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Roubalheira petralha: Casal 20 Gleisi Hoffmann e Paulo Bernardo cada vez mais afundados na lama do petrolão

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Momentos de muita ansiedade e de alta tensão vive o casal petista Gleisi Helena Hoffmann e Paulo Bernardo da Silva, alvo da Operação Lava-Jato. Esse calvário surgiu na esteira de nova rodada de delações premiadas, as quais podem comprometer sobremaneira Gleisi e Bernardo, além de outras lideranças do lulopetismo. Na lista dos que já fecharam o acordo de colaboração ou negociam com a força-tarefa da Lava-Jato estão os ex-deputados federais Pedro Corrêa (PP), André Vargas (ex-PT) e Luiz Argôlo (SD), além do ex-vereador petista Alexandre Romano, todos presos em Curitiba.

A delação de Alexandre Romano, acusado de operar esquema de pagamento de propina no Ministério do Planejamento que desviou R$ 40 milhões desde 2010, deve trazer detalhes da participação de Gleisi e Paulo Bernardo. A petista já é alvo de inquérito no STF e outras três linhas de investigação no escopo da Lava-Jato.

No fim de agosto, Romano contratou o criminalista Antônio Figueiredo Basto, que conduz diversas colaborações, como a do doleiro Alberto Youssef, para negociar com os procuradores da República que participam das investigações sobre o Petrolão, o maior esquema de corrupção da história. De tal modo, os depoimentos abrem caminho para as delações de Argôlo e Vargas.

Já Vargas, que até o ano passado era tido como o homem forte da campanha da senadora Gleisi ao governo do Paraná, também pode comprometer ex-colegas de partido em seu depoimento. No caso dele, pesam acusações de desvios da Caixa Econômica Federal e do Ministério da Saúde, que ocorriam por meio de uma agência de publicidade e um laboratório.

O único alívio para Gleisi nos últimos tempos veio da família. O publicitário Ricardo Hoffmann, primo distante da senadora Gleisi Hoffmann (PT), que teve negado seu acordo de delação premiada, manteve-se calado, na quarta-feira (2), durante depoimento na CPI da Petrobras, em Curitiba. Ricardo Hoffmann é também ligado ao ex-deputado André Vargas (ex-PT). O lobista Fernando Moura, ligado ao PT, também se recusou a responder perguntas formuladas pelos parlamentares que integram a CPI.

Hoffmann e Moura foram chamados à comissão para prestar esclarecimentos na condição de acusados, mas permaneceram em silêncio diante de questionamentos sobre o relacionamento deles com o ex-ministro José Dirceu, o doleiro Alberto Youssef, o ex-ministro Paulo Bernardo (Comunicações), Renato Duque (ex-diretor da Petrobras) e com a senadora petista Gleisi Hoffmann.

O publicitário, ex-dirigente da agência de publicidade Borghi/Lowe, é réu na Lava-Jato por ter oferecido propina ao ex-deputado André Vargas para que o parlamentar privilegiasse a empresa em contratos de publicidade com Caixa Econômica Federal e o Ministério da Saúde.

No esquema, a acusação diz que Hoffmann orientou as empresas subcontratadas pela Borghi/Lowe para depositar comissões típicas do mercado de publicidade, conhecidas como bônus de volume, em duas empresas de fachada de André Vargas, a LSI Solução em Serviços Empresariais e a Limiar Consultoria e Assessoria. Na prática, em vez de pagar o bônus à agência principal, prática comum no mercado da publicidade, as produtoras subcontratadas pela Borghi/Lowe para gravar filmes publicitários e spots de rádio para órgãos públicos — e que de fato prestavam serviços — pagaram para as duas empresas de Vargas e seu irmão.

Ao todo, a propina recebida pelo ex-deputado André Vargas por meio de Hoffmann chegou a R$ 1,1 milhão, entre 2010 e 2014. Para o juiz federal Sergio Fernando Moro, que recebeu a denúncia contra Vargas e Ricardo Hoffmann, “há declarações das empresas depositantes de que a LSI e a Limiar não prestaram qualquer serviço e que os depósitos foram feitos por solicitação da Borghi/Lowe”.

Em depoimentos prestados ao juiz, Mônica Cunha, funcionária da agência de publicidade, afirmou que os depósitos nas contas da LSI e da Limiar foram feitos a pedido do chefe, no caso Ricardo Hoffman. Em sua defesa, o publicitário admitiu os pagamentos, mas afirmou que seriam como contrapartida a Vargas pela prospecção de clientes privados, embora ele nunca tivesse de fato conseguido qualquer um.

Segundo depoente do dia, o lobista Fernando Moura também optou por ficar em silêncio na CPI da Petrobras. Ele apenas negou ser filiado a partidos políticos, embora já tenha integrado os quadros do MDB, ou ter feito indicações políticas para órgãos da administração pública. Recusou, no entanto, a responder sobre sua relação com o lobista Milton Pascowitch, com o ex-diretor da Petrobras Renato Duque e com o ex-ministro José Dirceu ou explicar qual percentual recebia de propina no esquema do Petrolão.

Preso preventivamente no embalo da Operação Pixuleco, uma das fases da Operação Lava-Jato, Moura é apontado pelo Ministério Público Federal como a pessoa que representava o ex-ministro José Dirceu na Petrobras, operava propina na estatal e que teria indicado Renato Duque para a diretoria de Serviços da estatal.

Em acordo de delação premiada, o lobista Milton Pascowitch, um dos principais delatores contra José Dirceu, disse que Fernando Moura recebeu R$ 5,3 milhões em propina, distribuídos em contas em nomes dos filhos, do irmão e de um sobrinho. Também segundo Pascowitch, parte dos R$ 500 mil mensais pagos pela empresa Hope à JD Consultoria, de Dirceu, acabava nas mãos de Moura.

Ucho.info

Roubalheira petralha: Procuradoria faz nova denúncia contra André Vargas por lavagem de dinheiro

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É a segunda acusação criminal contra o ex-deputado (PT/PR); foram denunciados também seu irmão Leon Vargas e a companheira Eidilaira, por ocultação de bens no valor de R$ 480 mil

A Força-tarefa Lava Jato do Ministério Público Federal propôs nova denúncia criminal contra o ex-deputado André Vargas (PT/PR), seu irmão Leon Vargas, e sua mulher Eidilaira Soares, por lavagem de dinheiro por meio da ocultação de bens. A denúncia foi protocolada na 13ª Vara Federal de Curitiba nesta segunda-feira, 22. Esta é a segunda denúncia contra Vargas. A primeira foi proposta em 14 de maio.

Nesta nova acusação, o Ministério Público Federal afirma que Vargas, “com o objetivo de lavar parte do dinheiro gerado pelos seus crimes e não despertar a atenção das autoridades, adquiriu um imóvel de luxo em Londrina (PR) pelo seu valor de mercado (valor real), contudo registrou no contrato, na escritura pública e na declaração de imposto de renda um valor (nominal) bastante inferior ao preço real de aquisição”.

Segundo a denúncia, o ex-parlamentar pagou a diferença informalmente, “por fora, por debaixo do pano da mesa”. “Para isto, contou com a ajuda do irmão, Leon (que negociou o valor com a imobiliária), e sua companheira Eidilaira (que emprestou seu nome para a aquisição do bem)”, assinala a Procuradoria da República.

De acordo com a denúncia, Eidilaira assinou compromisso de compra do imóvel no valor de R$ 500 mil (uma entrada de R$ 20 mil seguida de uma parcela de pouco mais de R$ 303,5 mil e um financiamento dos R$ 176,5 mil restantes). No entanto, o vendedor afirmou que o imóvel foi vendido, na realidade, por R$ 980 mil. Ou seja, ocultaram o valor de R$ 480 mil.

Para o MPF, esta “manobra” foi feita para lavar parte do dinheiro gerado pelos crimes já denunciados em maio — especialmente relacionados ao esquema supostamente criminoso que envolvia contratos de publicidade entre a Borghi Lowe e dois órgãos públicos, a Caixa Econômica Federal e o Ministério da Saúde.

A Procuradoria ressalta que por esses contratos a agência deveria realizar “o estudo, o planejamento, a conceituação, a concepção, a criação, a execução interna, a intermediação e a supervisão da execução externa e a distribuição” das campanhas de publicidade do Ministério e da Caixa. “Esses contratos eram obtidos com a influência do ex-parlamentar”, afirma a força-tarefa da Lava Jato.

A Borghi Lowe selecionava produtoras que eram então subcontratadas pelos órgãos e, como intermediária, recebia cerca de 10% dos valores pagos às subcontratadas, prática conhecida no mercado como bônus de volume.

Segundo a Procuradoria, de acordo com a orientação do publicitário Ricardo Hoffmann, os bônus eram depositados nas contas das empresas Limiar Consultoria e Assessoria e LSI Soluções em Serviços Empresariais, controladas por André Vargas e seus irmãos, Leon e Milton Vargas.

As investigações comprovaram que tanto a Limiar como a LSI eram empresas de fachada, que só funcionavam para receber as vantagens indevidas prometidas ao ex-deputado pela influência na obtenção dos contratos de publicidade.

Na primeira denúncia oferecida contra Vargas, foram acusados também seus irmãos Leon e Milton e o publicitário Ricardo Hoffmann, diretor da filial de Brasília da agência de publicidade Borghi Lowe, todos pelos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção ativa e passiva.

Para o crime de lavagem de dinheiro a pena prevista é de reclusão de três a dez anos e multa. Todos os acusados nesta nova denúncia criminal da força-tarefa da Lava Jato negam a prática de lavagem de dinheiro.

Estadão Online

Roubalheira petralha – O escândalo da Petrobras se aproxima de Dilma

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Prisão do tesoureiro João Vaccari compromete o PT e agrava a situação política da presidente. O ex-dono do cofre petista é investigado por ter desviado recursos para o partido durante uma década

Por volta das 6h da manhã da quarta-feira 15, a Polícia Federal bateu à porta da casa de João Vaccari Neto em Moema, zona sul de São Paulo. O petista se preparava para sua caminhada matinal e não ofereceu resistência. Em tom sereno, pediu aos agentes alguns minutos para trocar o moletom e o tênis. Vestiu uma calça jeans, camisa social xadrez e sapatos. Numa pequena valise, que foi revistada, colocou peças de roupa íntima e material de higiene pessoal. Poucas horas depois, Vaccari foi conduzido à carceragem da PF em Curitiba, ponto de encontro dos réus do Petrolão. A prisão do até então dono do cofre do PT, seguida da revelação dos agentes da Lava Jato de que ele desviava recursos para a legenda havia 10 anos, compromete o partido e aproxima a presidente Dilma Rousseff do escândalo. A força-tarefa já tem fortes indícios de que as campanhas da petista em 2010 e 2014 foram abastecidas com dinheiro ilegal, desviado de contratos da Petrobras. Além das doações oficiais, o MPF descobriu que uma gráfica ligada ao PT foi usada para receber propina do esquema. Registrada em nome do Sindicato dos Bancários de São Paulo e do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, a Editora Gráfica Atitude fez campanha irregular para Dilma em 2010 — sendo inclusive multada pelo TSE — e, no ano passado, publicou uma série de capas de apoio à reeleição da petista.

A pista da gráfica surgiu em depoimento complementar do delator Augusto Mendonça, executivo da Setal Óleo e Gás, em 31 de março. Mendonça contou que Vaccari lhe pediu que contribuísse com pagamentos à Editora, em vez de proceder as habituais doações ao PT. A justificativa oficial seria a publicação de propaganda na Revista do Brasil. Não há, porém, registro de que tais anúncios foram publicados e nem havia interesse comercial da Setal em fazê-lo. Segundo o delator, Vaccari, entre 2010 e 2013, o procurou em três oportunidades para realizar os depósitos totalizando R$ 2,5 milhões. “Os pagamentos foram efetuados de forma parcelada, mês a mês, neste período”, disse. Para tentar conferir ares de legalidade aos repasses, todos superfaturados, foram celebrados contratos de prestação de serviços, mesmo expediente usado nos desvios das grandes obras da Petrobras. A quebra de sigilo bancário da Atitude revelou 14 pagamentos de R$ 93.850,00 no período indicado, num total de R$ 1,5 milhão.

Um dos dirigentes sindicais que administraram a gráfica suspeita é José Lopes Feijó, nomeado assessor especial da Secretaria Geral da Presidência. Feijó foi indicado na gestão de Gilberto Carvalho e permaneceu lá com Miguel Rossetto. Ex-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e dirigente da CUT, seu nome chegou a ser sondado para o Ministério do Trabalho. Além dele, também passou pelo comando da Gráfica Atitude o petista Luiz Claudio Marcolino. O sindicalista e ex-deputado estadual concorreu a deputado federal no ano passado, arrecadando R$ 2,5 milhões, dos quais R$ 580 mil oriundos de empresas encrencadas na Lava-Jato.

A Revista do Brasil é um órgão com viés partidário e sem distribuição oficial. Sua tiragem tampouco é auditada pelo mercado, sendo impossível verificar se os anúncios foram publicados e na quantidade negociada. Ela foi condenada por propaganda eleitoral irregular em abril de 2012. O TSE considerou que a publicação de outubro de 2010 enalteceu a candidatura de Dilma “em manchetes, textos e editoriais, como se a candidata fosse a mais apta a ocupar o cargo público pretendido”. A ministra relatora Nancy Andrighi acusou a revista de fazer propaganda negativa de José Serra, então candidato do PSDB à Presidência.

Para os investigadores, será necessário, agora, comprovar a veiculação dos anúncios públicos e privados na Revista do Brasil. O MPF também pedirá ao juiz Sérgio Moro a extensão da quebra do sigilo bancário, fiscal e telefônico dos sindicatos que controlam a Gráfica Atitude e de seus dirigentes. Em 2005, a CPI dos Correios descobriu caso semelhante, sugerindo que esta é uma velha maneira de operar do PT. A DNA Propaganda, de Marcos Valério, realizou depósitos na conta da Gráfica FG, ligada a uma associação sindical beneficente. A justificativa da agência para repasse foi a impressão de 1,5 milhão de folhetos informativos do Banco do Brasil. Assim como a Atitude, a Gráfica FG era dirigida por um sindicalista, Tsukassa Isawa, do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. Para o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, integrante da força-tarefa da Lava Jato, o caso da Atitude reforça a suspeita de uso de agências de publicidade para o pagamento de propina. “Isso se liga naturalmente às investigações da área de comunicação. Vamos verificar se há link com outros casos já divulgados”, disse. Lima se referia à recente prisão do ex-deputado federal e ex-secretário de Comunicação do PT André Vargas, acusado de receber propina pela intermediação de contratos da agência Borghi Lowe com órgãos públicos, como o Ministério da Saúde.

Preocupada com a extensão da denúncia, Dilma determinou que ninguém do governo se manifestasse sobre o tema. A ordem veio depois que o ministro da Defesa, Jaques Wagner, deu declarações em apoio a Vaccari. A verdade é que a presidente queria que o tesoureiro renunciasse meses atrás, mas foi vencida pelo presidente do PT, Rui Falcão, a pedido de Lula. Nesse caso, o PT jogou contra os interesses do Planalto, o que enfureceu Dilma, segundo relato de interlocutores. Logo que soube da ação da PF contra Vaccari, Dilma mandou o secretário de Comunicação do Palácio do Planalto, Edinho Silva, ficar em contato permanente com Rui Falcão e o ex-presidente Lula. Àquela altura, eles estavam reunidos na sede de seu instituto na capital paulista traçando as estratégias de reação. Na conversa, concluíram que o cenário político voltou a se agravar. Para Lula, Dilma está imersa numa piscina de ondas com pouquíssimo espaço para respirar. Resta saber até quando terá fôlego. Depois de quase cinco horas de uma conversa tensa, o presidente da legenda saiu da lá com a nota que divulgaria logo depois em que o partido expressava seu apoio a Vaccari e comunicava seu pedido de afastamento do cargo por questões “práticas e legais”.

O tom ameno da nota teve dois objetivos fundamentais. Tentar minimizar o efeito da prisão de Vaccari e evitar “perdê-lo”, nas palavras de Lula. O ex-presidente aconselhou Rui Falcão e outros dirigentes a dar todo o apoio a Vaccari, inclusive assistência jurídica. A estratégia é a mesma que a adotada com outro velho tesoureiro enrascado, Delúbio Soares, que manteve-se calado mesmo depois de ser condenado pelo STF e ir para o Presídio da Papuda. Os exemplos de Delúbio e do ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque, que até agora sofreu em silêncio, foram exaltados por Lula. Ele teme que Vaccari possa sucumbir à pressão psicológica de estar preso e resolver contar tudo o que sabe, como tem ocorrido com a maioria dos ex-executivos da Petrobras e das empreiteiras.

O maior temor no PT é de que o ex-tesoureiro não resista à prisão de seus familiares. Sua cunhada Marice de Lima, que estava foragida da polícia, se entregou na carceragem da PF, em Curitiba, na sexta-feira 17. Sua esposa Giselda Lima foi alvo de mandado de condução coercitiva para depor na PF. Como ela estava em casa e mostrou-se emocionalmente muito abalada, Vaccari convenceu os policiais a tomarem o depoimento dela ali mesmo, evitando mais exposição e desgaste. Mas ainda existe o risco de Giselda ser convocada para prestar novos esclarecimentos. O MPF descobriu que ela recebeu R$ 8,9 milhões entre 2006 e 2014. No extrato bancário dela, há movimentações atípicas. Só em 2011, a aposentada recebeu mais de R$ 1 milhão, uma média mensal de R$ 90 mil — três vezes o teto do funcionalismo público.

Para os investigadores, Giselda pode ter servido com “laranja” de Youssef. Em 2009, ela declarou à Receita Federal a compra de um apartamento em São Paulo por R$ 500 mil. A quebra de sigilo revelou que o valor pago pelo imóvel foi de R$ 650 mil, o que configuraria sonegação. Desse total, ela disse ter amealhado R$ 400 mil a partir de um “empréstimo” contraído da empresa Comércio de Produtos Agropecuários (CRA), que pertence a Carlos Alberto Costa — laranja de Youssef na CSA Project Finance — e também a Claudio Augusto Mente, amigo de Vaccari e ponte do doleiro com os fundos de pensão. Para o MPF, os R$ 400 mil podem estar relacionados ao pagamento de propina pela Toshiba para obter contratos no Comperj. Outra movimentação suspeita de Giselda é uma doação de R$ 280 mil à própria filha Nayara de Lima Vaccari. O dinheiro não circulou por sua conta corrente, tendo sido sacado em espécie direto da conta de Gisela. Valor idêntico, porém, foi depositado pela empresa Viena de Indaiatuba Inc. Imobiliária, numa operação sem lastro. “Há suspeitas fundadas de que o depósito da Viena seja pagamento de vantagem indevida, sendo que a simulação de doação serviu apenas como estratagema para legitimar o recebimento do valor na conta corrente”, diz o MPF. Além disso, relatório fiscal que embasou a prisão do tesoureiro aponta que Nayara teve “significativo incremento patrimonial”. Entre 2012 e 2013, seus bens passaram de R$ 441 mil para R$ 1,04 milhão.


Depois de se reunir com Lula, Rui Falcão anunciou o afastamento de
Vaccari da tesouraria do PT. Era tarde. As denúncias, segundo o
próprio ex-presidente, emparedam o partido e o governo

Para o Ministério Público Federal, já não há mais dúvidas de que Vaccari era o “operador financeiro da propina” do PT, muito antes de se tornar tesoureiro da legenda em 2010. A força tarefa descobriu que os repasses de propinas foram realizados a partir de 2008. “Antes mesmo de passar a ocupar o cargo de tesoureiro nacional do PT, foi responsável em conjunto com o ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque por receber em nome desta agremiação, mediante doações eleitorais, uma boa parte da propina dirigida à Direitoria de Serviços”, informa. Para o MPF, a prisão de Vaccari era necessária para “interromper a prática habitual, profissional e sofisticada de uma sucessão de crimes” e “assegurar que não exerça influências políticas que atrapalhem as investigações”. Os procuradores falam ainda do risco de que “parte das doações de 2014 das empresas investigadas na Operação Lava Jato seriam na realidade pagamento de vantagem indevida” e tomaram também como base o processo que Vaccari responde na Justiça de São Paulo por suspeita de fraudes que teriam desviado R$ 100 milhões dos cofres da Bancoop (Cooperativa de Bancários de São Paulo), um escândalo revelado por ISTOÉ em 2004. Fruto da contribuição dos cooperados e de investimentos da Funcef e da Previ, o dinheiro deveria ter sido usado para a construção de unidades habitacionais pela construtora OAS. Embora tenha dado o calote em quase 3 mil associados, a empreiteira entregou os apartamentos de dirigentes do PT, incluídos aí Vaccari e sua cunhada Marice Correia de Lima, além do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que comprou um apartamento no Guarujá.

Para a oposição, a prisão de Vaccari torna a situação de Dilma ainda mais delicada. O líder do PSDB na Câmara dos Deputados, Carlos Sampaio (SP), disse que o PT “é financiado pelo crime”. “Isso complica a situação da presidente Dilma porque evidencia que ela se beneficiou do esquema de corrupção na Petrobras”, diz. O senador e presidente nacional do PSDB, Aécio Neves, classificou a situação como “o mais triste retrato de um partido político que abdicou de um projeto de país para se manter a qualquer custo no poder”. Já o líder do DEM na Câmara dos Deputados, Mendonça Filho (PE), disse que a prisão comprova “que a corrupção na Petrobras tinha como finalidade o uso dos recursos desviados para financiamento ilegal de financiamento de campanha do PT e aliados”. Em razão da denúncia, Mendonça defende a cassação do registro do partido. O cerco sobre Dilma e o PT se fecha.

Claudio Dantas Sequeira
ISTOÉ Online

Roubalheira petralha: Empresa do bandido André Vargas faturou R$ 50 milhões com a Caixa de forma fraudulenta

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Preso nesta sexta-feira na 11ª etapa da Operação Lava Jato, o ex-deputado federal André Vargas (ex-PT-PR) faturou pelo menos 50 milhões de reais em contratos com a Caixa Econômica Federal com a ajuda de seus irmãos Milton e Leon — o dinheiro é resultado de contratos firmados entre o banco e a empresa IT7 Sistemas, da qual Leon Vargas foi sócio. O Ministério Público Federal investiga se os serviços contratados pela Caixa foram, de fato, prestados. Os investigadores destacaram que o ex-deputado é apontado como responsável pela indicação de Clauir dos Santos para gerente de marketing da Caixa Econômica Federal. Os tentáculos de Vargas na Caixa e no Ministério de Saúde só começaram a ser investigados no mês passado, com o retorno dos inquéritos de ex-parlamentares do Supremo Tribunal Federal.

Além do faturamento direto na conta bancária, as empresas da família de Vargas também receberam pagamentos da Caixa Econômica Federal e do Ministério da Saúde por meio de contratos com a agência Borghi/Lowe com o banco público. Ricardo Hoffmann, representante da agência, também preso nesta sexta-feira.

O esquema do ex-deputado petista nas verbas de publicidade lembra o escândalo do mensalão, quando mais de 70 milhões de reais saíram do Banco do Brasil para a agência do operador Marcos Valério. Na operação Lava Jato, descobriu-se que Hoffmann, ex-marqueteiro do senador Roberto Requião (PMDB), utilizava a subcontratação de outras empresas, como produtoras de vídeo, para produzir peças publicitárias para a Caixa Econômica Federal e o Ministério da Saúde — mas providenciava, em pedidos atendidos pelas empresas terceirizadas, que cerca de 10% de cada contrato da Borghi/Lowe com a subcontratada fossem depositados nas empresas Limiar e LSI, de Milton e Leon Vargas.

Ex-vice-presidente da Câmara dos Deputados e ex-secretário de Comunicação do PT, Vargas chegou a ser sócio de uma das empresas da família que recebeu pagamentos. Ou seja, o dinheiro saía dos cofres públicos, passava para a agência de Hoffman e, ao fim, chegava ao ex-deputado. “Essas empresas repassavam recursos para o André Vargas e recebiam notas fiscais por isso. Mas os serviços não foram prestados”, afirmou o procurador regional da república Carlos Fernando dos Santos Lima, da força-tarefa da Operação Lava Jato em Curitiba.

A Receita Federal questionou essas empresas sobre os pagamentos que fizeram para firmas da família Vargas. Várias informaram que Hoffmann exigia, até por escrito, que a comissão pela contratação da terceirizada, chamada no mercado de bônus por volume, fosse transferida não para a Borghi/Lowe, mas sim para as contas bancárias das empresas do ex-deputado. Diversas empresas responderam aos fiscais da Receita Federal que não houve serviço prestado pelas empresas de Vargas e que os recursos só foram depositados, a título de bônus por volume, por pedido de Hoffmann.

O Ministério Público Federal ainda rastreia os pagamentos. Tiveram os sigilos fiscal e bancário quebrados pelo juiz Sérgio Moro não só duas empresas da Borghi/Lowe, mas também as terceirizadas: Enoise Estudios, Luiz Portella Produções, Sagaz Digital, Zulu Filmes, BH Serviços de Comunicação e a Conspiração Filmes.

Vargas já era investigado por suspeita de tráfico de influência no Ministério da Saúde, onde atuou para que o laboratório de fachada Labogen fosse agraciado com uma parceria para faturar mais de 50 milhões de reais com a venda de medicamentos fabricados em parceria com a farmacêutica EMS e o Laboratório da Marinha. Também teve a conduta analisada na compra de um imóvel por cerca de um milhão de reais, em Londrina, no Paraná, cuja aquisição foi declarada à Receita Federal pela esposa do ex-deputado por 500 mil reais. Os fiscais constataram que Vargas não tinha como comprovar a origem dos pagamentos omitidos do Fisco.

Ele foi um dos primeiros deputados que teve descoberta a parceria com o doleiro Alberto Youssef, pivô do esquema de corrupção na Petrobras investigado pela Lava Jato. Por isso, a operação desta sexta-feira foi batizada de Origem. Também foram presos nesta etapa da operação os ex-deputados Pedro Corrêa e Luiz Argôlo, outros velhos parceiros de negócios escusos do doleiro.

Veja Online

Petrolão petralha: Relatório alternativo da oposição pede indiciamento de Graça Foster e outros pilantras na roubalheira da Petrobras

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OPOSIÇÃO É PRA FAZER OPOSIÇÃO!
Deputados Antônio Imbassahy e Carlos Sampaio (PSDB) em primeiro plano; ao fundo (à esquerda), Onix Lorenzoni (DEM), organizam relatório da oposição na CPMI da Petrobras

O deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP) acaba de apresentar à CPI Mista da Petrobras um relatório alternativo da oposição. A proposta, de 165 páginas e mais 360 de anexos, pede o indiciamento da atual presidente da estatal, Graça Foster.

Também foram incluídos outros acusados de envolvimento no esquema de corrupção na empresa, como o doleiro Alberto Youssef, o ex-diretor de Abastecimento Paulo Roberto Costa, o deputado cassado André Vargas (sem partido-PR), o deputado Luiz Argôlo (SD-BA) e representantes de empreiteiras.

Os oposicionistas consideram que Graça Foster praticou o crime de falso testemunho quando negou à CPI Mista que soubesse de denúncias referentes ao pagamento de propina a funcionários da estatal pela empresa holandesa SBM Offshore.

Para eles, a executiva também tinha conhecimento e deixou de cumprir sua obrigação em relação às denúncias de superfaturamento nas obras da Refinaria de Abreu e Lima — daí a existência do crime de prevaricação.

Os parlamentares também pedem o afastamento de Graça Foster e dos demais diretores e conselheiros da Petrobras.

"Tais medidas tornam-se necessárias para que as investigações internas da Petrobras, da Polícia Federal e da nova CPI que deverá ser instalada no próximo ano legislativo, possam ser realizadas sem a influência nefasta desses gestores que, de alguma forma, viram-se envolvidos em toda essa trama criminosa", justificou Sampaio.

O voto em separado lido por Carlos Sampaio não é a única alternativa ao relatório produzido pelo relator Marco Maia (PT-RS). O deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS) também apresentou um texto alternativo em que pede o afastamento de Graça Foster e da diretoria da estatal.

Agência Senado

Manobra petralha falha, e CCJ da Câmara dá aval à cassação do bandido André Vargas

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Parceiro do doleiro Alberto Youssef em negociatas, parlamentar contou com apoio do PT, seu ex-partido, para protelar a votação do caso seis vezes na comissão — agora, falta só a chancela do plenário

Na sétima tentativa, a manobra do PT para tentar salvar o mandato do deputado paranaense André Vargas não funcionou. Nesta terça-feira, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados rejeitou o recurso apresentado há quase três meses contra decisão do Conselho de Ética que determinava a perda do mandato do parlamentar por quebra de decoro. Agora, o processo segue para votação aberta em plenário.

A negativa do recurso ocorreu após ampla campanha articulada pelo PT para salvar Vargas da cassação. O deputado desfiliou-se do PT em abril para minimizar o impacto do seu envolvimento com o doleiro Alberto Youssef, pivô de um megaesquema de lavagem de dinheiro nas campanhas eleitorais do partido neste ano. Porém, mesmo desfiliado, Vargas compareceu à reunião da Executiva do partido realizada há uma semana, em Brasília.

Para ajudar Vargas, o PT colocou uma desavergonhada manobra que levou a CCJ, a comissão mais importante da Câmara, a ficar paralisada desde setembro. Depois de sucessivas articulações para esvaziar a sessão, um ex-aliado do parlamentar apresentou nesta tarde parecer que ajudaria Vargas a alcançar o seu principal objetivo: deixar a Casa impunemente.

No entanto, apesar da resistência petista, a CCJ seguiu o parecer do deputado Sérgio Zveiter (PSD-RJ), que avaliou que em todo o procedimento disciplinar “trilhou-se o estreito caminho da constitucionalidade e legalidade”. “Não houve qualquer ato do conselho ou de seus membros que tenham contrariado norma constitucional, legal, regimental”, disse no relatório. Na última possibilidade regimental de protelar o caso antes de ser levado ao plenário, Vargas acionou a CCJ alegando que teve o direito de defesa cerceado pelo conselho — embora tenha fugido das intimações do colegiado e se recusado a prestar depoimento já na reta final das investigações.

Última cartada

Pelas mãos do deputado José Mentor (PT-SP), foi apresentado nesta terça-feira parecer que atendia ao pleito de Vargas e defendia que o caso retornasse para o Conselho de Ética para contornar supostas falhas regimentais. A estratégia de Vargas era voltar a ganhar tempo no desfecho de seu processo de cassação, já que, embora o mandato dele se encerre no final de janeiro, a Casa entra em recesso em dezembro, o que inviabilizaria a votação do caso em plenário. Se conseguir escapar da cassação, ele não será enquadrado na Lei da Ficha Limpa, que o tornaria inelegível por oito anos. Ou seja: na prática, se não sofrer condenações judiciais, ele já poderia disputar as eleições de 2016.

Em votação simbólica, oito deputados se posicionaram a favor de Vargas — sete deles do PT: Nelson Pellegrino (PT-BA), Geraldo Simões (PT-BA), Marcos Medrado (SD-BA), José Guimarães (PT-CE), Décio Lima (PT-SC), João Paulo Lima (PT-PE), Emiliano José (PT-BA) e Francisco Chagas (PT-SP). O deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), que teve de sair antes do fim da sessão, também declarou posição favorável ao colega, embora não tenha conseguido computar o voto.

“O mandato de qualquer parlamentar eleito pelo voto não pode ser descartado sumariamente. Nem mesmo para atender um ou alguns deputados, partidos ou órgãos da mídia, nem mesmo o clamor do momento. Nós precisamos ter o direito de defesa”, disse José Mentor em defesa de Vargas. O relator rebateu: “Nós trabalhamos dentro de todos os limites necessários para que não pudesse parecer que estamos aqui como algozes de um colega. Basta ver que estamos na sétima sessão para reunir a CCJ. Nunca vi essa comissão ficar tanto tempo com a pauta trancada para examinar um processo”, disse Sérgio Zveiter.

Veja Online

Escândalo da Petrobras: Contadora afirma que Youssef se reuniu com Renan e Vargas para ter acesso a fundos de pensão

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Meire Poza afirmou que, cinco dias antes de ser preso, o doleiro se reuniu com o presidente do Senado e fechou um acordo verbal ajudado por deputado federal

Depoimento colhido pela Polícia Federal na investigação da Operação Lava-Jato indica que parlamentares do PT e do PMDB negociaram com o doleiro Alberto Youssef para que ele fechasse negócios com os fundos de pensão dos Correios, o Postalis, e da Caixa Econômica Federal, o Funcef. Em troca de apoio político para o fechamento do negócio com os fundos, haveria uma partilha de comissões com integrantes dos dois partidos. O negócio só não se concretizou porque o doleiro foi preso. Em maio deste ano, O GLOBO revelou que a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) havia aberto investigação para apurar operações fraudulentas ligadas ao Postalis.

Na época, a reportagem identificou uma delas: um aporte de R$ 40 milhões, de 19 de dezembro de 2012, no Banco BNY Mellon por meio da gestora DTW Investimento LTDA, que teria sido direcionado pelo ex-diretor da fundação Ricardo Oliveira Azevedo após influência de Youssef, e dos donos da Tino Real Participação, Maria Thereza Barcelos da Costa e Eric Davi Bello, alvos da Operação Lava-Jato da Polícia Federal.

Segundo relato à PF da contadora Meire Poza, ex-funcionária do grupo de Alberto Youssef, em 12 de março deste ano, cinco dias antes de ser preso, o doleiro se reuniu com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), em Brasília, e fechou um acordo verbal para ser beneficiado com R$ 50 milhões dos dois fundos de pensão. O deputado André Vargas (sem partido-PR) teria ajudado na articulação com a ala petista dos fundos de pensão.

Comissão de 10% aos ‘corretores’

Meire Poza disse ainda que o acordo renderia uma comissão de 10%, R$ 5 milhões, aos “corretores” do negócio. Esses corretores seriam os intermediários que fariam chegar o dinheiro aos partidos. Mas não está claro qual o percentual dos R$ 50 milhões que seria destinado aos políticos. Youssef foi preso no dia 17 de março, no Maranhão, e a transação não se efetivou.

Renan e Vargas negam qualquer vínculo com as tratativas do doleiro. Segundo o relato de uma das pessoas que está participando das investigações da Operação Lava-Jato, Youssef estava precisando de muito dinheiro e tentou convencer o Postalis e o Funcef a investirem R$ 50 milhões em ações em uma de suas empresas, a Marsans Brasil.

Diante da resistência de dirigentes dos fundos vinculados ao PMDB, Youssef teria procurado apoio de Renan na noite de 12 de março. Dois dias depois, num café da manhã, em São Paulo, ele comemorou com Meire Poza a futura entrada do dinheiro que poderia aliviar parte dos problemas financeiros da Marsans. “Ele (Youssef) me disse que esteve com o Renan para ajustar a parte do Postalis, que tinha conseguido os R$ 50 milhões em debêntures para a Marsans”, relatou a contadora a policiais. Pelo suposto acerto, o Postalis faria um aporte de R$ 25 milhões, e a outra parte, de igual valor, caberia ao Funcef.

A contadora disse à Polícia Federal que o doleiro pagaria comissão de 10% do valor do aporte para os corretores credenciados para esse tipo de transação. O valor é bem superior às cifras pagas pelo mercado nesses tipos de transação que, segundo ela, ficam em torno de 3%. A suspeita levantada é que parte do dinheiro seria destinado a campanhas eleitorais.

Meire Poza prestou depoimento no início de agosto. As informações deverão ser encaminhadas ao ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal, como parte das informações colhidas nas colaborações feitas pelos investigados. Caberá ao ministro decidir se as acusações têm fundamento e se polícia deve aprofundar a investigação do caso.

Procurado pelo GLOBO por intermédio da assessoria, Renan Calheiros negou que tenha recebido Youssef, disse que não o conhecia e que ficou sabendo do caso pela imprensa. André Vargas também negou qualquer vínculo com as negociações de Youssef com o Postalis e o Funcef. Vargas já reconheceu que é amigo de Youssef há muitos anos, mas disse que não conhece e não tem qualquer relação com dirigentes dos dois fundos.

— Não conheço ninguém no Postalis. Nunca estive lá e nem sei onde fica. Ele (Youssef) nunca tratou desse assunto comigo. Isso é lorota — disse Vargas.

O GLOBO tentou, sem sucesso, falar com o presidente do Postalis, Antonio Carlos Conquista. A assessoria não retornou a ligação. Ainda na 1ª fase das investigações da Lava-Jato, o Funcef reconheceu que Youssef tentou, mas não conseguiu, fazer um negócio com a instituição.

Teori Zavascki é relator das investigações já abertas contra os deputados André Vargas, Luiz Argôlo (SDD-BA) e contra o senador Fernando Collor de Mello (PTB-AL), acusados de receber vantagens materiais de Youssef. Meire foi contadora de Youssef de 2011 até março deste ano, quando a Operação Lava-Jato implodiu os negócios do doleiro. Num outro depoimento, a contadora relata que o doleiro intermediou o pagamento de R$ 4,6 milhões em propina para o governo do Maranhão antecipar o pagamento de um precatório de R$ 120 milhões da Constran.

Lavagem de dinheiro de empreiteiras

O advogado Carlos Alberto Pereira da Costa, ex-diretor jurídico da Marsans e da GFD, outra empresa de Youssef, decidiu colaborar com as investigações da PF e do Ministério Público Federal. Ele relatou como funcionava a GFD. Youssef teria criado a empresa para administrar parte de seus negócios lícitos. Mas, depois, passou a usar a empresa na estrutura de lavagem de dinheiro de empreiteiras com contratos com a Petrobras.

Com as colaborações de Meire, Pereira, Leonardo Meirelles, um dos sócios de Youssef no laboratório Labogen, e mais recentemente do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, investigadores acreditam que não restará outra alternativa ao doleiro senão aceitar a delação premiada. O volume de informações contra o doleiro, o ex-diretor da Petrobras e algumas grandes empreiteiras é expressivo. Youssef e Costa são acusados de chefiar duas grandes estruturas de desvio de dinheiro.

Costa é suspeito de intermediar contratos da Petrobras em negócios articulados entre grandes empreiteiras, prestadores de serviço e políticos. Na delação premiada, Costa disse que 3% de cada contrato da estatal eram destinados a políticos.

O Globo Online

Bandidagem petralha – Conselho de Ética aprova cassação de André Vargas

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Os membros do Conselho de Ética da Câmara articularam a indicação de última hora de dois parlamentares e conseguiram aprovar a cassação do deputado André Vargas (sem partido-PR). Ex-petista, Vargas é acusado de envolvimento com o doleiro Alberto Youssef, preso pela Polícia Federal no âmbito da operação Lava Jato, que investiga um esquema de lavagem de dinheiro suspeito de movimentar cerca de R$ 10 bilhões.

Para ser confirmada, a perda de mandato de Vargas precisará ainda ser votada pelo plenário da Casa, mas parlamentares consideram improvável que isso aconteça antes das eleições. O ex-petista não compareceu à reunião da tarde desta quarta-feira.

Sem quórum para deliberar sobre o relatório que recomendava a perda do mandato de Vargas, o relator Júlio Delgado (PSB-MG) e o presidente Ricardo Izar (PSD-SP) mobilizaram a nomeação de novos conselheiros para garantir o número mínimo de votantes. O PSD indicou o líder do PPS Rubens Bueno (PR) para uma vaga em aberto e o deputado Mandetta (DEM-MS) — ausente da Câmara hoje — renunciou ao seu lugar no colegiado para que o pessebista Pastor Eurico (PE) pudesse ocupá-lo.

Dessa forma, o pedido de cassação de Vargas foi aprovado pela unanimidade dos presentes, com 11 votos a favor. O advogado Michel Saliba, que representa o ex-petista, afirmou que as nomeações de última hora configuraram vícios no processo e anunciou que recorrerá à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). "A composição do Conselho era uma (no início da reunião) e a votação se dará com outros deputados, o que nos surpreende", disse na reunião.

A ligação de Vargas com Youssef veio a público quando foi revelado, no início do ano, que ele pegou carona em um jatinho do doleiro. Ele é apontado, ainda, nas investigações como o responsável por indicar um ex-assessor do Ministério da Saúde para trabalhar no Labogen, laboratório que, de acordo com a PF, centralizava o esquema de lavagem de dinheiro comandado por Youssef. O laboratório havia fechado uma parceria com a pasta para o fornecimento de remédios, operação desfeita após a investigação da PF. Vargas nega ter intermediado essa indicação.

Em seu parecer, apresentado no início de agosto, Júlio Delgado argumentou que Vargas se insere no contexto de uma "imensa rede criminosa especializada na lavagem de dinheiro e na evasão de divisas". "O deputado representava, perante a administração pública federal, os interesses das empresas controladas por Alberto Youssef e seus testas-de-ferro", disse. Ao final de seu relatório, o socialista, cujo partido disputa a presidência da República, também criticou o PT e fez uma comparação com o escândalo do mensalão. "Vêm à tona novos fatos que dão conta de que a Hydra de Lerna chamada corrupção está viva e espalhou cabeças pelos mais diversos órgãos da administração pública federal", concluiu, em referência ao animal da mitologia grega.

Estadão Online

Escândalo da Petrobras: STF decide devolver para Justiça Federal do Paraná ações da Lava Jato

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Só permanecerá no Supremo investigação sobre o deputado André Vargas. Operação da Polícia Federal desmontou esquema de lavagem de dinheiro

Os ministros da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiram nesta terça-feira (10), por unanimidade (cinco votos a zero), devolver para a Justiça Federal do Paraná as oito ações penais e as investigações referentes à Operação Lava Jato que estavam na Corte. Para os magistrados, não há relação entre os processos e o deputado federal André Vargas (sem partido-Paraná).

Conforme a decisão, permanecerá no Supremo somente o trecho que trata do envolvimento do parlamentar com o doleiro Alberto Youssef, acusado de liderar esquema de lavagem de dinheiro que envolveu mercado clandestino de câmbio e movimentou cerca de R$ 10 bilhões.

O parlamentar do Paraná é suspeito de fazer tráfico de influência em favor das empresas de Youssef. Investigações da Polícia Federal apontaram que os dois atuaram juntos para fechar um contrato milionário entre uma empresa de fachada e o Ministério da Saúde.

Com a decisão tomada nesta terça, as investigações da Lava Jato que estavam paralisadas no Paraná à espera de decisão do Supremo terão prosseguimento.

Além disso, a Segunda Turma também validou todos os atos praticados pelo juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara da Justiça Federal. Caberá a Moro analisar se mantém ou não as prisões referentes à Lava Jato.

Os ministros não chegaram a citar os casos de outros parlamentares apontados como suspeitos de envolvimento com o doleiro, como Luiz Argôlo (SDD-BA). O relator do caso, Teori Zavascki, destacou que em relação a outros parlamentares não há indícios de envolvimento com o doleiro e, caso as investigações identifiquem ligação suspeita, o trecho deve ser imediatamente encaminhado ao Supremo.

A Operação Lava Jato foi deflagrada em março e 13 pessoas foram presas. O grupo foi acusado de lavar dinheiro para o tráfico de drogas e de recursos públicos desviados. Deles, somente o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa está em liberdade. Em depoimento à CPI da Petrobras nesta terça, Costa negou envolvimento com o esquema.

Após a deflagração da operação, documentos e interceptações telefônicas da Polícia Federal apontaram relação entre o doleiro Alberto Youssef e o deputado federal André Vargas. Paulo Roberto Costa entrou com pedido no Supremo argumentando que a Justiça do Paraná não tinha competência para atuar no caso em razão do envolvimento de parlamentar.

O ministro Teori Zavascki considerou que havia indício de que o juiz feriu a competência do Supremo e decidiu suspender ações e investigações. Zavascki determinou a remessa de todos os documentos, inquéritos e ações para o STF e também mandou soltar Paulo Roberto Costa.

Ao analisar os documentos que foram enviados pela Justiça Federal do Paraná, os ministros decidiram que apenas ficará o trecho que tem envolvimento com André Vargas porque a Constituição estabelece que somente devem ser julgados na Suprema Corte parlamentares com foro privilegiado.

Legalidade das investigações

O minstro Teori Zavascki destacou que no dia 17 de abril, quase um mês depois de deflagrada a operação, a Polícia Federal e a Justiça Federal do Paraná identificaram a ligação de Vargas com Youssef. Para ele, portanto, tudo o que foi realizado até o dia 17 de abril foi dentro da legalidade uma vez que não se tinha conhecimento de envolvimento de parlamentar com foro no Supremo.

Zavascki destacou ainda que as decisões tomadas após 17 de abril foram baseadas em provas obtidas antes daquela data e também estão dentro da legalidade.

O ministro Teori Zavascki ressaltou que cabe ao Supremo avaliar o que deve ou não ficar no tribunal, e não ao juiz de primeira instância decidir o que vai enviar à Suprema Corte. "Tem que mandar para cá e o Supremo é quem faz a análise." Ele destacou que quis analisar todo o processo "por cautela". "Fiquei em dúvida porque as informações do juiz não me davam segurança."

Celso de Mello concordou. "Cabe ao Supremo Tribunal Federal decidir ou não da possibilidade do desmembramento [separar o processo], não ao juiz federal ou estadual. […] A competência é do Supremo, não cabe a outro órgão judiciário manter a ação em relação a terceiros, que não têm prerrogativa de foro, e enviar ao Supremo cópia do que se referir a autoridade com foro."

Portal G1

Vai pra casa, petralha – PF vê influência de doleiro sobre Padilha

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Em mensagem interceptada pela polícia, Youssef diz a parceira de esquema que, se ex-ministro for eleito governador, ajudaria ‘e muito’

A Polícia Federal aponta “influência política” do doleiro Alberto Youssef — alvo maior da Operação Lava Jato — sobre o ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha, pré-candidato ao governo de São Paulo pelo PT. A suspeita decorre de diálogo interceptado pela PF, entre Primo, como Youssef é conhecido, e a doleira Nelma Mitsue Penasso Kodama, no dia 5 de março, através de um aplicativo de mensagem instantânea.

Ela questiona Youssef se ele “tem acesso atualmente” ao delegado-geral da Polícia Civil paulista e cita o nome Maurício Blazeck, que ocupa o cargo desde novembro de 2012. Nelma diz que “queria um cargo para um amigo” dela no Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic).

“Se o Padilha ganhar o governo ajudo ele e muito”, respondeu o doleiro. Para a PF, o diálogo grampeado “indica possivelmente que (Youssef) tem influência política junto ao candidato ao governo de São Paulo, Alexandre Padilha”.

“Tá bom. Eu quero então acesso ao delegado geral de sp prá um cargo”, finalizou Nelma.

Em outro momento, ela solicita a Youssef que entre em contato através do skype e indica o contato: ‘joaquina_apazza”. A PF conclui que os dois “possivelmente passaram a conversar através deste dispositivo”.

Labogen

Padilha não é investigado pela Lava Jato, mas o nome dele é citado em outros documentos da PF. No relatório principal, que resultou na ordem de prisão de Youssef e seu grupo, os investigadores revelam o empenho do doleiro para emplacar o laboratório Labogen Química Fina em negócio milionário da Saúde, na gestão do petista. A PF juntou aos autos cópia do projeto de Parceria de Desenvolvimento Produtivo (PDP) do ministério e anexou uma fotografia do ex-ministro em um evento.

Em um relatório, a PF transcreve diálogos entre o doleiro e o deputado André Vargas, que se desfiliou do PT na sexta feira. Numa conversa com Youssef, o parlamentar diz que foi Padilha quem indicou um ex-assessor na Saúde para ocupar cargo no Labogen.

A nova citação a Padilha consta de relatório complementar de monitoramento telemático número 8/14. O trecho em que Nelma indaga Youssef se ele tem acesso ao delegado a PF intitulou “influência governo São Paulo”. O grampo alcançou 512 mensagens entre Youssef, que se identifica por ‘Jaiminho’, e Nelma no período de 28 de fevereiro a 14 de março, no âmbito da Operação Dolce Vita, desdobramento da Lava Jato – foram quatro investigações simultâneas, cada uma relacionada a um grupo de doleiros.

Youssef foi preso no dia da deflagração da Lava Jato, 17 de março. Nelma foi capturada dois dias antes no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, quando tentava embarcar para Milão (Itália), com 200 mil escondidos na calcinha.

Multiconta

As interceptações revelam intensa atividade dos dois doleiros. No dia 28 de fevereiro, Youssef solicitou a Nelma “orçamento” para compra de US$ 80 mil. Ela pergunta se o pagamento “será feito em reais em espécie ou se através de transferência bancária”. Em 6 de março, ele diz que precisa comprar US$ 300 mil e pergunta se ela “tem alguma conta disponível na Europa”.

Nelma diz que tem uma conta na China que aceita depósito de euros. Youssef diz que o valor total é de 1,15 milhão. Ela sugere depositar 150 mil em conta sua na Itália e o restante em uma conta na China. “É uma multiconta, não tem problema depósito em euros”, ela diz.
A Justiça Federal abriu ação contra Nelma, “grande operadora do mercado negro de câmbio”. A soma da movimentação financeira de suas empresas de fachada atingiu R$ 103 milhões, entre 2012 e 2013, segundo o Conselho de Controle de Atividades Financeira (Coaf). A Procuradoria da República afirma que a doleira era “líder do grupo criminoso, mandante e executora dos crimes financeiros”.

Medidas legais

O ex-ministro Alexandre Padilha (PT) afirmou, em nota enviada por sua assessoria à reportagem, que “não irá comentar diálogos de terceiros e reitera que irá interpelar judicialmente qualquer pessoa que utilizar indevidamente seu nome”. “O ex-ministro já protocolou na Polícia Federal o requerimento para obter o relatório na íntegra e tomar medidas legais.”

A assessoria informou que o advogado Marcelo Nobre, que representa Padilha, protocolou em cartório interpelação solicitando esclarecimentos ao deputado federal André Vargas (sem partido-PR) para que explique “o uso indevido do nome de Alexandre Padilha em mensagem escrita por ele, e interceptada pela Polícia Federal”. “As medidas são mais uma demonstração da seriedade e da transparência com que Alexandre Padilha tem tratado a questão do envolvimento indevido do seu nome na operação da PF, mesmo sem ter nenhuma acusação ou denúncia contra ele.”

O presidente do PT paulista, Emídio de Souza, afirmou ser “uma excrescência” chamar Padilha para responder sobre um diálogo entre doleiros tratando de cargos no Estado.

O delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo, Luiz Maurício Blazeck, disse, em nota “que não conhece nem teve contato com nenhum dos doleiros”.

Estadão Online