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Vagabundo: Palocci ajudou doadora de campanha do PT

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Reportagem de VEJA desta semana mostra que o ex-ministro teve papel central nas negociações para que Camargo Correa vendesse ao fundo de pensão Petros participação acionária na holding Itausa

Antonio Palocci deixou na semana passada o comando da Casa Civil. Caiu após as revelações sobre seu incrível salto patrimonial num curto espaço de tempo, graças ao trabalho como consultor de empresas – enquanto também detinha um mandato de deputado federal e o cargo de coordenador da campanha de Dilma Rousseff à presidência da República, em 2010.

Muito se ouviu de seus colegas de partido e aliados que a demissão do ministério põe fim ao affaire e torna desnecessária uma investigação detalhada sobre seu enriquecimento. Não é assim. Em sua edição deste fim de semana, VEJA traz duas reportagens que lançam luz sobre o mundo em que Palocci se movia.

Uma delas revela quem é o misterioso Gesmo Siqueira dos Santos, “comprador” do apartamento em que mora Antonio Palocci. Petista de carteirinha desde 1988, ele é, segundo a polícia, um “lavador de dinheiro profissional”, cuja base de atuação é Mauá – cidade do ABC paulista governada pelo PT. “O partido transformou Mauá num centro de malversações, malfeitos e maldades”, diz a reportagem.

A segunda mostra que Palocci teve papel central nas negociações para que a construtora Camargo Correa vendesse ao fundo de pensão Petros, dos funcionários da Petrobras, sua participação acionária na holding Itausa. O valor do negócio: 3 bilhões de reais. Não houve contrato formal entre a empreiteira e Palocci, até onde se sabe, nem pagamento pelo serviço.

O ex-ministro sempre negou ter sido intermediário de pleitos da Camargo Correa. Foi o que disse por escrito a VEJA quando ainda era ministro. Foi o que repetiu em entrevista ao Jornal Nacional da TV Globo.

A Camargo Correa inicialmente tentou vender suas ações da holding à Previ, o fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil. Como o negócio não se consumava, foi bater à porta da Petros. Palocci seria o aliado-chave nessa segunda aposta.

Os documentos obtidos por VEJA mostram que a busca do apoio de Palocci causou divergências entres os executivos da Camargo Correa. Um grupo insistia nas negociações com a Previ. Outro apostava numa “solução política”, baseada na proximidade com o petista influente.

Essa aposta tinha seus riscos, porque a campanha eleitoral ainda estava em curso. A vitória da chapa petista era somente uma hipótese e o poder real de Palocci num eventual governo, uma incógnita. “O fechamento do negócio dependia do resultado da eleição”, diz um executivo da construtora a VEJA.

A "solução política", no entanto, vingou. A compra das ações foi aprovada pelos quinze conselheiros da Petros no dia 5 de outubro, dois dias após o primeiro turno, e concretizada em 30 de dezembro, a dois dias da posse de Dilma Rousseff.

A Camargo Correa doou 8,5 milhões de reais ao comitê eleitoral da campanha de Dilma à Presidência da República. “Não existem provas de que o acerto com a Petros tenha sido azeitado pela doação de campanha, mas, conhecendo os mecanismos de negócios entre as grandes empreiteiras e o estado brasileiro, é lícito indagar se sem a doação o negócio sairia da mesma forma”, diz a reportagem. Veja Online

A entrevista completa de um mentiroso chamado Antonio Palocci

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1ª parte

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2ª parte

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Caso Palocci: O que ainda falta para a demissão?

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Rosto pálido, as mãos trêmulas, os lábios secos, a voz gaguejante, os pigarros interrompendo a frase como vírgulas fora de lugar, a impossibilidade de consumar o gesto de agarrar o copo d’água ─ os incontáveis sintomas de nervosismo bastariam para transformar a entrevista concedida por Antonio Palocci à TV Globo numa confissão de culpa. Mas o conteúdo foi pior que a forma: o chefe da Casa Civil não explicou nada. Enredou-se em declarações desconexas, negou-se a revelar os nomes dos clientes, confundiu-se com números e porcentagens, buscou refúgio na amnésia malandra, naufragou num palavrório tão raso que, na imagem de Nelson Rodrigues, uma formiga conseguiria atravessá-lo com água pelas canelas.

Em 17 de julho de 2005, levado às cordas pelo escândalo do mensalão, o presidente Lula fez de conta que aprendera a lição antiga como o mundo: “A desgraça da mentira é que, ao contar a primeira, você passa a vida inteira contando mentiras para justificar a primeira que você contou”, constatou numa entrevista ao Fantástico. “Trabalhar com a verdade é muito melhor”. O problema é que a verdade é incompatível com mitômanos e megalomaníacos. Portador das duas patologias, Lula seguiu contando um mentira atrás da outra. No momento, jura que o mensalão nem existiu.

Em 2006, no depoimento à Corregedoria do Senado, o caseiro Francenildo Costa repetiu, com sinceridade, a lição que Lula declamou por esperteza: “O lado mais fraco não é o do caseiro, é o da mentira”, ensinou a vítima de Palocci. “Duro é falar mentira que você tem que ficar pensando. A verdade é fácil”.  Como Lula, Palocci foi longe demais para reconciliar-se com a verdade. Vai seguir mentindo até a queda, que só falta agora ser formalizada. Se o que tem a dizer é o que disse à Globo, a presidente Dilma Rousseff tem o dever de demiti-lo imediatamente.

A farsa desta sexta-feira não pode ser repetida. O Brasil não merece ver pela segunda vez o homem que não merecia uma segunda chance protagonizando na TV o espetáculo do cinismo mal ensaiado.

Augusto Nunes

Oposição insistirá na convocação de Palocci independente de entrevista, diz líder tucano

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Senador tucano afirma que entrevista ao Jornal Nacional não é suficiente para esclarecer suspeitas de enriquecimento ilícito que recaem sobre ministro; para presidente da OAB, houve demora nas explicações

A primeira entrevista pública do ministro Antonio Palocci, prevista para ir ao ar nesta sexta-feira, no Jornal Nacional, para explicar o aumento do seu patrimônio não acalmou os ânimos da oposição. O líder do PSDB no Senado, Álvaro Dias (PR), afirmou nesta sexta que as eventuais justificativas sobre a elevação substancial do patrimônio de Palocci, não demoverá a ideia da oposição de tentar convocá-lo para dar explicações ao Congresso. Na avaliação do presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Ophir Cavalvanti, o ministro demorou para se explicar.

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Palocci vai se explicar com entrevista ao Jornal Nacional

O tucano observou que uma entrevista não esclarece a suspeita de enriquecimento ilícito. "Ele tem de ser questionado, as questões em jogo são de profundidade, não são superficiais. Ele não é um cidadão comum que pode responder somente à Justiça, ele tem que dar satisfações à sociedade. O comparecimento dele ao Congresso é indispensável", argumentou o tucano. Três requerimentos de convocação do ministro – de autoria dos senadores Dias, Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) e Demóstenes Torres (DEM-GO) – serão votados na próxima quarta-feira, 8, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. A votação dos requerimentos já foi adiada duas vezes, por entendimento entre oposição e governo. A Comissão de Agricultura da Câmara aprovou a convocação do ministro na quarta-feira, 1º, mas o presidente Marco Maia (PT-RS) sinalizou que vai anular o ato.

A oposição não tem maioria numérica na CCJ, mas espera contar com a adesão de governistas de perfil independente, como o senador Pedro Simon (PMDB-RS) – que pediu da tribuna o afastamento imediato de Palocci do governo – e o pedetista Pedro Taques (MT). Dias acrescentou que continuará trabalhando para colher assinaturas para abertura de uma CPI contra o ministro. Também afirmou que tentarão convocá-lo em outras comissões, caso saiam derrotados na CCJ.

A presidente Dilma Rousseff pediu a Antonio Palocci que desse explicações ao País sobre o aumento de seu patrimônio o mais rápido possível, não esperando pelo pronunciamento do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, sobre o assunto. A avaliação no Planalto é de que o desgaste do ministro já atingiu o governo.

OAB

Para o presidente da (OAB), Ophir Cavalvanti, Palocci deveria falar em entrevista coletiva à imprensa nacional. Pela manhã, ao participar de um encontro das seccionais da Ordem em um hotel de Belo Horizonte, Cavalcanti avaliou que a iniciativa do ministro "demorou". "Evidente que demorou, evidente que continua demorando. É necessário não só a explicação em rede nacional, é necessário que a imprensa nacional, em entrevista coletiva, possa indagar alguns aspectos ao ministro a fim de que se esclareça de uma forma bem ampla essa questão", disse o presidente da OAB.

Para Cavalcanti, o risco é de uma explicação "pela metade". "Se não acontecer isso (entrevista coletiva), a explicação ficará somente pela metade e isso, do ponto de vista ético, do ponto de vista moral, é algo que compromete a reputação do ministro." Estadão Online

Tá no sangue: Presidente da Câmara vai anular convocação de Palocci

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A votação ocorreu de forma correta, inclusive com manifestação do próprio PT

O presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), deverá anular a votação da convocação do ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, aprovada na quarta-feira, 1º, na Comissão de Agricultura da Casa. Os líderes da base estão convictos de que, após analisar as imagens e fazer uma espécie de “sindicância” sobre a reunião, Maia vai invalidar a convocação e determinar a realização de nova votação – a ideia é que isso ocorra na quarta-feira.

Para anular a convocação de Palocci, o presidente da Câmara está trabalhando em duas linhas. Ele está levando em consideração o fato de o presidente da Comissão, Lira Maia (DEM-PA), ter ensaiado um recuo momentos depois de ter proclamado o resultado. Lira chegou a propor uma nova votação, mas foi impedido pelo líder do DEM, Antonio Carlos Magalhães Neto (BA). Outro argumento se baseia na questão de ordem pedindo a anulação da votação, assinada por 30 dos 40 integrantes da Comissão de Agricultura. “É público e notório que a maioria dos deputados não aprovou o requerimento”, afirmou Maia.

Diante da provável anulação da votação, os partidos de oposição se preparam para recorrer da decisão ao Supremo Tribunal Federal (STF). “Já avisamos que, se Marco Maia anular a convocação, iremos ao Supremo para garantir o respeito à Constituição, que estipula que apenas as comissões da Casa podem deliberar sobre a convocação de ministros”, afirmou o líder do PPS, Rubens Bueno (PR). É uma forma de “colonizar” o Supremo com a crise de Palocci e prorrogar o sangramento do ministro.

Na quarta, Maia decidiu suspender a votação que aprovou a convocação de Palocci. Os aliados ficaram divididos: parte defendeu a anulação imediata da convocação e outra ala achou melhor suspender a decisão até terça-feira, quando o petista dará a palavra final sobre a ida de Palocci à Casa. “Foi um absurdo o que ocorreu na Comissão de Agricultura. Estamos confiantes de que o resultado não vai prevalecer”, disse o líder do PMDB, Henrique Eduardo Alves.

Além de tentar demonstrar que segue o regimento da Casa, Maia preferiu adiar a decisão por temer que o Supremo desse uma liminar favorável à oposição neste fim de semana. Os governistas sabem que a oposição vai recorrer ao Supremo. Por isso, o presidente da Câmara quer embasar bem sua decisão para evitar uma derrota futura na Justiça. A decisão de anular a convocação de Palocci está tomada e não será mudada, a não ser que apareça algum fato novo até terça-feira.

Explicações

O silêncio de Palocci sobre o aumento de seu patrimônio em 20 vezes nos últimos quatro anos incomoda os aliados. Por isso, a perspectiva de que o ministro faça hoje um pronunciamento sobre o caso agradou a base. “Que bom que ele fale. Quanto mais ele tratar esse assunto de forma pública, melhor”, afirmou Maia, que quarta já havia defendido que Palocci viesse a publico para dar explicações. Estadão Online

No Senado, Simon recomenda que Palocci deixe cargo

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Senador pelo PMDB acredita que o ministro sairia com “responsabilidade” se o fizesse antes de a Procuradoria apresentar parecer sobre o caso e de instalação de CPI

a tribuna, o senador Pedro Simon (PMDB/RS) pediu nesta quinta-feira, 2, ao ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, que deixe o cargo antes do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, apresentar parecer sobre o crescimento do patrimônio de Palocci e antes de confirmada a CPI que vai investigar suas atividades como consultor.

“Meu amigo, Palocci, já está ficando feio para o PT e o PMDB impedirem que Vossa Excelência venha depor no plenário ou numa comissão. Porque isso é o normal, nós estamos numa democracia”, alegou. “Por isso, ilustre ministro Palocci, a grande saída é o senhor se afastar. Neste momento, nestas circunstâncias, acho difícil que o senhor continue, acho difícil”.

Simon afirma que o governo e o partido fizeram a sua parte. “Mas esse é um assunto que a gente não esquece”, alertou. “A imprensa vai cobrando, vai cobrando, vai cobrando, até que, em determinado momento, as coisas têm de acontecer”, prevê. O senador reiterou o apelo dizendo que a saída de Palocci tem de ser rápida. “Se for possível hoje. Antes que saia a decisão do procurador-geral da República”, enfatizou.

Na sua avaliação, a história deixa hoje para o chefe da Casa Civil a possibilidade de sair temporariamente com responsabilidade. “É o mínimo que ele deve à presidente da República. É isso que ele deve fazer”, reiterou.

Simon criticou a posição do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva que, no seu governo, não hesitou em aceitar a saída de Palocci do Ministério da Fazenda, por causa da violação do sigilo bancário da conta na Caixa do caseiro Francenildo dos Santos Costa, enquanto agora age de forma contrária, trabalhando para manter o ministro na equipe de Dilma. “E por que o presidente Lula demitiu o José Dirceu? E por que o presidente Lula demitiu o Palocci no momento em que houve aquele incidente do rapazinho, vigilante da casa que ele frequentava?” questionou. “Lula demitiu porque tinha de demitir”.

Para Simon, Lula cometeu “um deslize” ao interferir no governo de Dilma, supostamente para abafar a crise provocada pelas denúncias contra o ministro Palocci. “Por isso, ilustre ministro Palocci, a grande saída é o senhor se afastar”, sugeriu. Estadão Online

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Mais um petista pede explicações a Palocci
Oposição irá ao STF para garantir convocação

Convocação de Palocci foi clara e regular; tanto é que deputado petista encaminhou o voto “não”. Se Marco Maia negá-la, estará se comportando como presidente do PT, não da câmara

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Uma reportagem publicada pelo G1 está, infelizmente, informando uma inverdade óbvia sobre a convocação do ministro Antonio Palocci pela Comissão de Agricultura da Câmara. Segundo o portal, a votação teria ocorrido em sete segundos. O texto acaba levando ao entendimento de que foi uma manobra, uma operação quase secreta para enganar os deputados. Errado!

A aferição do resultado durou sete segundos, na base do “quem concorda fique como está”. Mas sempre que se recorre a esse experiente, o tempo fica por aí. A questão é saber se a matéria votada estava ou não clara. E ESTAVA CLARÍSSIMA! A votação, que compreende a informação do conteúdo do requerimento e o encaminhamento de voto durou muito mais. O vídeo acima traz o vídeo que interessa — outros que circulam na rede cortam o essencial. Por que este é um bom vídeo?

Tanto era claro que o requerimento para a convocação de Palocci estava em votação que o deputado petista Odair Cunha (PT-MG) orienta os governistas a votar “não”. Transcrevo:

ODAIR CUNHA – Caros pares, agora, hoje, a oposição tentou convocar empresas, chamar empresa. Vai virar agora… Se aparecer alguma empresa, qualquer que seja, na Internet, dizendo que ela teve algum tipo de assessoria do ministro Palocci, essa empresa será convocada em alguma comissão aqui também. Ou seja, este clima é ruim para o país. Por isso, nós encaminhamos o voto “não”.

Entenderam, leitores? Isso que vai acima é um caminhamento de voto. O petista Cunha aproveita, como se nota, para atacar a oposição. Então lhe responde o presidente da Comissão, Lira Maia (DEM-PA):

LIRA MAIA – Deputado Odair, só para esclarecer: o requerimento solicita a convocação do ministro-chefe da Casa Civil, sr. Antonio Palocci Filho, para explicar os termos da consultoria prestada pela Projeto a empresas do ramo agroindustrial…

ODAIR CUNHA – Amanhã vai aparecer outra empresa!

LIRA MAIA – … objeto de denúncia veiculada em vários endereços eletrônicos na Rede Mundial de Computadores. Portanto, e uma competência desta comissão estar analisando esse requerimento. Vamos votar o requerimento. Senhores parlamentares que são favoráveis ao requerimento permaneçam como estão [PASSAM-SE SETE SEGUNDOS]. Aprovado o requerimento!

ATENÇÃO!
Entre as palavras “estão” e “requerimento”, passaram-se, de fato, sete segundos, tempo mais do que suficiente para se fazer uma verificação visual do resultado, procedimento regular e comum no Congresso.  Mas isso é irrelevante. O fato é que — as palavras e o vídeo o evidenciam — havia tal clareza no que estava sendo votado que um deputado petista fez encaminhamento de voto e ainda contestou uma resposta dada pelo presidente da comissão.

“Ah, mas os governistas estavam distraídos…” É mesmo? A obrigação de quem conduz o trabalho é chamar a atenção para a votação de modo inequívoco, o que Lira Maia fez. Não há lei ou regimento que diga que uma votação tem de ser refeita porque deputados estavam falando ao celular, pensando na morte da bezerra ou cuidando, sei lá, de suas respectivas “consultorias”.

A oposição diz que vai ao Supremo se Maia cancelar a convocação. E tem de ir mesmo. Tratar-se-á, nessa hipótese, de uma decisão tomada para agradar a seu partido, não para honrar a Casa que preside. Maia já se omitiu de fazer a defesa institucional da Câmara quando Candido Vaccarezza, falando em nome de Dilma, chamou de “vergonha” uma emenda que se votava ali.

A oposição tem a seu favor ESSE VÍDEO (não outros que circulam por aí, reitero) e o sentido das palavras. Palocci está convocado, e só um ato de força pode desconvocá-lo. Maia chegará a tanto?

Por Reinaldo Azevedo

Tucano vai ao MPF após CGU negar investigação contra Palocci

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O líder do PSDB na Câmara dos Deputados, Duarte Nogueira (SP), protocolou nesta quarta-feira no Ministério Público Federal uma representação contra o ministro-chefe da Controladoria-Geral da União (CGU), Jorge Hage Sobrinho. A medida é uma reação à negativa do órgão em abrir investigação para apurar o suposto enriquecimento ilícito do ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci.

Para o deputado tucano, Hage se omitiu do dever de fiscalizar possíveis atos ilícitos praticados por Palocci, o que caracterizaria improbidade administrativa. No documento, segundo o PSDB, Nogueira afirma que as informações divulgadas apontam para "indícios consistentes da prática de tráfico de influência".

Em nota divulgada na segunda-feira, a CGU afirmou que não tem poderes legais para investigar a evolução patrimonial do ministro-chefe da Casa Civil. Segundo o órgão, "não está entre as suas atribuições legais a instauração de investigação patrimonial por fatos envolvendo membros ou servidores de outros Poderes ou anteriores à nomeação no Poder Executivo Federal".

O deputado diz, no entanto, que Palocci foi oficialmente anunciado coordenador técnico do governo de transição em 3 de dezembro de 2010 [veja na imagem abaixo], "portanto está diretamente vinculado ao Poder Executivo e sujeito ao controle da controladoria".

Palocci presta esclarecimentos formais à Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre seu aumento patrimonial e a atuação da consultoria Projeto, empresa que ele comanda desde quando se desligou do governo Lula em 2006. Entre aquele ano e 2010, segundo o jornal Folha de S.Paulo, o ministro teria aumentado seu patrimônio em 20 vezes. Aos senadores petistas, Palocci disse que foi muito bem remunerado por palestras e consultorias e que não divulgaria a lista de clientes da empresa por força de uma cláusula de confidencialidade dos contratos.

Nesta quarta, a oposição conseguiu aprovar um requerimento para que Palocci preste esclarecimentos sobre o aumento do seu patrimônio na Comissão de Agricultura da Câmara. O governo reagiu e classificou a votação de "golpe da oposição". No início da noite, o presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia (PT-RS), decidiu suspender a convocação até que ele analise os vídeos produzidos na controversa sessão e converse com o presidente da comissão. Ele se pronunciará sobre o caso na próxima terça-feira. Notícias Terra

Foto principal: Antônio Cruz/Agência Brasil