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Âncora do SBT vai processar filósofo esquerdista vagabundo e covarde por incitação à violência

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A âncora do "Jornal do SBT", Rachel Sheherazade, acusa o professor de filosofia Paulo Ghiraldelli Jr. de ter estimulado internautas a violentá-la. Na última quinta-feira (26), no perfil de Ghiraldelli no Facebook foram escritas mensagens com votos para que a apresentadora seja estuprada. Sheherazade ameaçou processá-lo. O professor apagou as postagens e alegou ter sido vítima de hackers.

"Sr. Ghiraldelli, liberdade de expressão termina onde começam calúnia, difamação, ameaça e incitação ao crime! Vai aprender isso num tribunal!", escreveu a apresentadora no seu perfil no Twitter no dia 27.

"Quero pedir aos meus amigos do Facebook que me ajudem a denunciar esse cidadão que se diz filósofo, de nome Paulo Ghiraldelli. Se há algum representante do MP, sugiro uma ação penal por incitação a crime. por favor compartilhem esse conteúdo e o façam chegar as autoridades competentes", postou Sheherazade no Facebook.

A âncora é conhecida por seus editoriais controversos e de teor conservador à frente da bancada do SBT. Ela já criticou o Bolsa Família, defendeu o deputado e pastor Marco Feliciano (PSC-SP) e recentemente fez uma declaração sobre o esquecimento de Jesus no Natal.

Em entrevista à Folha, Ghiraldelli negou novamente ser o autor das postagens e disse que ficou surpreso com a reação da jornalista.

"Eu não tenho absolutamente nada contra aquela moça. Conheço o trabalho dela, sei quem ela é, mas jamais escrevi nenhuma frase contra ela", declarou o professor, que leciona filosofia na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) há quatro anos.

Demonstrando irritação com a polêmica e a reação do público, ele afirmou não temer um processo na Justiça. "Minha carreira de 40 anos e meus livros não valem nada? O que vale é um Twitter que nem posso comprovar se fui eu que escrevi ou não? Se eu for processado, vou lá no tribunal, respondo. Se for condenado, pago uma cesta básica e pronto. Não vai acontecer absolutamente nada. É o milésimo processo que eu vou tomar", disse.

Ghiraldelli, que diz ter mais de 30 livros publicados na área de filosofia e educação e se apresenta como um defensor convicto das "minorias", afirma que as postagens não condizem com seu pensamento. Ele também negou ser o autor de outras postagens antigas ironizando Sheherazade, encontradas em suas contas no Twitter e Facebook.

Nas publicações, Paulo se refere várias vezes à apresentadora como "Rachel Sherazedo". Uma das postagens traz inclusive uma foto da âncora, em forma de "meme", acompanhada da legenda: "braço de Feliciano na TV".

"Quando recebi o recado dela no Twitter, duvidei que era ela de verdade. Sou um simples professor de filosofia, um coitado, completamente desconhecido do mundo. E de repente uma jornalista da televisão querendo me caçar? A maneira com que ela me abordou não foi normal" defendeu-se, acrescentando que jamais faria piadas com conteúdo violento.

"Eu não gosto desse tipo de brincadeira [sobre estupro]. Não é do meu feitio. Embora não ache que se deve censurar humorista, caçar gente por aí", explicou. Mesmo negando ser o autor de todas as postagens contra Sheherazade, Ghiraldelli lançou mão de outro argumento para se defender. Ele disse que não há lei que possa incriminá-lo por desejar o mal de alguém.

"Vamos supor que tivesse sido eu. Primeiro que não tem o nome dela. E ainda que ela vista a carapuça, nada me impede legalmente de desejar mal a uma pessoa. Jogar praga não é crime", defendeu-se.

Após a primeira ameaça de processo, o professor pediu desculpas à apresentadora, mesmo negando ter sido o autor dos posts. Sobre o pedido de desculpas, ele explicou que se sente responsável, assim como "quem é dono do carro e o carro bate".

"Já pedi desculpa, se ela aceitar ou não, problema dela. Fiquei contente porque apareci bastante, vou vender mais meus livrinhos", ironizou.

Procurada pela reportagem, a apresentadora Rachel Sheherazade não foi localizada.

Universidade

Essa não é a primeira vez que Paulo Ghiraldelli se envolve em polêmicas. Em novembro desse ano, ele foi alvo de protestos dos alunos da universidade onde dá aula. Cerca de 30 alunos se manifestaram durante uma palestra pedindo pela demissão do professor, acusando-o de preconceito e assédio moral em sala de aula.

"Professor abusa, discrimina, dá risada, e a Universidade fica calada!", diziam os alunos. Na ocasião, A UFRRJ declarou ao jornal "O Globo" que "não tem responsabilidade pelo posicionamento individual do referido professor".

Folha Onine

Opinião do Estadão: ”Segredo” de Justiça

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altAri Pargendler, presidente do STJ: É réu em processo por crime de injúria em ação aberta por Marcos Paulo dos Santos

Desde que assumiu a presidência do Supremo Tribunal Federal (STF), há sete meses, o ministro Cezar Peluso tem invocado a tese da preservação da honra e da intimidade para justificar a adoção de medidas polêmicas, que favorecem autoridades processadas pelos mais variados motivos – de abuso de prerrogativas funcionais à corrupção, passando por peculato e estelionato. A decisão mais recente do ministro Peluso foi determinar a substituição dos nomes das autoridades pelas iniciais, nas capas dos inquéritos e dos processos que aguardam julgamento no STF. Na prática, o efeito da medida – que está em vigor desde o final de agosto – é a tramitação dos processos em caráter confidencial, uma vez que é quase impossível saber, somente pelas iniciais dos nomes, quem são as autoridades que estão sob investigação.

Até agora, esse procedimento era utilizado nas ações judiciais que tramitam com cláusula de sigilo, envolvendo crianças e adolescentes e nos casos em que há quebra de sigilo fiscal, bancário ou telefônico. Segundo o presidente do STF, as ações devem ser conduzidas “reservadamente”, uma vez que causam danos à imagem das autoridades. “A regra é essa. Não se pode fazer divulgação desnecessária”, afirmou.

altUma das pessoas favorecidas por essa medida foi o presidente do Superior Tribunal de Justiça, Ari Pargendler, que responde a um processo por crime de injúria. A ação foi aberta em outubro por um ex-estagiário da Corte, Marcos Paulo dos Santos. Ele alega ter sido agredido moralmente – e posteriormente demitido – por ter cruzado a linha amarela na fila de um caixa eletrônico do qual Pargendler retirava dinheiro.

Os advogados do ministro pediram que a ação tramitasse com cláusula de sigilo, para evitar constrangimento para o presidente de um tribunal superior. Como, por princípio, as ações judiciais são públicas, o pedido causou perplexidade no STF e foi rejeitado de modo enfático. “Nada justifica a tramitação, em regime de sigilo, de qualquer procedimento que tenha curso em juízo. Deve prevalecer a cláusula da publicidade”, disse o relator Celso de Mello, decano do STF. “É uma pretensão indevida. Será que vai haver todo esse cuidado para os cidadãos comuns? A regra é a publicidade. É preciso que haja o lançamento dos nomes por extenso para que a sociedade acompanhe o andamento dos processos “, afirmou o ministro Marco Aurélio Mello.

Por causa de iniciativas corporativas em favor de autoridades, Peluso já sofreu importantes derrotas, nos sete meses em que está à frente do STF. Em maio, no início da sessão de julgamento do ministro Paulo Medina, do STJ, que acabou condenado por envolvimento na venda de liminares a donos de máquinas caça-níqueis, Peluso propôs que a sessão fosse fechada, para preservar a imagem do réu. A proposta foi rejeitada pelo plenário.

Meses depois, Peluso se opôs à remessa para o Conselho Nacional de Justiça de processos administrativos contra magistrados. Alegando que eles não poderiam ficar expostos a constrangimentos causados pelo que chama de “divulgação desnecessária do sistema judicial”, o presidente do STF defendeu – igualmente sem sucesso – que os processos ficassem circunscritos às corregedorias dos tribunais de segunda instância, que são conhecidas por sua pouca eficiência e corporativismo. Na defesa de tratamento diferenciado para a magistratura, Peluso também já bateu boca com um integrante do CNJ, em maio – e, segundo os jornais da semana passada, estaria em rota de colisão com a ministra Eliana Calmon, que assumiu há três meses a Corregedoria Nacional de Justiça.

O que está por trás da maioria dos processos abertos contra autoridades é o interesse público. Ocultar a identidade dos acusados, sob a justificativa de que é necessário preservar sua honra e intimidade, é negar a transparência que deve prevalecer nas relações entre governantes e governados. Em casos assim, vale lembrar Louis Brandeis, um os mais importantes ministros que passaram pela Suprema Corte dos Estados Unidos: “A luz do sol é o melhor desinfetante.”

Para ver o andamento do processo em que Ari Pargendler figura como réu, clique aqui.