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Sob o comando de Dilma, PF adiou investigação de corrupção em Abreu e Lima por três anos

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A Polícia Federal (PF) em Pernambuco manteve praticamente paralisado por três anos um inquérito aberto para apurar suspeitas de superfaturamento de R$ 1,3 bilhão nos principais contratos da refinaria Abreu e Lima, em construção em Ipojuca (PE). A investigação, instaurada em fevereiro de 2011, só foi retomada em maio deste ano, quando foram determinadas as primeiras perícias nos contratos. O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, chegou a ser oficiado para que informasse eventual “repactuação dos contratos envolvidos”, ainda no início das apurações, mas não houve resposta nem cobrança por parte da PF.

Durante a tramitação do inquérito, os investigadores ignoraram a recomendação do Ministério Público Federal (MPF) para que prosseguissem na apuração e consultaram a Justiça sobre a competência para atuar no caso, o que impediu a produção de provas num período de três anos e três meses.

Nessa período, o esquema de desvios de recursos e pagamento de propina, a partir dos contratos superfaturados de Abreu e Lima, operou sob o comando do doleiro Alberto Youssef e do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa. Os dois firmaram acordo de delação premiada e citaram políticos envolvidos no esquema.

A Operação Lava-Jato, responsável pela prisão de Youssef e Costa, foi deflagrada em março deste ano, sob a condução da PF e do MPF no Paraná. O inquérito da PF em Pernambuco, instaurado a partir do encaminhamento de decisões do Tribunal de Contas da União (TCU), ainda em 2010, sobre o superfaturamento de R$ 1,3 bilhão em Abreu e Lima, só foi retomado após vir à tona o escândalo envolvendo o doleiro e o ex-diretor da estatal.

Nos anos em que o procedimento ficou praticamente parado, os negócios de Youssef e Costa prosperaram. Laudo feito pela PF no Paraná mostra que, só da Sanko Sider, empresa subcontratada do consórcio liderado pela Camargo Corrêa, as empresas controladas pelo doleiro receberam R$ 31,4 milhões entre 2011 e 2013.

Temor de prescrição de crimes

O delegado que assumiu a investigação em Pernambuco pediu que o setor técnico-científico da PF, em ofício enviado em junho deste ano, informasse a previsão para a realização das perícias. O temor era a prescrição de crimes relacionados ao suposto superfaturamento nos contratos. “Considerando o tempo que nos distancia dos fatos e o risco dos efeitos da prescrição, solicito informar uma previsão para a realização dos exames, nada obstando que haja oportuno pedido de prorrogação do prazo”, escreveu o delegado.

Além dos pedidos de perícia, a PF ampliou o foco das investigações com a retomada do inquérito. Serão identificados os responsáveis pelo projeto básico da refinaria, projeto executivo, planilhas de referência, execução dos contratos, fiscalização e assessoramento, como consta num despacho de maio.

Nos primeiros dias de funcionamento do inquérito, em 2011, a PF solicitou informações sobre o suposto superfaturamento às empreiteiras contratadas e à Petrobras. Os investigadores ouviram, em duas semanas, sete depoimentos de funcionários do terceiro escalão da estatal, responsáveis pela gerência direta dos contratos. A realização das oitivas, sem que o TCU tivesse enviado os documentos complementares, foi criticada pelo delegado que hoje comanda os trabalhos. No mais, o processo teve como andamentos apenas atualizações dos trabalhos do tribunal.

Caso voltou para a PF em janeiro

O primeiro questionamento da PF sobre a prerrogativa para fazer a investigação foi feito em setembro de 2012, após mais de um ano e meio sem avanços reais do inquérito. O argumento foi que, pelo fato de a Petrobras ser uma sociedade de economia mista, crimes praticados na companhia não seriam da alçada da Justiça Federal. Portanto, não caberia à PF conduzir o inquérito.

O MPF refutou a tentativa de encerrar o procedimento e orientou a continuidade. A PF, então recorreu à Justiça Federal, em dezembro de 2012, com uma consulta sobre a prerrogativa da investigação. A decisão não caberia ao MPF, mas ao Judiciário, conforme a PF em Pernambuco.

Essa consulta levou a mais um ano de paralisia, enquanto a Justiça ouvia as partes envolvidas e pedia informações à Controladoria Geral da União (CGU) sobre a existência de recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) nas obras da refinaria. A decisão final, em dezembro de 2013, foi a de que a competência é de alçada federal. O caso voltou para as mãos da PF em janeiro deste ano.

O GLOBO procurou a Superintendência da PF em Pernambuco, a instituição em Brasília e o Ministério de Minas e Energia. Por ser feriado (Dia do Servidor Público), não houve expediente e os assessores não deram retorno.

O Globo Online

Youssef: “O Planalto sabia de de tudo!” Delegado: “Quem do Planalto?” Youssef: “Lula e Dilma”

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O doleiro Alberto Youssef afirma em depoimento à Polícia Federal que o ex e a atual presidente da República não só conheciam como também usavam o esquema de corrupção na Petrobras

EM VÍDEO
As declarações de Youssef sobre Lula e Dilma foram prestadas na presença de um delegado, um procurador da República e do advogado

A Carta ao Leitor desta edição termina com uma observação altamente relevante a respeito do dever jornalístico de publicar a reportagem a seguir às vésperas da votação em segundo turno das eleições presidenciais: “Basta imaginar a temeridade que seria não publicá-la para avaliar a gravidade e a necessidade do cumprimento desse dever”. VEJA não publica reportagens com a intenção de diminuir ou aumentar as chances de vitória desse ou daquele candidato. VEJA publica fatos com o objetivo de aumentar o grau de informação de seus leitores sobre eventos relevantes, que, como se sabe, não escolhem o momento para acontecer. Os episódios narrados nesta reportagem foram relatados por seu autor, o doleiro Alberto Youssef, e anexados a seu processo de delação premiada. Cedo ou tarde os depoimentos de Youssef virão a público em seu trajeto na Justiça rumo ao Supremo Tribunal Federal (STF), foro adequado para o julgamento de parlamentares e autoridades citados por ele e contra os quais garantiu às autoridades ter provas. Só então se poderá ter certeza jurídica de que as pessoas acusadas são ou não culpadas.

Na última terça-feira, o doleiro Alberto Youssef entrou na sala de interrogatórios da Polícia Federal em Curitiba para prestar mais um depoimento em seu processo de delação premiada. Como faz desde o dia 29 de setembro, sentou-se ao lado de seu advogado, colocou os braços sobre a mesa, olhou para a câmera posicionada à sua frente e se pôs à disposição das autoridades para contar tudo o que fez, viu e ouviu enquanto comandou um esquema de lavagem de dinheiro suspeito de movimentar 10 bilhões de reais. A temporada na cadeia produziu mudanças profundas em Youssef. Encarcerado des­de março, o doleiro está bem mais magro, tem o rosto pálido, a cabeça raspada e não cultiva mais a barba. O estado de espírito também é outro. Antes afeito às sombras e ao silêncio, Youssef mostra desassombro para denunciar, apontar e distribuir responsabilidades na camarilha que assaltou durante quase uma década os cofres da Petrobras. Com a autoridade de quem atuava como o banco clandestino do esquema, ele adicionou novos personagens à trama criminosa, que agora atinge o topo da República.

Comparsa de Youssef na pilhagem da maior empresa brasileira, o ex-diretor Paulo Roberto Costa já declarara aos policiais e procuradores que nos governos do PT a estatal foi usada para financiar as campanhas do partido e comprar a fidelidade de legendas aliadas. Parte da lista de corrompidos já veio a público. Faltava clarear o lado dos corruptores. Na ter­ça-feira, Youssef apre­sentou o pon­­to até agora mais “estarrecedor” — para usar uma expressão cara à pre­sidente Dilma Rous­seff — de sua delação premiada. Perguntado sobre o nível de comprometimento de autoridades no esquema de corrupção na Petrobras, o doleiro foi taxativo:

O Planalto sabia de tudo!

Mas quem no Planalto? — perguntou o delegado.

Lula e Dilma — respondeu o doleiro.

Para conseguir os benefícios de um acordo de delação premiada, o criminoso atrai para si o ônus da prova. É de seu interesse, portanto, que não falsifique os fatos. Essa é a regra que Yous­sef aceitou. O doleiro não apresentou — e nem lhe foram pedidas — provas do que disse. Por enquanto, nesta fase do processo, o que mais interessa aos delegados é ter certeza de que o de­poente atuou diretamente ou pelo menos presenciou ilegalidades. Ou seja, querem estar certos de que não lidam com um fabulador ou alguém interessado apenas em ganhar tempo for­necendo pistas falsas e fazendo acu­sações ao léu. Youssef está se saindo bem e, a exemplo do que se passou com Paulo Roberto Costa, o ex-diretor da Petrobras, tudo indica que seu processo de delação premiada será homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Na semana passada, ele aumentou de cerca de trinta para cinquenta o número de políticos e autoridades que se valiam da corrupção na Petrobras para financiar suas campanhas eleitorais. Aos investigadores, Youssef detalhou seu papel de caixa do esquema, sua rotina de visitas aos gabinetes poderosos no Executivo e no Legislativo para tratar, em bom português, das operações de lavagem de dinheiro sujo obtido em transações tenebrosas na estatal. Cabia a ele expatriar e trazer de volta o dinheiro quando os envolvidos precisassem.

Uma vez feito o acordo, Youssef terá de entregar o que prometeu na fa­se atual da investigação. Ele já con­tou que pagava em nome do PT mesadas de 100 mil a 150 mil reais a ­parlamentares aliados ao partido no Congresso. Citou nominalmente a ex-mi­nistra da Casa Civil Gleisi Hoff­mann, a quem ele teria repassado 1 mi­lhão de reais em 2010. Youssef disse que o dinheiro foi entregue em um shopping de Curitiba. A senadora ne­gou ter sido beneficiada.

Entre as muitas outras histórias consideradas convincentes pelos investigadores e que ajudam a determinar a alta posição do doleiro no esquema — e, consequentemente, sua relevância pa­ra a investigação —, estão lembranças de discussões telefônicas entre Lula e o ex-deputado José Janene, à época líder do PP, sobre a nomeação de operadores do partido para cargos estratégicos do governo. Youssef relatou um episódio ocorrido, segundo ele, no fim do governo Lula. De acordo com o doleiro, ele foi convocado pelo então presidente da Petrobras, Sergio Gabrielli, para acalmar uma empresa de publicidade que ameaçava explodir o esquema de corrupção na estatal. A empresa queixava-se de que, depois de pagar de forma antecipada a propina aos políticos, tivera seu contrato rescindido. Homem da confiança de Lula, Gabrielli, segundo o doleiro, determinou a Youssef que captasse 1 milhão de reais entre as empreiteiras que participavam do petrolão a fim de comprar o silêncio da empresa de publicidade. E assim foi feito.

Gabrielli poderia ter realizado toda essa manobra sem que Lula soubesse? O fato de ter ocorrido no governo Dilma é uma prova de que ela estava conivente com as lambanças da turma da estatal? Obviamente, não se pode condenar Lula e Dilma com base apenas nessa narrativa. Não é disso que se trata. Youssef simplesmente convenceu os investigadores de que tem condições de obter provas do que afirmou a respeito de a operação não poder ter existido sem o conhecimento de Lula e Dilma — seja pelos valores envolvidos, seja pelo contato constante de Paulo Roberto Costa com ambos, seja pelas operações de câmbio que fazia em favor de aliados do PT e de tesoureiros do partido, seja, principalmente, pelo fato de que altos cargos da Petrobras envolvidos no esquema mudavam de dono a partir de ordens do Planalto.

Os policiais estão impressionados com a fartura de detalhes narrados por Youssef com base, por enquanto, em sua memória. “O Vaccari está enterrado”, comentou um dos interrogadores, referindo-se ao que o do­leiro já narrou sobre sua parceria com o tesoureiro nacional do PT, João Vaccari Neto. O doleiro se comprometeu a mostrar documentos que comprovam pelo menos dois pagamentos a Vaccari. O dinheiro, desviado dos cofres da Petrobras, teria sido repassado a partir de transações simuladas entre clientes do banco clandestino de Youssef e uma empresa de fachada criada por Vaccari. O doleiro preso disse que as provas desses e de outros pagamentos estão guardadas em um arquivo com mais de 10 mil notas fiscais que serão apresentadas por ele como evidências. Nesse tesouro do crime organizado, segundo Youssef, está a prova de uma das revelações mais extraordinárias prometidas por ele, sobre a qual já falou aos investigadores: o número das contas secretas do PT que ele operava em nome do partido em paraísos fiscais. Youssef se comprometeu a ajudar a PF a localizar as datas e os valores das operações que teria feito por instrução da cúpula do PT.

Depois da homologação da de­lação premiada, que parece assegurada pelo que ele disse até a semana passada, Youssef terá de apresentar à Justiça mais do que versões de episódios públicos envolvendo a presidente. Pela posição-chave de Youssef no esquema, os investigadores estão con­fiantes em que ele produzirá as provas necessárias para a investigação prosseguir. Na semana que vem, Alberto Youssef terá a oportunidade de relatar um episódio ocorrido em março deste ano, poucos dias antes de ser preso. Youssef dirá que um integrante da ­coor­­denação da campanha presidencial do PT que ele conhecia pelo nome de “Felipe” lhe telefonou para marcar um encontro pessoal e adiantou o assunto: repatriar 20 milhões de reais que seriam usados na cam­panha presidencial de Dilma Rous­seff. Depois de verificar a origem do telefonema, Youssef marcou o encontro que nunca se concretizou por ele ter se tornado hóspede da Polícia Federal em Curitiba. Procurados, os defensores do doleiro não quiseram comentar as revelações de Youssef, justificando que o processo corre em segredo de Justiça. Pelo que já contou e pelo que promete ainda entregar aos investigadores, Youssef está materializando sua amea­ça velada feita dias atrás de que iria “chocar o país”.

DINHEIRO PARA O PT

Alberto Youssef também voltou a detalhar os negócios que mantinha com o tesoureiro nacional do PT, João Vaccari Neto, homem forte da campanha de Dilma e conselheiro da Itaipu Binacional. Além de tratar dos interesses partidários com o dirigente petista, o doleiro confirmou aos investigadores ter feito pelo menos duas grandes transferências de recursos a Vaccari. O dinheiro, de acordo com o relato, foi repassado a partir de uma simulação de negócios entre grandes companhias e uma empresa-fantasma registrada em nome de laranjas mas criada pelo próprio Vaccari para ocultar as operações. Ele nega

ENTREGA NO SHOPPING

Alberto Youssef confirmou aos investigadores o que disse o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa sobre o dinheiro desviado da estatal para a campanha da exministra da Casa Civil Gleisi Hoffmann (PT-PR) ao Senado, em 2010. Segundo ele, o repasse dos recursos para a senadora petista, no valor de 1 milhão de reais, foi executado em quatro parcelas. As entregas de dinheiro foram feitas em um shopping center no centro de Curitiba. Intermediários enviados por ambos entregaram e receberam os pacotes. Em nota, a senadora disse que não recebeu nenhuma doação de campanha nem conhece Paulo Roberto Costa ou Alberto Youssef

ELE TAMBÉM SABIA

Durante o segundo mandato de Lula, o doleiro contou que foi chamado pelo presidente da Petrobras, José sergio Gabrielli, para tratar de um assunto que preocupava o Planalto. Uma das empresas com contratos de publicidade na estatal ameaçava revelar o esquema de cobrança de pedágio. Motivo: depois de pagar propina antecipadamente, a empresa teve seu contrato rescindido. Ameaçado pelo proprietário, Gabrielli pediu ao doleiro que captasse 1 milhão de reais com as empreiteiras do esquema e devolvesse a quantia à empresa de publicidade. Gabrielli não quis se pronunciar

CONTAS SECRETAS NO EXTERIOR

Desde que Duda Mendonça, o marqueteiro da campanha de Lula em 2002, admitiu na CPI dos Correios ter recebido pagamentos de campanha no exterior (10 milhões de dólares), pairam sobre o partido suspeitas concretas da existência de dinheiro escondido em paraísos fiscais. Para os interrogadores de Alberto Youssef, no entanto, essas dúvidas estão começando a se transformar em certeza. O doleiro não apenas confirmou a existência das contas do PT no exterior como se diz capaz de ajudar a identificá-las, fornecendo detalhes de operações realizadas, o número e a localização de algumas delas.

UM PERSONAGEM AINDA OCULTO

O doleiro narrou a um interlocutor que seu esquema criminoso por pouco não atuou na campanha presidencial deste ano. Nos primeiros dias de março, Youssef recebeu a ligação de um homem, identificado por ele apenas como “Felipe”, integrante da cúpula de campanha do PT. Ele queria os serviços de Youssef para repatriar 20 milhões de reais que seriam usados no caixa eleitoral. Youssef disse que chegou a marcar uma segunda conversa para tratar da operação, mas o negócio não foi adiante porque ele foi preso dias depois. Esse trecho ainda não foi formalizado às autoridades.

ATÉ A MÁFIA FALOU
Tommaso Buscetta, o primeiro mafioso a fazer delação premiada. Na Sicília, seu sobrenome virou xingamento

​Quem delata pode mentir?

Alexandre Hisayasu

A delação premiada tem uma regra de ouro: quem a pleiteia não pode mentir. Se, em qualquer momento, ficar provado que o delator não contou a verdade, os benefícios que recebeu como parte do acordo, como a liberdade provisória, são imediatamente suspensos e ele fica sujeito a ter sua pena de prisão aumentada em até quatro anos.

Para ter validade, a delação premiada precisa ser combinada com o Ministério Público e homologada pela Justiça. O doleiro Alberto Youssef assinou o acordo com o MP no fim de setembro. Desde então, vem dando depoimentos diários aos procuradores que investigam o caso Petrobras. Se suas informações forem consideradas relevantes e consistentes, a Justiça — nesse caso, o Supremo Tribunal Federal, já que o doleiro mencionou políticos — homologará o acordo e Youssef será posto em liberdade, como já ocorreu com outro delator envolvido no mesmo caso, Paulo Roberto Costa. O ex-diretor da Petrobras deu detalhes ao Ministério Público e à Polícia Federal sobre o funcionamento do esquema milionário de pagamento de propinas que funcionava na estatal e benefi ciava políticos de partidos da base aliada do governo. Ele já deixou a cadeia e aguarda o julgamento em liberdade. O doleiro continua preso.

Até o ano passado, a lei brasileira previa que o delator só poderia usufruir os benefícios do acordo de delação ao fim do processo com o qual havia colaborado — e se o juiz assim decidisse. Ou seja, apenas depois que aqueles que ele tivesse incriminado fossem julgados é que a Justiça resolveria se o delator mereceria ganhar a liberdade. Desde agosto de 2013, no entanto, esses benefícios passaram a valer imediatamente depois da homologação do acordo. “Foi uma forma de estimular a prática. Você deixa de punir o peixe pequeno para pegar o grande”, diz o promotor Arthur Lemos Júnior, que participou da elaboração da nova lei.

Mais famoso — e prolífero — delator da história recente, o mafioso Tommaso Buscetta levou à cadeia cerca de 300 comparsas. Preso no Brasil em 1983, fechou acordo com a Justiça italiana e foi peça-chave na Operação Mãos Limpas, responsável pelo desmonte da máfia siciliana. Depois disso, conseguiu proteção para ele e a família e viveu livre nos Estados Unidos até sua morte, em 2000.

Veja Online

Petralhas — Uma campanha movida a mentiras

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Ao mesmo tempo em que manipula índices e esconde dados desfavoráveis para não prejudicar o governo, a campanha de Dilma, capitaneada pelo ex-presidente Lula, dissemina falsas acusações em série contra Aécio Neves, com o objetivo de se manter no poder

Quando Luiz Inácio Lula da Silva venceu a disputa presidencial de 2002, o publicitário Duda Mendonça, responsável pela construção do ‘Lulinha paz e amor”, fez uma declaração que viria a se tornar uma espécie de mantra do marketing político. “A democracia brasileira amadureceu e agora está provado que quem bate perde”, afirmou o publicitário traçando um paralelo com a eleição de 1989, quando Fernando Collor de Melo promoveu uma campanha de mentiras e ataques pessoais para derrotar Lula. Depois de 12 anos no poder, o PT, o ex-presidente Lula e a presidenta Dilma Rousseff, candidata à releição, resolveram desafiar esse mantra e trazem à disputa eleitoral uma sucessão de agressões e mentiras contra seus principais oponentes jamais vista na história recente do País. Também se valem do aparelhamento instalado no governo federal para manipular dados e esconder todos os indicadores que possam prejudicar a candidatura oficial, atentando contra a credibilidade de instituições como o Ipea e o IBGE. “O PT tem promovido uma das campanhas mais sujas da história. O objetivo é se manter no poder a qualquer preço”, afirma a ex-senadora Marina Silva, candidata do PSB derrotada no primeiro turno. “Fui vítima dessa ação difamatória sem precedentes que agora praticam contra o candidato Aécio Neves.”

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SEM LIMITES
Com propósitos eleitorais, a dupla Dilma e Lula tem espalhado
acusações sem qualquer fundamento contra o adversário,
Aécio Neves, em comícios pelo País

Desde o início do processo eleitoral, a campanha de Dilma Rousseff tem se valido da tática do medo e do terrorismo eleitoral para atingir seus adversários. Começou por intermédio das redes sociais e de militantes bem remunerados. Mas, a partir do segundo turno e com as pesquisas indicando a liderança do tucano Aécio Neves, o ex-presidente Lula e a candidata Dilma Rousseff passaram a ser os principais protagonistas dos ataques caluniosos. No sábado 18, durante comício em Belo Horizonte (MG), Lula acusou Aécio de usar violência contra as mulheres. “A tática dele é a seguinte: vou partir para a agressão. Meu negócio com mulher é partir para cima agredindo”, discursou o ex-presidente, referindo-se ao senador mineiro. No discurso, chamou Aécio de “filhinho de papai” e “vingativo”. “O comportamento dele não é o comportamento de um candidato (…) É o comportamento de um filhinho de papai que sempre acha que os outros têm de fazer tudo para ele, que olha com nariz empinado”.

No mesmo palanque, Lula, que como presidente da República determinou que o repórter Larry Rohter, do “New York Times”, fosse expulso do Brasil depois de publicar uma reportagem que o acusava de trabalhar sob efeito de álcool, insinuou que Aécio tem o hábito de dirigir embriagado, pois teria se recusado a se submeter ao teste do bafômetro em uma blitz de trânsito no Rio de Janeiro. A questão é que o candidato tucano já tratou desse tema publicamente. Disse que se arrepende de não ter feito o teste e que estava conduzindo o carro com a carteira de habilitação vencida. Ainda em Belo Horizonte, o ex-presidente Lula comparou Aécio a Carlos Lacerda, o histriônico líder da oposição a Getúlio Vargas, e voltou a mentir ao acusar o tucano de perseguir professores. “Não conheço, em nenhum momento da história, nem no regime militar, um momento em que os professores foram tão perseguidos como foram em Minas Gerais”, disse Lula.

É comum que nas campanhas eleitorais os discursos ganhem tons mais enfáticos. Isso, no entanto, não explica as calúnias cuidadosamente elaboradas pelos marqueteiros da campanha de Dilma. No caso do comício em Belo Horizonte, antes de Lula subir ao palanque, o mestre de cerimônias do evento sinalizou em que se transformaria aquele ato. Ele leu uma carta de uma suposta psicóloga atribuindo a Aécio Neves a prática de espancar mulheres. Acusou o tucano de ter “transtorno mental”, chamando-o de “ser desprezível, cafajeste e playboy mimado”. Na verdade, os ataques proferidos pelo ex-presidente fazem parte de uma bem articulada estratégia de campanha. Na terça-feira 21, três dias depois do comício, as ruas do centro de Belo Horizonte amanheceram repletas de grandes cartazes anônimos com os dizeres em letras amarelas em um fundo negro: “Você vota em candidato que agride mulher?”. É assim, insistindo na mentira, que o PT procura induzir o eleitor e desconstruir os adversários.

Na quinta-feira 23, o jornal britânico “Financial Times” publicou uma reportagem criticando o debate político na reta final das eleições no Brasil. O jornal constatou que o PT vem usando “táticas de difamação” contra seus opositores e cita diversas vezes a ex-senadora Marina Silva como a primeira vítima desse estratagema. “Marina Silva acusa o PT de Dilma Rousseff de usar servidores públicos para espalhar mentiras pelas redes sociais e contatos comunitários, como o alerta de que ela, que é evangélica, iria proibir videogames”, diz o texto do “Financial Times”. “Uma coisa terrível que eles (PT) disseram era que eu sou homofóbica e que uma pessoa gay tentou se aproximar de mim e meus seguranças bateram com tanta força que ele morreu”, afirmou Marina ao jornal. “O tom negativo da campanha tem frustrado muitos membros da crescente classe média baixa do Brasil, que estão desesperados para que os políticos debatam as questões críticas para o bem-estar”, conclui o jornal.

Os exemplos dessa campanha montada em mentiras são inúmeros. Na terça-feira 21, em comício no Recife (PE), Lula usou das calúnias para impor a campanha do medo, apontando o adversário como alguém interessado em dividir o País entre ricos e pobres, Norte e Sul, etc., recurso que, na verdade, o próprio Lula costuma usar sempre que se vê politicamente acuado ou ameaçado de perder o poder. No palanque, o ex-presidente chegou ao cúmulo de comparar Aécio e o PSDB a nazistas. “Eles (Aécio e o PSDB) agridem a gente (nordestinos) como os nazistas na Segunda Guerra Mundial. São mais intolerantes que Herodes, que mandou matar Jesus Cristo.” O discurso provocou indignação. A Federação Israelita de São Paulo e outras entidades judaicas condenaram veementemente as declarações. Alheio às críticas, em seu Twitter, Lula também vem espalhando o terror e na semana passada postou: “O governo do PSDB significa o genocídio da juventude negra”. A escalada das ofensas parece não ter limites para o PT. Na quinta-feira 23, durante ato público no centro comercial de Alcântara, em São Gonçalo (RJ), Lula disse que Aécio nunca trabalhou na vida e que os tucanos gostariam de transformar o Brasil em um país como o da época do Império, quando os pobres não podiam votar. “Antes de terminar o Império só podia votar quem tinha uma determinada quantia de dinheiro. Pobre não votava, índio não votava, analfabeto não votava. É esse o país que eles querem”, disse Lula. No mesmo ato, antes de subir em um carro de som, o ex-presidente voltou a afirmar o que repetidamente vem sendo dito pela candidata Dilma Rousseff: Aécio, se eleito, vai acabar com o Bolsa Família. Na verdade, e Lula sabe muito bem, o senador tucano já apresentou projeto no Congresso que transforma o Bolsa Família em lei, não podendo ser encerrado por qualquer que seja o presidente. Além de Lula, em diversos atos de campanha, a candidata Dilma vem pessoalmente praticando o terrorismo eleitoral. A presidenta já assegurou aos eleitores que Aécio planeja privatizar instituições como Banco do Brasil, Petrobras, os Correios, Caixa Econômica, entre outras, embora o programa de governo apresentado pelo tucano defenda o fortalecimento dessas instituições.

O vale-tudo do PT na reta final da campanha já pode ser constatado em várias cidades brasileiras. Na quinta-feira 23, no Rio, diversos panfletos apócrifos foram apreendidos com um texto colocando o adversário como um “candidato contra o Rio”. Em São Paulo, surgiram nas proximidades da estação do metrô Ana Rosa e também na região da rua Augusta cartazes com os seguintes dizeres: “Aécio é o atraso para o Brasil”. Outro define o tucano como “o inimigo número 1 da educação”.

Não bastassem as mentiras e o terror, a campanha de Dilma também faz um flagrante uso da máquina pública, inclusive manipulando dados sobre a real situação do País. Por causa disso, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) vive uma de suas maiores crises. O instituto foi proibido de divulgar um estudo com dados sobre a miséria social no Brasil, levantado a partir da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios. Os dados revelariam que os números apresentados pela campanha petista não correspondem à realidade. Temendo possíveis reflexos eleitorais, o Ipea só foi autorizado a divulgar a pesquisa depois das eleições. Ação totalitária fez com que o diretor de Estudos e Políticas Sociais, Herton Araújo, pedisse a exoneração do cargo. Não se trata do primeiro estudo preso nas gavetas do Ipea. Em setembro foi engavetado outro levantamento, feito com base nos dados das declarações de Imposto de Renda de brasileiros, que mostrava que a concentração de renda havia aumentado no Brasil entre 2006 e 2012. São dados que contrariam o discurso recorrente dos governos petistas.

Também em relação aos indicadores da educação, o governo de Dilma vem usando a chamada prática de Ricupero, ex-ministro do governo Itamar: o que é bom a gente divulga, o que é ruim a gente esconde. As divulgações de dados negativos que poderiam prejudicar a campanha petista foram simplesmente adiadas. Informações atualizadas sobre o desempenho dos estudantes brasileiros em português e matemática e números sobre a arrecadação de tributos só se tornarão públicos depois do segundo turno. Dados sobre o desmatamento e o verdadeiro contingente de miseráveis no Brasil também estão suspensos. No caso da educação, os índices obtidos através de um exame nacional a que são submetidos sete milhões de alunos a cada dois anos tradicionalmente são mostrados até o mês de agosto. Este ano foi diferente. Em setembro, o Ministério da Educação divulgou o indicador que tem como base o ano de 2013, mas não mostrou o resultado em cada disciplina. A divulgação sobre a arrecadação de tributos, normalmente divulgada até o dia 25 de cada mês, também está atrasada.

Sobre o desmatamento, os números que historicamente são revelados mensalmente seguem o mesmo roteiro. Os indicadores referentes a agosto e setembro só serão conhecidos em novembro, depois de terminada a eleição. ONGs internacionais têm afirmado que o índice teria subido 191% entre 2013 e 2014. É assim, com o uso da máquina pública, manipulação de dados oficiais e uma sucessão de mentiras e falsas acusações que o PT, o ex-presidente Lula e a candidata Dilma Rousseff procuram se manter no poder. 

ISTOÉ Online

Gravações obtidas pela revista Veja confirmam que Lula e Dilma sabiam de toda a patifaria e corrupção na Petrobras

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Amanhã nas bancas e em todos os noticiários do país

Na última terça-feira, o doleiro Alberto Youssef entrou na sala de interrogatórios da Polícia Federal em Curitiba para prestar mais um depoimento em seu processo de delação premiada. Como faz desde o dia 29 de setembro, sentou-se ao lado de seu advogado, pôs os braços sobre a mesa, olhou para a câmera posicionada à sua frente e se colocou à disposição das autoridades para contar tudo o que fez, viu e ouviu enquanto comandou um esquema de lavagem de dinheiro suspeito de movimentar 10 bilhões de reais. A temporada na cadeia produziu mudanças profundas em Youssef. Encarcerado desde março, o doleiro está bem mais magro, tem o rosto pálido, o cabelo raspado e não cultiva mais a barba. O estado de espírito também é outro. Antes afeito às sombras e ao silêncio, Youssef mostra desassombro para denunciar, apontar e distribuir responsabilidades na camarilha que assaltou durante quase uma década os cofres da Petrobras. Com a autoridade de quem atuava como o banco clandestino do esquema, ele adicionou novos personagens à trama criminosa, que agora atinge o topo da República. Perguntado sobre o nível de comprometimento de autoridades no esquema de corrupção na Petrobras, o doleiro foi taxativo:

— O Planalto sabia de tudo!

— Mas quem no Planalto?, perguntou o delegado.

— Lula e Dilma, respondeu o doleiro.

Conheça, na edição de VEJA que chega às bancas, os detalhes do depoimento que Alberto Youssef prestou às autoridades.

Veja Online

Escândalo da Petrobras – Doleiro afirma que ‘testa de ferro’ mentiu e quer fazer acareação

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Defesa de Alberto Youssef afirma que dono do Labogen, Leonardo Meirelles, está mentindo ao dizer que ele ‘trabalhou’ para tucanos. A roubalheira na Petrobras é coisa dos petralhas imundos

A defesa de Alberto Youssef informou que vai apresentar ainda nesta quarta feira, 22, à Justiça Federal em Curitiba (PR) um pedido de impugnação do depoimento de Leonardo Meirelles — suposto testa de ferro do doleiro nas indústrias farmacêuticas Labogen. Em depoimento na segunda feira, 20, Meirelles afirmou que ele mantinha negócios com o PSDB e com ex-presidente nacional do partido senador Sérgio Guerra (PE), morto em março.

O criminalista Antônio Figueiredo Basto, que defende Youssef, disse que pedirá ainda uma acareação entre os dois — o doleiro e Meirelles são réus em um dos processos da Operação Lava Jato, sobre superfaturamento nas obras da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco.

“Meu cliente afirma peremptoriamente que nunca falou com Sérgio Guerra, nunca teve negócio com ele e nunca trabalhou para o PSDB”, afirmou o criminalista Antônio Figueiredo Basto. “Estamos pedindo uma impugnação do depoimento do Leonardo e uma acareação entre eles.”

Meirelles é apontado como laranja de Youssef no laboratório Labogen, indústria de remédios que estava falida e que o doleiro usou para tentar conquistar um contrato milionário com o Ministério da Saúde, na gestão do então ministro Alexandre Padilha, para fornecimento de medicamentos. Segundo o Ministério, o contrato não chegou a ser assinado.

O negócio teria sido intermediado, segundo a PF, pelo deputado federal André Vargas (sem partido-PR), que foi flagrado usando um jato pago pelo doleiro.

Meirelles afirmou à Justiça Federal, em audiência da segunda feira, 20, que Youssef trabalhava também com o PSDB, além dos partidos PT, PMDB e PP.

Ele disse ter ouvido o doleiro citar o nome de Guerra em uma conversa telefônica e ainda citou “um outro parlamentar” tucano da mesma região do doleiro.

Estadão Online

Roubalheira petralha – Ex-diretor diz que Gleisi Hoffmann recebeu R$ 1 milhão de esquema na Petrobrás

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Em delação premiada, Costa afirma que repasse para a campanha da senadora ‘se comprova’ na inscrição que ele próprio lançou em sua agenda pessoal, apreendida pela Polícia Federal, na qual ele anota: ‘PB 0,1’, uma suposta referência a Paulo Bernardo

O ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa afirmou na delação premiada ao Ministério Público Federal que, em 2010, o esquema de corrupção na estatal repassou R$ 1 milhão para a campanha ao Senado da petista Gleisi Hoffmann (PR). Em 2011, no início do governo da presidente Dilma Rousseff, ela se licenciou do mandato para assumir o cargo de ministra-chefe da Casa Civil — posto que ocupou até fevereiro deste ano.

O ex-diretor da Petrobrás disse que recebeu pedido para "ajudar na candidatura" de Gleisi. A solicitação, afirmou o ex-diretor da Petrobrás, foi feita pelo doleiro Alberto Youssef. Costa e Youssef são alvo da Operação Lava Jato, deflagrada em março pela Polícia Federal para combater o que considera uma organização criminosa que se instalou na Petrobrás para promover corrupção e lavagem de dinheiro.

O ex-diretor da estatal lembrou ainda que, em 2010, o marido de Gleisi, Paulo Bernardo, ocupava o cargo de ministro de Planejamento, Orçamento e Gestão do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Neste ano, a petista concorreu ao governo do Paraná e terminou a disputa na terceira colocação, com 14,9% dos votos.

Registro

Costa disse que o repasse de R$ 1 milhão para a campanha da senadora "se comprova" na inscrição que ele próprio lançou em sua agenda pessoal, apreendida pela PF no dia 20 de março, três dias depois da deflagração da Lava Jato.

Numa página do caderno do ex-diretor consta, entre outras, a seguinte anotação: "PB 0,1". Segundo o delator da Lava Jato, o registro significa "Paulo Bernardo, R$ 1 milhão". Importante quadro do PT, Bernardo ocupa desde 2011 o cargo de ministro das Comunicações na gestão de Dilma, candidata à reeleição.

Em espécie

Os investigadores da Lava Jato tiveram a confirmação de que a quantia de R$ 1 milhão destinada à campanha de Gleisi foi entregue em espécie, em Curitiba, para "um emissário" da campanha da senadora.

Costa já concluiu o processo de delação, após sucessivos depoimentos a um grupo de procuradores da República. Youssef decidiu seguir o mesmo caminho e ainda está fazendo declarações. Em seu relato, o ex-diretor da Petrobrás disse que o dinheiro para a campanha de Gleisi saiu de uma cota equivalente a 1% sobre o valor de contratos superfaturados da Petrobrás.

Esse valor, afirmou Costa, era da "propina do PP", partido da base aliada ao governo Dilma que foi presidido pelo deputado José Janene (PR), morto em 2010. Janene foi líder do PP na Câmara dos Deputados e réu do mensalão federal no Supremo Tribunal Federal.

O ex-executivo da Petrobrás revelou que o PT e o PMDB eram contemplados com parcelas de valores dos contratos de diretorias da estatal. O partido do governo, segundo ele, ficava com até 3% em alguns casos.

Youssef contou em seu depoimento à Justiça Federal que Costa, apesar de cuidar do 1% destinado ao PP na diretoria de Abastecimento, "muitas vezes tinha que atender a pedidos do PMDB e do PT".

Em uma das denúncias da Lava Jato, os procuradores da República responsáveis pela investigação do esquema registram que, numa planilha encontrada com os réus, constam anotações manuscritas de seis grandes construtoras do País, todas com contratos ativos na Petrobrás. "Doaram, juntas, R$ 35,3 milhões a partidos da base parlamentar de apoio ao governo federal na campanha de 2010."

Estadão Online

Dilma convidou Paulo Roberto Costa para ser ministro das Cidades. Detalhe: ele não aceitou

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Episódios frequentes de corrupção e bandalheira registram que o PT decretou a falência moral dos seus governos em nome de um arranjo político que sustenta o grupo instalado no poder

Desde a eclosão do mensalão, os escândalos não assumiam de maneira tão escancarada a linha de frente de uma campanha presidencial, relegando ao segundo plano as propostas e as ideias dos candidatos necessárias à correção de rota almejada pela população para a melhoria do bem-estar do povo e das condições do País. A exemplo de 2006, mais uma vez o PT e o governo vão para uma eleição mergulhados em denúncias. A mais grave delas, os desvios bilionários da Petrobras em benefício do PT e de partidos aliados ao governo. E, como num filme repetido, os petistas cumprem um roteiro já bastante conhecido na tentativa de encobrir seus próprios erros. Reagem não só como vítimas, mas imbuídos de certa arrogância, como se pairassem acima dos demais partidos e instituições. Em resposta à divulgação de áudios em que o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa e o doleiro Alberto Youssef revelam que 3% de todo dinheiro desviado dos contratos da estatal abasteceram o PT e a campanha de 2010, a presidenta Dilma Rousseff acusou a oposição de usar as investigações para dar um golpe no País. “Na véspera eleitoral, sempre querem dar um golpe. E estão dando um golpe. Esse golpe nós não podemos concordar.” Na avaliação da presidenta, as denúncias de abastecimento de seu partido e campanha com recursos drenados da estatal não poderiam ter vindo a público durante o período eleitoral. O mesmo raciocínio, porém, não é aplicado por Dilma quando as acusações envolvem o partido adversário. No debate do SBT realizado na quinta-feira 16, usando dois pesos e duas medidas, Dilma valeu-se de um vazamento da delação premiada de Paulo Roberto Costa para atacar o candidato do PSDB, Aécio Neves. Segundo Costa, o ex-presidente do PSDB, Sérgio Guerra, morto este ano, teria recebido propina para esvaziar uma CPI em 2009. Ou seja, contra o PT, a divulgação dos áudios “é golpe”. Mas, se o mesmo áudio atinge o partido adversário, vira munição eleitoral nas mãos do PT. O ex-presidente Lula discursou na mesma toada da sucessora. Em comício no bairro de Campo Limpo, São Paulo, bradou como se a vítima fosse o seu partido: “Eu já estou de saco cheio (das denúncias contra o PT). Daqui a pouco eles estarão investigando como nós nos portávamos dentro do ventre da nossa mãe”, afirmou Lula.

Ato contínuo, aliados da presidenta Dilma abriram fogo contra o juiz federal Sérgio Moro, responsável pela condução dos processos resultantes da Operação Lava Jato. Como as ações não correm sob sigilo judicial, o magistrado autorizou a divulgação do áudio dos interrogatórios. Na guerrilha virtual, o PT inundou as rede sociais com ataques a Moro. Os militantes o acusaram de transformar a operação em um trampolim para uma vaga de ministro no Supremo Tribunal Federal (STF). As agressões não ficaram restritas à rede de computadores. Em protocolos entregues ao Supremo e à Procuradoria-Geral da República, com pedidos de acesso aos autos da Lava Jato, o presidente do PT, Rui Falcão, insinuou que o magistrado não foi cuidadoso com dados da delação premiada, permitindo vazamentos seletivos. O governador do Rio Grande do Sul e candidato à reeleição, Tarso Genro, gravou um vídeo tentando comparar as eleições deste ano às de 1989, quando Fernando Collor venceu Lula com uma série de lances de jogadas sem ética e sem relação com desvios de dinheiro público, como acontece agora. “Isso que está sendo feito é uma manipulação para interferir no voto, é um golpe político em curso. É um golpe contra a democracia, contra a livre manifestação dos eleitores.”

NO PALANQUE DO ATRASO
Em comício em Alagoas, a presidente Dilma Rousseff discursa ao lado de Renan Filho, herdeiro do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB), e Fernando Collor (PRTB). Hoje, os três são aliados

Em lugar de questionar a intempestividade dos vazamentos e atacar um juiz no exercício de suas funções e prerrogativas constitucionais, o PT e o governo deveriam se dedicar a esclarecer as revelações estarrecedoras. Faz parte do processo democrático, munir o eleitor de informações relevantes para que ele tenha discernimento para decidir sobre quem ele considera mais preparado e em melhores condições para comandar os destinos do País. Portanto, nada mais adequado que o conteúdo dos depoimentos tenha vindo a público no momento em que o eleitor terá de se definir sobre dois projetos para o País: a continuidade, personificada por Dilma Rousseff, do PT, ou a mudança proposta por Aécio Neves, do PSDB. A discussão sobre o momento mais adequado para o vazamento ou não dos áudios não poderia se sobrepor ao gravíssimo teor das revelações do ex-diretor da maior estatal do País. Não se trata do discurso udenista de quem possui mais virtudes para ocupar o Palácio do Planalto, mas do sacrossanto direito do eleitor de poder reunir o máximo de informações disponíveis dos candidatos e respectivos partidos antes da derradeira decisão.

Não por acaso, as associações de classe reagiram prontamente, repudiando a tentativa do PT de tentar tirar a credibilidade do magistrado e do trabalho da Polícia Federal. O ministro Gilmar Mendes, do STF, foi o mais contundente. Tachou de “absurda” a tese que condiciona o andamento do inquérito e dos processos decorrentes da Operação Lava ao calendário eleitoral. “Levantou-se esse mesmo argumento na época do julgamento do mensalão. De tão absurdo, isso chega a ser risível. O Brasil tem eleições a cada dois anos”, disse Gilmar Mendes. “Então, nós vamos suspender os inquéritos e os processos judiciais em períodos eleitorais? Será que vão suspender também o cometimento de crimes? E quanto aos prazos de prescrição, o que fazemos com eles?” Gilmar Mendes realçou que um magistrado pode ser acusado do crime de prevaricação se deixar de executar os atos inerentes à sua função. Lembrou que os incomodados dispõem de um “sistema de proteção” contra eventuais abusos. Queixas contra juízes podem ser protocoladas no Conselho Nacional de Justiça. Abusos de promotores e procuradores podem ser reportados ao Conselho Nacional do Ministério Público. O ministro ironizou. “Estão querendo decretar o fim da independência entre os poderes e inventar um novo recesso para o Poder Judiciário. Teremos de fazer uma consulta ao Tribunal Superior Eleitoral. A Constituição prevê que o processo eleitoral não pode ser modificado um ano antes do pleito. Há incontáveis inquéritos e processos envolvendo políticos. Vamos suspender a tramitação um ano antes de cada eleição ou podemos adotar o período de seis meses? Parece brincadeira.”

As práticas da vitimização não são novas para o PT. Originado do movimento sindical brasileiro no início da década de 80, o partido se especializou em assumir a figura de mártir nas disputas eleitorais. A rotina remonta ao primeiro embate com os tucanos em 1994. Como agora, PT e PSDB disputaram aquela eleição na condição de principais antagonistas. Em desvantagem na refrega devido ao sucesso do Plano Real, idealizado pelo então ministro de Relações Exteriores do governo Itamar Franco e candidato à Presidência, Fernando Henrique Cardoso (PSDB), o PT classificou o plano de “factoide e estelionato eleitoral” criado pelos tucanos, segundo o partido, com não outro propósito senão o de vencer as eleições. O desenlace, no entanto, se deu na contramão da retórica petista. O Plano Real pôs fim à hiperinflação e trouxe a estabilização da moeda, essencial para os avanços sociais conquistados a partir da ascensão de Lula ao poder em 2003. Desde então, porém, o partido parece se recusar a aprender com os próprios erros, preferindo imaginar manobras antidemocráticas toda vez que se vê ameaçado de deixar o Palácio do Planalto.

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O histórico dos quase 12 anos de PT no poder expõe um extenso repertório de escândalos que causaram indignação aos brasileiros e a petistas históricos, que abandonaram a agremiação para não compactuarem com o crime. Foram pelo menos 38 escândalos durante a era petista. Parte da energia e do tempo que deveriam ser usados no aprimoramento da administração e gestão públicas foi canalizada para responder a uma série de acusações e inquéritos policiais. O partido, criado em 1980 para representar os trabalhadores e se diferenciar das outras legendas, aos poucos assimilou as velhas práticas da política nacional e viu vários de seus principais representantes serem tragados por casos de corrupção. Como famílias que preferem esconder os problemas para evitar o julgamento público, o PT afagou seus correligionários, alimentando a sensação de impunidade no seu próprio seio. Foi assim com Antonio Palocci, ex-ministro da Fazenda de Lula e da Casa Civil de Dilma. Afastado em 2006, acusado de quebrar o sigilo bancário do caseiro Francenildo Santos Costa, Palocci regressou em 2011 e foi novamente dispensado por não conseguir explicar contratos de consultoria que lhe renderam R$ 20 milhões.

A prática de dar uma segunda chance a envolvidos em corrupção teve seu ápice neste ano. Dilma Rousseff começou o governo em 2011, dando a impressão de que mudaria o quadro ao faxinar da Esplanada seis ministros alvos de denúncias. O selo de faxineira dos “malfeitos”, no entanto, caiu por terra quando ela reabilitou ministros que saíram sem explicar irregularidades. Paulo Sergio Passos — secretário-executivo à época em que Alfredo Nascimento foi apeado do cargo — voltou graças à necessidade de Dilma de recompor com o PR. O mesmo ocorreu com o ministro Carlos Lupi. Ele saiu da pasta do Trabalho sem conseguir justificar suas relações com ONGs que mantinham convênios fraudulentos com a pasta e explicar a indústria de criação de sindicatos. Mesmo assim, continuou dando as cartas e emplacou Manoel Dias como sucessor, na cota do PDT. Os episódios registram que o PT decretou a falência moral dos seus governos em nome de um arranjo político que sustenta o grupo instalado no poder. Ao construir uma base artificial, atraída por promessas de aparelhamento de ministérios e estatais, o PT também ficou refém de aliados. O depoimento do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa à Justiça Federal do Paraná ilustra bem essa situação. O PT e os partidos da base se apoderaram dos órgãos públicos e, em vez de apoio político, passaram a formar um exército alimentado à base do fisiológico toma lá dá cá político.

Apesar da série de equívocos cometidos em mais de uma década, o PT nunca admitiu erros ou fez mea-culpa. O mensalão levou para a cadeia os principais nomes da legenda e, até hoje, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva trata o episódio como uma grande perseguição orquestrada pelo Judiciário, a imprensa e legendas da oposição. A constante negação dos problemas teve repercussão social e no interior do próprio partido. Grupos de diferentes segmentos ideológicos e econômicos passaram a pregar o “voto anti-PT”, associando o partido a práticas de corrupção e ao aparelhamento do Estado. O antipetismo cresceu na sociedade disseminado não apenas por oposicionistas históricos do partido, mas por pessoas que votaram uma, duas, três vezes na legenda e, hoje, encontram-se desiludidas. No primeiro turno das eleições presidenciais, análises do diretório nacional do PT detectaram que um terço dos votos válidos, o equivalente a 34 milhões, se basearam no sentimento de desaprovação à legenda. Os “antipetistas” se dividiram entre Aécio Neves e Marina Silva. No segundo turno, esse movimento voltou com toda a força, segundo as mais recentes pesquisas.

DOIS PESOS, DUAS MEDIDAS
Dilma valeu-se do vazamento do áudio da delação de Paulo Roberto Costa, classificado anteriormente por ela de “golpista”, para tentar atingir o candidato do PSDB, Aécio Neves. Segundo Costa, Sérgio Guerra, ex-presidente do PSDB, teria recebido propina para abafar uma CPI contra a Petrobras

O PT não pode acusar seus eleitores de traição. Antes mesmo do crescimento da rejeição na sociedade civil, a legenda sofreu defecções no interior da própria legenda. Desencantados com os rumos do partido, históricos fundadores puxaram o adeus ao PT. Entre eles, os políticos Chico Alencar, Milton Temer, Heloisa Helena e o jurista Hélio Bicudo. Aos 92 anos, Bicudo vive hoje a desilusão de ver o partido que ajudou a fundar, e do qual se desfiliou em 2005, ser desfigurado por abandonar princípios éticos que defendeu fervorosamente antes de se tornar governo. O PT perdeu Hélio Bicudo e com ele parte de sua história e um dos quadros mais respeitáveis na luta dos direitos humanos e da intelectualidade do direito brasileiro. “Hoje, o PT, infelizmente, gosta de aparecer como vítima: vítima da mídia, vítima de uma traição, de um poder que quer se apoderar do que está nas mãos dele”, lamentou.

Há 34 anos, o “nós” a que o PT se referia eram os trabalhadores e o “eles”, os políticos tradicionais, flagrados em esquemas de corrupção. O selo de legenda criada para servir ao povo inspirou um slogan que virou hit durante a primeira eleição de Lula: “No fundo, no fundo, todo mundo é um pouco PT”. A exaltação que hoje pode causar arrepios em muitos fazia sentido e despertou um sentimento de união que culminou com a eleição do líder operário para a Presidência.

Hoje, “o nós contra eles” ainda está presente no discurso, mas os personagens mudaram. O “nós” representa o partido, não mais os trabalhadores, e o “eles” retrata uma indefinível gama de adversários, sem deixar claro se os inimigos pertencem a um grupo econômico específico ou a uma categoria social. O “eles” da década de 1980 agora são aliados políticos e apoiadores do PT, a exemplo da família Sarney e do próprio Fernando Collor, adversário de Lula em 1989.

Josie Jeronimo
ISTOÉ Online

Roubalheira petralha: PF fecha elo de propina em fundo da Petrobrás

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Tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, intermediou negócio fechado com doleiro

A Polícia Federal acredita ter conseguido fechar o ciclo de uma transação que teria envolvido o pagamento de propina de R$ 500 mil a dois diretores do fundo de pensão dos funcionários da Petrobrás, feito com empresas do ex-deputado federal José Janene (PP-PR), morto em 2010, e do doleiro Alberto Youssef — um dos alvos centrais da Operação Lava Jato — e que causou prejuízo de R$ 13 milhões ao órgão.

No computador de Youssef, há uma pasta com 12 arquivos referentes aos negócios do doleiro com a Petros.
O negócio teria sido intermediado, segundo suspeita a PF, pelo tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, e tratado diretamente com dois diretores da Petros — indicações petistas, entre eles o ex-presidente do fundo Luiz Carlos Fernandes Afonso (2011-2014).

A PF registra a possível interferência de um político não identificado “de grande influência na casa” na liberação de um seguro, em órgão do Ministério da Fazenda, que era condicionante para a transação.

“Esse recurso foi desviado para pagamento de propina para funcionários da Petros”, afirmou Carlos Alberto Pereira da Costa, advogado que, segundo a PF, atuava como testa de ferro de Alberto Youssef.

TRANSCRIÇÃO DO DEPOIMENTO DE CARLOS ALBERTO PEREIRA DA COSTA À JUSTIÇA FEDERAL

Costa tinha em seu nome pelo menos duas empresas usadas pelo doleiro, uma delas envolvidas nessa transação com a Petros, a CSA Project Finance. Ele afirmou ao juiz Sérgio Moro que na operação foi retirada uma propina de R$ 500 mil que serviu para pagar os dois diretores da Petros.

Citados. Os diretores são petistas e já citados em outros dois escândalos, segundo registra a PF. “As negociações eram realizadas pelo lado da Petros pelo senhor Humberto Pires Grault Vianna de Lima, gerente de novos projetos da Petros, e pelo senhor Luis Carlos Fernandes Afonso, diretor financeiro e de investimentos.”

TRECHO DO RELATÓRIO DA PF QUE CITA OS DIRETORES ENVOLVIDOS NA NEGOCIAÇÃO

Afonso foi nomeado diretor em 2003 e depois nomeado presidente da Petros, em 2011, cargo que ocupou até fevereiro de 2014. Lima era diretor de Novos Projetos e foi nomeado diretor de investimento da Fundação de Previdência Complementar do Servidor Público Federal (Funpresp).

O ex-presidente da Petros foi condenado em primeiro grau por improbidade sob a acusação de ter cobrado ‘pedágio’ de uma fundação para que ela ganhasse um contrato na Prefeitura de São Paulo, em 2003. Na época, ele era secretário de Finanças do governo Marta Suplicy (PT). A condenação é de 2012 e está em fase de recurso.

E-MAIL APREENDIDO PELA PF ENCAMINHADO PARA LUIS CARLOS FERNANDES AFONSO

Ferro velho

A transação na Petros envolveu a compra de título de crédito emitido por uma empresa falida que havia sido adquirida por Janene e por Youssef. A Indústria de Metais Vale (IMV) foi criada para reciclar ferro velho e vender o material para siderúrgicas, mas estava parada. Ela foi registrada em nome do advogado Carlos Alberto Pereira da Costa, réu da Lava Jato.

Com a empresa falida, o grupo aportou nela R$ 4 milhões em 2007 e firmou contrato com a CSA Project Finance, que é do doleiro e está em nome de Costa também — para que essa fizesse um projeto de recuperação e captasse recursos antecipados. Para isso, fechou um contrato de venda com recebimento antecipado de uma grande siderúrgica nacional. “Com o objeto de antecipar recebíveis oriundos de um contrato de compra e venda de ferro gusa (sucata), celebra entre a IMV e a Barra Mansa, assim adquirindo investimento necessário para a instalação de uma planta industrial, a IMV emitiu Cédula de Crédito Bancário, no montante total de R$ 13.952.055,11”, diz a PF.

Os termos da cédula de crédito estão no HD do computador de Youssef. Com o título de crédito emitido pelo Banco Banif Primus, o grupo, via CSA e coligados, passou a tratar com os diretores da Petros a compra pelo fundo de pensão.

Documento apreendido pela Lava Jato com o grupo mostra que eles teriam sido recebidos na Petros pelo então diretor, que depois virou presidente.

Vaccari é suspeito de ser o intermediador dos negócios do grupo com a Petros. No capítulo sobre a compra do título de crédito da empresa IMV há um histórico sobre suas relações com o partido. Seu nome foi citado na confissão dos réus como elo de pagamentos de propinas em outras áreas e especificamente na Petros em um e-mail interceptado entre os alvos da Lava Jato.

Estadão Online

Só rindo dessa ignoranta – Acuada pelo petrolão, Dilma sobe o tom: ‘Denúncias são golpe da oposição’

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OPOSIÇÃO GOLPISTA
Reparem na foto o oposicionista Paulo Roberto (Paulinho) dando uma facada nas costas da nossa anta-mor

As revelações de que a Petrobras era usada para abastecer o caixa do PT fizeram a presidente Dilma Rousseff dar mais espaço ao tema da corrupção durante seus discursos — e subir o tom em defesa de seu governo. Nesta sexta-feira, após uma caminhada em Canoas (RS), a petista associou as denúncias recentes a uma tentativa de "golpe" da oposição – embora as confissões tenham partido de um ex-diretor nomeado pelo PT para uma diretoria importante da estatal, Paulo Roberto Costa. "Na véspera eleitoral eles sempre querem dar um golpe. E estão dando um golpe. Esse golpe, nós não podemos concordar com ele", disse ela.

A presidente também acusou os tucanos de serem lenientes com a corrupção: "Eles jamais investigaram, jamais puniram, jamais procuraram acabar com esse crime horrível", afirmou, insistindo que os escândalos de seu governo são uma prova de que o PT não acoberta desvios.

"Nos últimos quatro anos do PSDB, quem era o diretor geral da Polícia Federal era um militante filiado do PSDB. Eles aparelharam a Polícia Federal. Por isso a Polícia Federal investigou pouco, descobriu pouco, prendeu pouco e condenou muito pouco. Nós não, nós investigamos, prendemos e punimos", disse Dilma.

A presidente também acusou os tucanos de destilarem "ódio": "Eles destilam ódio, eles destilam mentiras, nós temos de responder com a verdade e a esperança. Diante da urna nós votamos com a consciência, paz e amor no coração".

O discurso da presidente foi feito logo após ela percorrer, em carro aberto, um trecho de aproximadamente 700 metros no bairro popular de Guajuviras, em Canoas. Ela estava ao lado do candidato a governador pelo PT, Tarso Genro.

Veja Online

Escândalo da Petrobras – A estrela desce

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De nada valeram os esforços do governo em conluio com os partidos de sua base aliada para impedir que as CPIs da Petrobrás investigassem se funcionava mesmo na maior estatal brasileira uma "organização criminosa" como apontou a Polícia Federal

Pior, o bloqueio desesperado da tropa de choque só fez indicar que havia razão para tanto temor. A fumaça apareceu quando o ex-diretor da empresa Paulo Roberto Costa fez os primeiros depoimentos de seu acordo de delação premiada e dele transpiraram alguns trechos com a citação de partidos e políticos que teriam sido beneficiados por propinas, "sobras" de contratos da Petrobrás com grandes empreiteiras.

O governo saiu-se com a alegação de que não havia provas nem credibilidade no material publicado na imprensa. Pelo sim, pelo não, a presidente Dilma Rousseff alegou que se irregularidades tivessem ocorrido ela não ficara sabendo, mas, para todos os efeitos, garantiu, estavam todas sanadas.

O marqueteiro João Santana introduziu na campanha o tema corrupção — até então fora da cena — e Dilma passou a defender a tese de que os escândalos decorriam do combate férreo que seu governo dava aos "malfeitos". Chegou a substituir-se à Constituição, dizendo que a PF e o Ministério Público atuavam com independência graças às ordens dela.

Faltando duas semanas para o fim do primeiro turno, o Planalto enviou para o Congresso um pacote de medidas anticorrupção com cinco propostas, três das quais repetiam outras já em tramitação.

Nem bem começou a campanha para o segundo turno e já se vê que por debaixo daquela fumaça dos depoimentos de Costa ainda em segredo de Justiça havia muito fogo. A ele na delação premiada juntou-se o doleiro Alberto Youssef. Ambos por medo de terem o destino de Marcos Valério, dos integrantes dos chamados núcleo financeiro e publicitário do processo do mensalão que vão ficar na cadeia enquanto os políticos estão indo para casa.

Agora já começam a aparecer evidências. Os áudios dos depoimentos de Costa e Youssef dizendo que repassavam as propinas ao PT, PP e PMDB. Eles apontaram ainda o tesoureiro do PT, João Vaccari, como o intermediário do partido. A ex-contadora do doleiro, Meire Poza, afirmou à CPI que o PT deu dinheiro a um dos réus do mensalão (Enivaldo Quadrado, dono da corretora Bônus-Banval) para pagar a multa imposta pelo Supremo Tribunal Federal.

O PT evidentemente reage afirmando que é alvo de calúnias. Deverá — se já não o fez — acrescentar que são eleitoreiras. O problema com essa versão é que Costa, Youssef e Meire só têm chance de se beneficiar daquilo que afirmam se puderem provar. Note-se que o ex-diretor da Petrobrás já foi autorizado pela Justiça a sair da cadeia. E se o foi é porque o material por ele fornecido foi considerado útil para o desvendamento das autorias e da materialidade dos crimes.

O doleiro já descumpriu uma vez um acordo desse tipo. Reincidiu e agora, escaldado, dificilmente vai tentar driblar o Ministério Público e muito menos o juiz Sérgio Moro da Justiça Federal no Paraná. Ou se conduz de acordo conforme a regra, que implica confissão da verdade, ou fica na prisão queiram os advogados ou não até porque a assinatura do acordo implicou a dispensa de habeas corpus.

Na realidade o efeito eleitoral dessas denúncias é o menor dos problemas. Se com isso tudo a maioria ainda decidir que a presidente deve ter mais um mandato, está decidido. A discussão independe do período eleitoral. Ainda que tudo isso viesse a público no ano passado e Dilma dissesse que não sabia de nada a questão seria a mesma: o partido do governo cuja antiga cúpula foi condenada por corrupção, pego de novo em traficâncias de natureza semelhante tendo apenas mudado de endereço.

Dora Kramer – O Estadão

Depoimento de Paulo Roberto Costa à Justiça Federal do Paraná

Depoimento de Alberto Youssef à Justiça Federal do Paraná