso mostrar as estratégias gramscianas de tomada do poder. E o melhor modo de fazer o contraponto, urgente e necessário, é sair da armadilha da radicalização e fomentar a discussão das políticas públicas. Vamos romper a embalagem do marketing político e da propaganda avassaladora. Vamos contrastar o discurso oficial com a realidade concreta. Os protestos crescentes, alguns francamente impróprios e deselegantes, enviam recados muito claros: o povo flagra a mentira no emagrecimento do seu poder de compra, nas filas do SUS, na frustração de uma educação que não forma gente preparada para a vida. A sociedade está perfilando a verdadeira e correta agenda eleitoral.

*Doutor em Comunicação pela Universidade de Navarra, é diretor do Departamento de Comunicação do Instituto Internacional de Ciências (IICS)

A união contra o ódio

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Lula mostra-se incapaz de produzir uma mensagem construtiva, uma palavra em favor de uma concertação nacional. Sua lógica sempre é a do sectarismo

Há duas forças políticas em disputa hoje no país. Uma prega o ódio; a outra defende a união. Uma quer dividir os brasileiros; a outra busca uma nação que seja melhor para todos, indistintamente.

Inverter estes papéis é a estratégia de quem sempre apostou num Brasil conflagrado e, quando colhe o que planta cotidianamente, age como o batedor de carteira que, apanhado, grita “pega ladrão”.

Quem, mais que o PT, vem insuflando o ódio e tentando, com seu discurso sectário, dividir o país entre pobres e ricos, entre brancos e negros, entre elite e miseráveis? Não há cargo nem liturgia que impeçam seus próceres de exercitar sua retórica da intransigência, onde quer que a oportunidade surja.

Os petistas usam todos os meios à mão, lícitos e, principalmente, ilícitos, para propagar sua ode à divisão do país. Quem não está a favor do governo é tachado de “pessimista”, de “perdedor”, de antipatriótico. Não apenas nos palanques, mas também em solenidades oficiais. Cadeias de rádio e televisão tornaram-se tribuna de honra para ataques partidários.

Os líderes petistas aproveitam todos os espaços disponíveis — e subvertem os que não deveriam estar disponíveis — para constranger adversários, sempre classificando-os como espécies de vendilhões da pátria, traidores da nação, feitores do povo. Quem não está conosco está contra nós — é esta a mensagem sempre veiculada pelos porta-vozes do PT.

Que militantes sectários ajam assim, até vá lá. Mas a coisa muda muito de figura quando até a presidente da República não se furta a desrespeitar quem pode interpor-se ao projeto de poder total de seu partido. Foi o que fez Dilma Rousseff ontem ao atacar um governador de Estado em mensagem gravada a petistas no lançamento de seu candidato ao governo de São Paulo.

É assim que o PT faz política: atacando, achincalhando, desrespeitando. Quando tomam apupos como respostas, posam de vestais. As vaias e os xingamentos são difusos, partem de gente insatisfeita com o governo, ainda que com maus modos. São uma réplica à forma de governar de um partido e não agressão a uma mulher.

A retórica agressiva do PT, em contrapartida, é parte essencial de sua estratégia política, espinha dorsal de sua lógica de comunicação. Tanto que partiu de seu marqueteiro, o 40° ministro da República, João Santana, a comparação dos adversários de Dilma a “uma antropofagia de anões, (que) vão se comer, lá embaixo”. Se nove meses atrás a ordem unida já era esta, imagina agora depois da Copa…

O mago das campanhas eleitorais petistas dá a nota, mas quem executa a sinfonia de diatribes é Luiz Inácio Lula da Silva. A cada vez que lhe abrem os microfones para falar, o ex-presidente mostra-se incapaz de produzir uma mensagem construtiva, uma palavra em favor de uma concertação nacional. Sua lógica sempre é a do sectarismo.

À guisa de “responder” a investida da oposição, o petista exercitou ontem, mais uma vez, sua pregação do ódio. Mais uma vez, apostou na divisão da sociedade. Mais uma vez, lançou mão de manipulações da história e da reescrita do passado. É assim, e só assim, que o PT busca conseguir seus triunfos.

Os brasileiros de bem não suportam mais a maneira conflituosa de fazer política que o PT pratica. Os brasileiros de bem querem, isso sim, a reconquista da união e da civilidade. A mesma união que fez o país superar a truculência política, a instabilidade econômica, o atraso social. A união que, nas últimas três décadas, construiu a nação que hoje somos. O Brasil é de todos os brasileiros e não de uma facção que dele considera ter se apossado.

Instituto Teotônio Vilela

Petralha pilantra, Dilma manda esvaziar reunião da OEA sobre Venezuela

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Uma vergonha para o Brasil que corre o mundo

O Brasil aliou-se ontem a países como Bolívia, Equador e Nicarágua para evitar que a OEA (Organização dos Estados Americanos) convocasse seus chanceleres e enviasse uma missão a Caracas para discutir a crise na Venezuela, que já fez 20 mortos.

Conforme a Folha apurou, o Planalto e o Itamaraty avaliam que essas medidas só contribuiriam para acirrar as tensões internas. Ao excluir a OEA das negociações, o Brasil e os principais aliados de Nicolás Maduro visaram evitar a participação dos EUA, que são o maior adversário do regime do presidente venezuelano.

Sem a OEA, cuja reunião começou na anteontem e se estendia até a noite de ontem, foi aberta a porta para que os doze chanceleres da Unasul (União de Nações Sul-Americanas) fossem convidados ontem mesmo para uma reunião na próxima quarta-feira, em Santiago, para discutir a Venezuela sem a presença americana.

Ao contrário da dividida OEA, a Unasul tende a ser bem mais condescendente e formalizar uma posição muito mais amigável em relação ao governo Maduro e mais crítica aos manifestantes. A cidade de Santiago foi escolhida pela circunstância da posse de Michelle Bachelet na Presidência do Chile — que ela já havia ocupado antes.

A ideia inicial de uma reunião de presidentes foi descartada, conforme o Itamaraty, porque o Chile alegou dificuldades logísticas para um evento desse porte em cima da hora. A posse de Bachelet será na terça, dia 11, e a reunião de chanceleres da Unasul, no dia seguinte. Esta só não ocorrerá no caso de não haver quórum suficiente, ou seja, se boa parte dos chanceleres não puder ou não quiser participar. A presidente Dilma Rousseff irá à posse de Bachelet, enquanto o ministro das Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo, confirmou a viagem ao Chile para a reunião de chanceleres.

A posição brasileira pró-Maduro na OEA e a ida de Dilma e Figueiredo foram precedidas pela viagem do assessor internacional da Presidência, Marco Aurélio Garcia, a Caracas, onde teve encontros com autoridades do governo venezuelano.

Além do chanceler da Venezuela, Elías Jaua, que passou por Brasília antes do Carnaval, num giro para pedir apoio dos países sul-americanos, um outro interlocutor preferencial do Brasil é Maximilien Arveláiz, que já foi embaixador em Brasília e acaba de ser designado por Maduro para Washington, com a missão de tentar normalizar as relações da Venezuela com Estados Unidos.

Num palco muito mais favorável a Maduro, a expectativa é de que a reunião de chanceleres da Unasul se transforme num ato de apoio ao governo venezuelano.

Folha OInline

General venezuelano de metralhadora em punho defende sua casa da invasão dos esbirros da ditadura comunista do tiranete Nicolás Maduro

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General Ángel Vivas, armado, discursa do terraço de sua casa

O tiranete Nicolás Maduro mandou um batalhão de soltados e terroristas cubanos para prender o General Ángel Vivas que resiste bravamente de arma em punho e com apoio da população que rechaça os comunistas

O general venezuelano Angel Vivas está resistindo de metralhadora em punho a tentativa da polícia de tiranete comunista Nicolás Maduro de invadir a sua casa. Esse general foi reformado porque não quis se submeter ao controle militar da ditadura de Fidel e Raúl Castro.

Maduro mandou seus bate-paus vasculhar a casa do general e prendê-lo. Entretanto, encontraram o militar com uma metralhadora em punho que até há pouco impedia o avanço da Guarda Bolivariana e de milícias armadas, os chamados ‘coletivos’ comunistas, uma espécie de MST do PT.

As fotos mostram o general Vivas e, abaixo, seus vizinhos de bairro que se aglomeram perto da residência do militar. Os vizinhos de Ángel Vivas também se encarregaram de montar barricadas para impedir o avanço dos assassinos comunistas fardados.

Certamente, esta matéria não estará no Fantástico da Rede Globo e em nenhum outro veículo da grande mídia brasileira, toda ela sob o controle dos comunistas do PT.

O tiranete Nicolás Maduro mandou um batalhão de soltados e terroristas cubanos para prender o General Ángel Vivas que resiste bravamente de arma em punho e com apoio da população que rechaça os comunistas

Blog do Aluízio Amorim

Written by Abobado

fevereiro 23rd, 2014 at 8:06 pm

A era do rebelde chapa-branca

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Lobão*

Vivemos um momento histórico de uma vulgaridade, obscurantismo e insipidez sem precedentes que, por várias razões entrelaçadas, propiciou a eclosão de um personagem patético, insólito, abundante e que ficará marcado como a expressão máxima deste triste período: o rebelde chapa-branca.

Sim! É ele o protagonista em todas as rodinhas, redes sociais, botequins, universidades e passeatas. Revela-se por duas características inseparáveis: é revoltado contra o sistema e, ao mesmo tempo, chancelado por ele. Vamos a alguns exemplos.

O MST é subvencionado pelo governo, tem o respaldo do governo e, no entanto, não para de reclamar, invadir e destruir terras produtivas. No rap, há um sem-número de rebeldes chapa-branca, mas seu ícone são os Racionais. Fazem campanha para o governo, sobem nos palanques, têm o beneplácito da mídia oficial bancada pelo governo e, mesmo assim, são revoltadíssimos contra o sistema! No seu último videoclipe, Marighella, eles aparecem prontos para assaltar a Rádio Nacional, numa reconstituição de época, exibindo inúmeros trabucos de grosso calibre e conclamando à luta armada, incorporando aquela mímica marrenta um tanto canastrona que lhes é peculiar.

O detalhe é que eles estão no poder. Eles são o poder. Eles são a situação.

No aniversário da morte do nosso Che Guevara tupiniquim, a Comissão da Verdade comemorou a data com solenidade e deferência. Marighella pode ter arrancado a perna de uns, matado outros e lutado para implementar uma ditadura sanguinolenta no Brasil, mas os rebeldes chapa-branca chancelam a festa, impõem a farsa com mão de ferro e ai de quem piar.

Na semana passada, o tal Procure Saber implodiu com a defecção do rei [Roberto Carlos], deixando desnorteados Caetano Veloso, Gilberto Gil e Chico Buarque — rebeldes chapa-branca de longa data. O Gil acabou no comando do Ministério da Cultura, onde foi aninhando sua cria, o Fora do Eixo, que tem como ponta de lança Pablo Capilé, um rapaz que afirma ser contra o direito autoral, contra o autor, contra o livro e é pupilo de Zé Dirceu. Tira dos artistas para entregar de mão beijada aos magnatas das redes sociais como o Google, o YouTube e o Facebook. Isso porque não estamos ainda perguntando para onde foi toda a grana que ele recebeu através das leis de incentivo à cultura. É um típico rebelde chapa-branca. Mas o Caetano acha “muderno” esse retrocesso estúpido e desonesto. O Chico, lá da França, assina carta de apoio ao Genoíno. São os nossos coronéis chapa-branca solando de cavaquinho.

Temos de ressaltar também a performance fulminante da presidente do Procure Saber, esta sim uma rottweiler de incontestável pedigree, Paula Lavigne. Descontrolada, vem cometendo lambança atrás de lambança, incluindo um ataque covarde à colunista da Folha de S.Paulo Mônica Bergamo. E o que dizer de sua performance no Saia Justa com a [jornalista] Barbara Gancia? Há um mês, ela invadiu o meu Twitter, acompanhada por uma centena de integrantes da seita black bloc, me chamando de nazista, ex-músico, ex-Lobão, amante da ditadura, decadente (tem gente me chamando de decadente há uns trinta anos). Depois de algumas trocas de gentilezas, fui obrigado a bloqueá-la.

Uma das características dos rebeldes chapa-branca é o uso da técnica do espantalho: criam uma figura caricatural, colocam frases fora de contexto (quando não inventadas) em sua boca e tentam fazer acreditar que essa figura patética é você! Um vodu de psicopata.

Uma jornalista chapa-branca de uma revista bancada pelo governo declarou, num momento de búdica inspiração, que é a favor de fuzilamento para determinados casos (quais seriam?). É o tipo de comportamento visto com simpatia e condescendência pelo rebelde chapa-branca, pois a visão assimétrica do mundo, com um peso para duas medidas, é outra marca registrada dele.

Estou inaugurando com muito orgulho e entusiasmo minha coluna em VEJA. Não é fortuito o nosso encontro, assim como não é por acaso que se percebe a sociedade civil começando a se organizar para repensar a nossa condição atual. Tentarei tratar dessa miséria que nos assola como se estivesse praticando um novo esporte: épater la gauche. Essa turma está imprimindo o ridículo em sua própria história. E desse vexame não escapará.

*Cantor e compositor, na Veja.com

Pelo menos isso – Justiça decide manter preso suspeito de agredir coronel durante ato em SP

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Bandido perigoso: De óculos, Paulo Henrique Santiago dos Santos é transferido para CDP do Belém; ele nega agressão contra o coronel da PM

O Tribunal de Justiça de São Paulo decidiu nesta quarta-feira manter a prisão preventiva do estudante e comerciário Paulo Henrique Santiago dos Santos, 22. Ele foi preso sob suspeita de tentativa de homicídio contra o coronel da PM Reynaldo Simões Rossi, espancado por um grupo de dez manifestantes que participavam de protesto do MPL (Movimento Passe Livre) na sexta-feira (25).

Na decisão, o juiz Alberto Anderson Filho, da Primeira Vara do Tribunal do Júri de São Paulo, disse que "o fato de o indiciado ser primário, estar cursando universidade, e ter respaldo familiar, não o afastou da participação em baderna na via pública".

Santos foi transferido do 2º DP (Bom Retiro) para o CDP (Centro de Detenção Provisória) Belém, na zona leste da cidade, na manhã de ontem. O advogado do universitário, Guilherme Braga, afirmou no domingo (27) que não existe "nenhum indício de que o jovem tenha encostado" no coronel da PM.

Ao ser espancado, o coronel teve fratura na omoplata, além de cortes nas pernas e na cabeça. A maior parte dos agressores flagrados em fotos e vídeos estavam mascarados. Souza é o único preso até o momento pelo crime.

"Em nenhum momento ele aparece agredindo nas fotos. O bolo da agressão estava no meio da manifestação então tinha um monte de gente por perto então no quadro das imagens aparece o rosto dele. E com isso, a polícia identificou ele como agressor. Mas em nenhum momento, aparece ele agredindo", disse o defensor. Segundo ele, as fotos mostram o jovem apenas perto do coronel.

Santos estuda relações internacionais na Faculdade Santa Marcelina e trabalha em uma empresa da região de Perdizes (zona oeste).

Em entrevista à Folha, o coronel agredido disse que a corporação não vai mudar a forma de atuar nos protestos por um oficial ter sido ferido.

Folha Online

Afronta ao Estado

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Os cidadãos de bem, aqueles que confiam no Estado e em suas instituições, estão a exigir que os responsáveis pela manutenção da ordem pública não mais se intimidem ante um punhado de delinquentes travestidos de "ativistas"

Os golpes desferidos pelos "black blocs" contra um coronel da Polícia Militar, na noite da última sexta-feira (26/10) em São Paulo, atingiram não apenas a pessoa do oficial, mas o próprio Estado. É este que, ante a hesitação de seus agentes, está à mercê desses criminosos fascistoides, que estão cada vez mais à vontade para cometer seus crimes e atentar contra a ordem.

O coronel Reynaldo Simões Rossi foi espancado por cerca de dez mascarados, durante protesto organizado pelo Movimento Passe Livre (MPL) no Parque Dom Pedro II, centro da capital. Chefe do Comando de Policiamento da Área Metropolitana, Rossi foi cercado pelos baderneiros no momento em que parte dos manifestantes começava a depredar um terminal de ônibus, seguindo o roteiro de vandalismo já bastante conhecido na cidade.

Após levar socos e pontapés até ser derrubado, Rossi tentou se levantar, mas então foi atingido na cabeça por uma placa de ferro. Roubaram-lhe a arma e um rádio. Com as duas escápulas fraturadas e ferimentos nas pernas, no abdome e na cabeça, o coronel foi socorrido por um policial à paisana. Ao ser levado para o hospital, Rossi ainda teve tempo de pedir a seus comandados que não exagerassem na reação: "Segura a tropa, não deixa a tropa perder a cabeça".

Foi um apelo de alguém consciente de que o monopólio da força legítima, que está nas mãos do Estado, não pode ser usado sem limites. Mesmo em meio a uma situação de clara covardia desses criminosos que estão todos os dias a aterrorizar a cidade, é preciso agir dentro da lei. Mas é preciso agir, sob pena de cristalizar uma imagem de impotência, que só encoraja mais violência.

Os ataques contra policiais cometidos por esses bandidos infiltrados em manifestações têm sido sistemáticos. Segundo o coronel Rossi, nada menos que 70 PMs já foram feridos durante protestos neste ano.

O caso mais dramático até agora havia sido o do PM Wanderlei Paulo Vignoli, que quase foi linchado ao tentar impedir que um manifestante pichasse a parede do Tribunal de Justiça, na Praça da Sé, durante um dos protestos de junho. Ouviu gritos de "lincha, mata". Ele só escapou porque apontou a arma para os agressores, mas a imagem desse policial acuado e de rosto ensanguentado mostrou que a violência de alguns manifestantes extrapolava o mero vandalismo. O espancamento do coronel Rossi só reafirmou a índole criminosa dessa militância mascarada, para a qual a violência é um fim em si mesma.

Os manifestantes que permitem a infiltração desses vândalos em seus protestos e que não os repudiam são cúmplices de seus atos. Em nota, o MPL condenou a agressão a Rossi, mas praticamente a justificou, ao citar abusos cometidos por policiais contra manifestantes em outras ocasiões.

O vale-tudo ficou ainda mais claro quando o MPL aplaudiu a destruição causada no terminal de ônibus do Parque Dom Pedro II — foram depredados dez ônibus e várias catracas, além de orelhões e caixas eletrônicos. "Entramos no maior terminal de ônibus da América Latina para realizar na prática a tarifa zero", orgulhou-se o MPL. "A revolta que destruiu as catracas nessa sexta-feira foi acesa pela violência cotidiana do transporte coletivo. E continuaremos lutando pela destruição de todas as catracas."

Essas palavras mostram que o movimento deixou de ser pacífico, como pretendia no início das manifestações. A ameaça de violência é agora clara e permanente. O desafio a tudo o que se interpõe no caminho dos vândalos — sejam catracas, sejam policiais — denuncia o falso caráter moderado dos líderes desse movimento.

Os cidadãos de bem, aqueles que confiam no Estado e em suas instituições, estão a exigir que os responsáveis pela manutenção da ordem pública não mais se intimidem ante um punhado de delinquentes travestidos de "ativistas". E aqueles que saem às ruas para exercer seu legítimo direito de protestar devem imediata e indubitavelmente se dissociar dos criminosos, sob o risco de com eles se confundirem. Como disse o coronel ferido, "o silêncio dos bons é muito pior do que o ruído dos maus".

Editorial do Estadão

Bandido de 22 anos é preso por tentar matar coronel durante ato em SP

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Criminoso deverá ser indiciado por tentativa de homicídio doloso e formação de bando e quadrilha. Cinco pessoas, incluindo o agressor, devem ser levadas a Centro de Detenção Provisória

Assistam cenas da horda atacando covardemente o policial

Criminosos travestidos de manifestantes agridem violentamente coronel da PM na noite de sexta-feira (25) em São Paulo

Um comerciário de 22 anos, morador de Perdizes, na Zona Oeste de São Paulo, foi preso e acusado de participar das agressões ao coronel da Polícia Militar Reynaldo Simões Rossi, que teve a clavícula quebrada ao ser agredido por encapuzados durante manifestação realizada pelo Movimento Passe Livre (MPL), para reivindicar tarifa zero no transporte público. O jovem será indiciado por tentativa de homicídio doloso e formação de bando e quadrilha. Outras quatro pessoas também foram detidas e estão no distrito policial, de onde serão levadas para um Centro de Detenção Provisória. No total, 92 pessoas foram detidas durante a manifestação, devido às depredações.

O coronel teve escoriações na cabeça e na face. Durante as agressões, teve a arma e o rádio-comunicador roubados. A arma foi recuperada por um policial, mas o rádio comunicador não. Rossi foi encaminhado ao hospital e passa bem. Já machucado, ele pediu à tropa que fosse com calma, "sem perder a cabeça".

Por volta de 15 horas, a PM já registrava a presença de mascarados no ato, que tinha cerca de 200 pessoas. Pelo twitter, a PM afirmou: "200 pessoas ligadas ao Movimento Passe Livre estão na Praça Ramos. Pelo menos 35 black blocs acompanham o ato." Uma hora antes, às 14h, a PM informara pelo twitter que cerca de 600 manifestantes, entre eles 100 black blocs, já se deslocavam da Praça Ramos para o Largo São Francisco.

O ato do MPL começou na Praça Ramos de Azevedo, em frente ao Teatro Municipal, e se deslocou para a Praça da Sé. Os manifestantes carregavam cartazes com as inscrições: “Por uma vida sem Catracas” e “Violência é a Tarifa”. Ao todo, cerca de duas mil pessoas participaram do ato, que a esta altura já incluía protestos contra a violência policial e os governadores do Rio e de São Paulo. Ao chegarem ao terminal, um grupo fez barricada para impedir a ação das forças policiais.

Os passageiros acabaram no meio da violência. Um ônibus foi incendiado, catracas foram quebradas e até mesmo os vidros blindados dos guichês foram estilhaçados. A área mais destruída foi a dos caixas eletrônicos: 18 equipamentos foram destruídos — um deles foi incendiado. Um dos guichês de venda de passagens foi roubado. O equipamento que controla o semáforo para saída de ônibus foi totalmente destruído. Uma loja de recarga de aparelhos celulares foi saqueada. A Subprefeitura da Sé, que fica na região, também foi alvo de depredações.

O governador Geraldo Alckmin visitou o Terminal Parque Dom Pedro para ver de perto os estragos, mas não falou com a imprensa. À tarde, no município de Buri, o governador afirmou que a polícia segue trabalhando para identificar os que participaram de depredações. Imagens gravadas por câmeras de segurança do terminal serão usadas.

Quando começou o tumulto, as ações não foram contidas imediatamente pela Polícia Militar (PM). Algum tempo depois, para dispersar os manifestantes, os policiais dispararam bombas de efeito moral e de gás lacrimogêneo. Depois de depredar o terminal, o grupo saiu em caminhada por ruas do centro. Quatro bancos foram depredados apenas na Rua Boa Vista: Safra, Itaú, HSBC e Santander. A polícia voltou a usar bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha para dispersar os manifestantes na Praça da Sé, por volta das 21h.

Desde junho, quando conseguiu a revogação do aumento da tarifa do transporte público, o MPL não convocava atos na capital paulista. Desde segunda-feira, o MPL realizou atos na Estrada do M’Boi Mirim, no Grajaú e no Campo Limpo e reuniu milhares de moradores dessas regiões insatisfeitos com os serviços público de transporte em São Paulo.

O Globo Online

Para Aécio Neves, objetivo maior é juntar forças para encerrar ‘o ciclo perverso’ do PT

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De Nova Iorque, o tucano disse estar "gostando do jogo", apesar de achar que o PSDB tem as melhores propostas

“Papo reto? Eu e ninguém esperávamos essa reviravolta”. Assim o presidente do PSDB e presidenciável, Aécio Neves(MG), reagiu ao anúncio da criação da chapa Eduardo Campos (PSB) e Marina Silva (Rede). De Nova Iorque, onde participa de um seminário com investidores estrangeiros, Aécio disse estar "gostando do jogo" e que, apesar de achar que o PSDB tem as melhores propostas e melhores palanques, ele tem que torcer para fortalecer a oposição para chegar lá na frente.

— Acho a novidade extremamente positiva. Quem comemorou a derrota da não criação da Rede é que tem que se preocupar. Cada vez mais as oposições colocam como objetivo maior se unir para encerrar o ciclo perverso do PT no Governo. Nós nos aproximamos nesse propósito do antagonismo a esse modelo que está aí — comentou Aécio Neves.

No PSDB, a avaliação é que, com a nova chapa, os quase 20 milhões de votos do capital eleitoral de Marina ficam na oposição, e não vai se dividir, como aconteceu em 2010, no segundo turno das eleições, onde seus votos foram para Dilma Rousseff e José Serra.

— Marina não sair e os votos dela migrarem para Dilma seria o pior dos mundos — disse um tucano do entorno de Aécio.

Na avaliação do próprio Aécio, com essa coligação, os votos ficam "do lado de cá " da oposição.

Outra avaliação é que, frustrado, o presidente do PPS, Roberto Freire, poderá voltar a se aproximar do PSDB, com quem tem coligações em vários estados para a eleição proporcional. Aécio vai procurar Freire assim que retornar ao Brasil. Os tucanos consideram que, num primeiro momento, Eduardo Campos vai faturar com a aliança com Marina, mas a médio prazo, será muito pressionado se não crescer nas pesquisas de intenção de votos e Marina continuar num patamar muito alto. Se isso acontecer, avaliam, as cobranças serão fortes para que Marina, e não ele, seja o candidato a presidente.

Em nota, a presidência do PSDB, que tem Aécio à frente, disse considerar que a decisão da ex-senadora de se manter em condições de participar das eleições de 2014, filiando-se ao PSB, “é importante conquista do Brasil democrático”. “É também uma reposta às ações autoritárias do PT, especialmente aos membros do partido que chegaram a comemorar antecipadamente a exclusão da ex-senadora do quadro eleitoral do próximo ano, com a impossibilidade de criação da Rede”, segue a nota.

O PSDB afirmou, ainda, acreditar que a presença de Marina Silva no pleito “fortalece o campo político das oposições e contribui para o debate de ideias e propostas”.

O Globo Online

As palavras e as coisas

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José Serra

Existe o mundo das palavras e existe o mundo das coisas. Nunca coincidem perfeitamente, pois as palavras se referem à experiência, mas não são elas próprias aquilo que experimentamos. Parte da angústia humana, e também da beleza de viver, decorre do esforço que fazemos com as palavras para que exprimam, com a menor perda possível, o que vivemos e sentimos.

Mas o mundo das palavras não existe para trair o das coisas. Na política, o desejável é que o discurso e a vida estejam muito próximos. Ainda que essa atividade compreenda também a dimensão da utopia, dos desejos, do "dever ser", os amanhãs sorridentes com que os políticos costumam acenar não podem ser apenas instrumentos para o engodo e a trapaça.

Olhemos o Brasil. É chegada a hora de usar as palavras certas e ajustá-las à realidade. Em seguida, e entre aspas, vou exercitar um manifesto que, a meu ver, deve ser palavra encarnada.

O Brasil quer mudar. Mudar para crescer, incluir, pacificar. Mudar para conquistar o desenvolvimento econômico que hoje não temos e a justiça social que tanto almejamos. Há em nosso país uma poderosa vontade popular de encerrar o atual ciclo econômico e político. Se, em algum momento, o atual modelo conseguiu despertar esperanças de progresso econômico e social, hoje a decepção com os seus resultados é enorme. O povo brasileiro faz o balanço e verifica que as promessas fundamentais foram descumpridas, e as esperanças, frustradas.

Nosso povo constata com pesar e indignação que a economia não cresceu e está muito mais vulnerável, a soberania do país ficou em grande parte comprometida, a corrupção continua alta, e, principalmente, a crise social e a insegurança tornaram-se assustadoras. O sentimento predominante em todas as classes e em todas as regiões é o de que o atual modelo esgotou-se. Por isso, o país não pode insistir nesse caminho, sob pena de ficar numa estagnação crônica ou até mesmo de sofrer, mais cedo ou mais tarde, um colapso econômico, social e moral.

A sociedade está convencida de que o Brasil continua vulnerável e de que a verdadeira estabilidade precisa ser construída por meio de corajosas e cuidadosas mudanças que os responsáveis pelo atual modelo não querem absolutamente fazer.

O povo brasileiro quer abrir o caminho de combinar o incremento da atividade econômica com políticas sociais consistentes e criativas. O caminho das reformas estruturais que de fato democratizem e modernizem o país, tornando-o mais justo, eficiente e, ao mesmo tempo, mais competitivo no mercado internacional.

A superação do atual modelo, reclamada enfaticamente pela sociedade, não se fará num passe de mágica, de um dia para o outro. Não há milagres na vida de um povo e de um país. Será necessária uma lúcida e criteriosa transição entre o que temos hoje e aquilo que a sociedade reivindica. O que se desfez ou se deixou de fazer não será compensado em oito dias. O novo modelo não poderá ser produto de decisões unilaterais do governo, tal como ocorre hoje, nem será implementado por decreto, de modo voluntarista. Será fruto de uma ampla negociação nacional, que deve conduzir a uma autêntica aliança pelo país, a um novo contrato social, capaz de assegurar o crescimento com estabilidade.

Que segurança o governo tem oferecido à sociedade brasileira? Tentou aproveitar-se da crise para ganhar alguns votos e, mais uma vez, desqualificar as oposições, num momento em que é necessário ter tranquilidade e compromisso com o Brasil. Como todos os brasileiros, quero a verdade completa. Acredito que o atual governo colocou o país novamente em um impasse.

Estamos conscientes da gravidade da crise econômica. Poderemos recuperar a capacidade de investimento público tão importante para alavancar o crescimento econômico. Esse é o melhor caminho para que o país recupere a liberdade de sua política econômica orientada para o desenvolvimento sustentável.

A volta do crescimento é o único remédio para impedir que se perpetue um círculo vicioso entre metas de inflação baixas, juro alto, oscilação cambial brusca e aumento da dívida pública. O atual governo estabeleceu um equilíbrio fiscal precário no país, criando dificuldades para a retomada do crescimento. Com a ausência de políticas industriais de estímulo à capacidade produtiva, o governo não trabalhou como podia para aumentar a competitividade da economia. O Brasil precisa navegar no mar aberto do desenvolvimento econômico e social.

O que leram até aqui, estou certo, lhes pareceu bom. Mas tudo o que vai entre aspas não foi escrito por mim, não. São trechos da Carta ao Povo Brasileiro, assinada pelo então candidato do PT à Presidência da República, em junho de 2002. Disputamos o segundo turno. Fui derrotado. Ganhar e perder eleições são uma rotina na vida de políticos. Grave, nestes quase 11 anos, é a derrota do Brasil.

Com a Carta os petistas quiseram demonstrar que haviam aprendido a ser também moderados. Há pelo menos um "conservadorismo virtuoso", que consiste em preservar as instituições democráticas. Esse o PT desprezou. E há o mau, o que nasce da falta de imaginação e da inépcia. O partido andou em círculos, percorrendo a mais longa distância entre dois pontos. Em certos casos foi até além, pondo o País numa espiral negativa, para baixo. Dá arrepio pensar na herança que o terceiro governo petista deixará ao Brasil.

Na política, as palavras e as coisas, como em toda experiência humana, jamais coincidirão. Sempre restarão o espaço da imaginação e o saudável esforço para alargar as fronteiras conhecidas do possível. O que é inaceitável, aí, sim, é o uso da palavra como instrumento de engodo e de trapaça. Releiam os trechos da Carta petista e olhem o Brasil. O PT usou o universo das palavras para trair o universo das coisas. Usou a política para trair a esperança e a esperança, para rebaixar a política. É o que nos mostra o confronto do mundo das palavras com o mundo das coisas.