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Archive for fevereiro 6th, 2016

Roubalheira petralha: Lava Jato chega ao gabinete da pior presidente do Brasil

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As razões que levaram Dilma a exonerar Anderson Dorneles, que a acompanhava desde os 13 anos. PF suspeita de sociedade oculta em bar ligado a empreiteira do Petrolão. Documentos mostram que dono trabalhou na Casa Civil e advogou para o assessor demitido

Foi difícil para a presidente Dilma Rousseff assinar, na segunda-feira 1, a exoneração de Anderson Dorneles, gaúcho de 36 anos, da Presidência. Mais do que um assessor, Dorneles — a quem ela se referia como “menino” — era uma espécie de faz-tudo da presidente havia mais de uma década. Os dois se conheceram quando Dorneles tinha 13 anos e trabalhava com office-boy da Fundação de Economia e Estatística do Rio Grande do Sul, dirigido na ocasião por Dilma. Desde então, ela resolveu adotá-lo: carregou o menino para todos os órgãos em que trabalhou até chegar à Presidência. No Planalto, era o cara da maçaneta, um dos poucos autorizados a abrir a porta do gabinete de Dilma sem precisar ser anunciado, e o único a ter acesso ao celular da presidente.

Oficialmente, a saída de Dorneles é atribuída a um motivo estritamente pessoal: ele vai casar e morar com a mulher em sua terra natal, Porto Alegre. A cerimônia está marcada para o dia 26 de março. As razões que o levaram a deixar o Planalto, no entanto, vão muito além das questões nupciais. Guardam relação com as investigações da Lava Jato. Nos próximos dias, o acordo de delação premiada com a empreiteira Andrade Gutierrez, envolvida com o esquema do Petrolão, pode ser homologado. A PF suspeita que Dorneles possa ser um importante elo entre a empreiteira e o Planalto.

Para os investigadores, existem fortes indícios de que, para azeitar a relação com o afilhado de Dilma, a Andrade o presenteou com o Red Bar, um restaurante inaugurado no estádio Beira-Rio em novembro do ano passado. No contrato social da empresa, Dorneles não figura como dono do empreendimento, mas há indicações que apontam para uma sociedade oculta entre ele, o advogado Douglas Franzoni Rodrigues e o empresário do setor de automóveis no Rio Grande do Sul, Jaime Menezes Sobrinho, estes últimos os donos oficiais do bar, segundo documento de constituição da empresa, cujo nome fantasia é “JD”.


A MALA PESOU
Possíveis ligações de Anderson Dorneles com empreiteira do Petrolão fez com que Dilma o demitisse

A PF já apurou junto a testemunhas que, na noite de 20 de novembro, quando o bar foi inaugurado num evento de cinco horas de duração, o afilhado de Dilma, sempre ao lado de Franzoni e Menezes, se portava como anfitrião. Animado e muito solícito, recebeu cumprimentos dos convidados e posou para fotos em frente ao local. Há mais elementos que reforçam a ligação do ex-assessor palaciano — e da própria Dilma — com Douglas Franzoni. ISTOÉ levantou que o advogado que aparece como dono do Red Bar foi nomeado para a Casa Civil em setembro de 2005, meses depois de Dilma assumir o posto no lugar de José Dirceu, àquela altura apanhado no mensalão. Franzoni foi designado para função comissionada na Secretaria de Controle Interno da Casa Civil, órgão responsável pelas boas práticas na administração pública. Formado em Direito, Franzoni se transferiu em agosto de 2007 para a Consultoria Jurídica do Ministério de Minas e Energia, época em que também atuou como advogado da Eletronorte, duas áreas sob a influência de Dilma e de sua ex-auxiliar Erenice Guerra.

Documentos obtidos por ISTOÉ também mostram que, além da amizade germinada em terras gaúchas e florescida em Brasília, o advogado Franzoni assumiu a defesa de Anderson em pelo menos duas causas de interesse particular na Justiça brasiliense. A reportagem não localizou Franzoni para comentar o caso. ISTOÉ pediu à Presidência esclarecimentos sobre a exoneração de Dorneles e suas relações com o advogado. Não houve resposta.

A saída de Dorneles do Planalto foi oficializada na última semana, mas a decisão já havia sido tomada em setembro do ano passado, no rastro de uma série de reuniões que teve como palco os principais gabinetes da República — sempre acompanhada pelo assessor de Dilma, Giles Azevedo, a quem Dilma confia as mais espinhosas missões. Na ocasião, Dilma já sabia do bar e não queria encrenca próximo de seu gabinete. Sobretudo porque é notório que a presidente se empenhou pessoalmente para, em meio aos atrasos no cronograma de obras dos estádios da Copa, liberar o dinheiro que financiaria a obra do Beira-Rio, de responsabilidade da Andrade Gutierrez, uma das empreiteiras investigadas pela força-tarefa da Operação Lava Jato.

A burocracia só foi resolvida depois que ela pediu ao presidente do BNDES, Luciano Coutinho, que acabasse com o impasse. O desenlace permitiu que, em fevereiro de 2014, a petista conseguisse inaugurar o Beira-Rio, com a participação do então governador gaúcho, Tarso Genro (PT), do então secretário-geral da Federação Internacional de Futebol, Jérôme Valcke, e do pentacampeão Ronaldo Fenômeno. Um ano depois, como explicar a ligação de seu afilhado com um bar que teria sido ofertado pela Andrade Gutierrez justo no Beira-Rio? A saída foi tirar o bode da sala. Claro que nem todos os rastros foram apagados.

Segundo auxiliares da presidente, a exoneração de Dorneles foi a mais sentida por ela desde a eleição para presidente. A relação de confiança entre os dois remontava aos anos 90. Depois de trabalhar com Dilma como office boy na Fundação de Economia e Estatística do Rio Grande do Sul, Dorneles foi levado por ela para a Secretaria de Energia, Minas e Comunicação (SEMC) do Rio Grande do Sul, na administração do ex-governador Olívio Dutra. Fez parte de um grupo encarregado de estudar a energia eólica na SEMC. Os estudos de alternativas a fontes não renováveis como petróleo e carvão mineral renderam a ele um lugar ao sol na Esplanada dos Ministérios, quando o PT venceu as eleições de 2002. Em 31 de janeiro de 2003, Dilma o nomeou assessor do então secretário-executivo da pasta, Maurício Tolmasquim. Em junho de 2005, quando Dilma foi para a Casa Civil em substituição a Dirceu, Dorneles foi junto. Não poderia ser diferente quando ela ascendeu à Presidência, em 2010. Desde que chegou ao governo, o afilhado desfrutava como ninguém do dia a dia de Dilma.

Foi Dorneles quem atendeu o telefonema do médico Roberto Kalil, do Hospital Sírio-Libanês, no dia em que a então candidata à Presidência da República soube que tinha um tumor. Ouvia a maioria das broncas presidenciais, algumas delas em decibéis inaceitáveis para os níveis impostos pela Lei do Silêncio na capital federal. Ele costumava se gabar de que não tinha vida social e que se dedicava 24 horas a chefe, mas conseguia dar lá suas escapadas, uma delas durante o carnaval em Salvador enquanto a petista descansava na base militar de Aratu. No Planalto, o “menino” cuidava do celular e do tablet da chefe, filtrando os contatos e barrando quem a importunava em horários impróprios.

Segundo apurou ISTOÉ, empreiteiros escreviam e-mail diretamente para Anderson, quando queriam falar com a presidente. Desfrutar da intimidade da petista sempre exigiu um cuidado especial do Gabinete de Segurança Institucional (GSI). Dorneles foi orientado a desativar conta numa rede social, pela qual fazia questão de demonstrar sua paixão pelo Inter e exibir sua exaustiva rotina de viagens presidenciais — além de fazer inveja aos seguidores, ao comentar, por exemplo, o fato de ter privado da companhia de Bono Vox, vocalista do U2, durante visita ao Planalto em fevereiro de 2013. Por ter se tornado um problema para Dilma, o afilhado da presidente, prestes a se casar, passará a andar por outras bandas.

ISTOÉ Online

A Bancoop petralha e o drama de quem não é Lula, o pó da história

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Ao todo, chega perto de 500 o número de ex-cooperados da Bancoop que, nas mãos da OAS, nunca receberam seu apartamento ou brigam na Justiça para não perdê-lo. É uma situação bem diferente da do ex-presidente Lula e seu hoje famoso tríplex do Guarujá, caprichosamente reformado e mobiliado pela empreiteira investigada na Lava-Jato

SEM CARRO, SEM FGTS, SEM CASA
Para comprar um apartamento da Bancoop, o vendedor Rogério Navarro e a mulher, a professora Silvana, rasparam o saldo do FGTS e venderam o carro. A ideia era parar de pagar aluguel e atender ao pedido da filha, que sempre quis um quarto só para ela. Só que a Bancoop quebrou, a OAS assumiu a obra e o prédio nunca saiu do chão. Hoje, Navarro e a família vivem de aluguel em um apartamento na Zona Leste. Ele diz não ter mais esperança de receber a casa. “Nunca mais tivemos notícias da OAS.”

Passados quase dez anos desde que a Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo (Bancoop) quebrou, e seis desde que a OAS começou a assumir alguns de seus empreendimentos, compradores de 376 imóveis até hoje não ouviram o tilintar das chaves do apartamento. Quando a cooperativa quebrou, em 2006, deixou quinze obras inacabadas. Oito foram repassadas para a OAS. Outras duas foram transferidas para construtoras menores — a MSM e a Tarjab, que concluíram os empreendimentos no prazo. Já no lote da OAS, três empreendimentos nunca ficaram prontos. Localizados em diferentes bairros de São Paulo, eles hoje se encontram abandonados. No Residencial Casa Verde, na Zona Norte da capital, há apenas um grande bloco de concreto onde deveria estar a garagem, e mais nada. A vegetação tomou conta do lugar. Os únicos funcionários que aparecem de tempos em tempos são faxineiros encarregados de dar fim a tudo o que possa se transformar em foco de criação do Aedes aegypti. No Liberty, no centro de São Paulo, a obra avançou um pouco mais antes de também parar. O esqueleto da construção foi erguido, mas ainda não tem nem elevador. A situação não é melhor no Villas da Penha II, na Zona Leste: embora algumas poucas casas projetadas tenham saído do papel, continuam sem portas nem janelas.

A OAS, em recuperação judicial desde que foi tragada pelo escândalo de corrupção na Petrobras, simplesmente diz que não tem dinheiro para terminar o que começou. Ainda há um quarto prédio inacabado, porque quem não quer que a empresa siga com a obra são os próprios ex-cooperados da Bancoop. Eles brigam na Justiça para que a OAS perca o direito sobre o prédio, por discordarem das condições estabelecidas para a retomada da construção. Ao todo, chega perto de 500 o número de ex-cooperados da Bancoop que, nas mãos da OAS, nunca receberam seu apartamento ou brigam na Justiça para não perdê-lo. É uma situação bem diferente da do ex-presidente Lula e seu hoje famoso tríplex do Guarujá, caprichosamente reformado e mobiliado pela empreiteira investigada na Lava-Jato.

A Bancoop foi criada em 1996 com a promessa de oferecer a seus associados imóveis a um custo 40% menor que o do mercado. Em sua maior parte, os cooperados eram filiados ou parentes de filiados ao Sindicato dos Bancários, por sua vez, ligado ao PT. Em 2006, a Bancoop fechou, deixando um rastro de prédios inacabados e centenas de famílias na ruína. Em 2010, ao varrer os subterrâneos da entidade, o Ministério Público descobriu o que a levara a quebrar.

As investigações da contabilidade da cooperativa revelaram práticas estarrecedoras. Extratos bancários indicavam volumes milionários de saques em dinheiro feitos por meio de cheques emitidos pela Bancoop a si mesma ou ao seu banco. Outros cheques mostravam de forma mais clara os seus destinatários: dirigentes da cooperativa, os cofres do diretório nacional do PT e até um ex-segurança do então presidente Lula, Freud Godoy, já conhecido por seu envolvimento no "escândalo dos aloprados". A conclusão do MP à época foi que dirigentes da entidade, além de encher os próprios bolsos, haviam usado o dinheiro dos cooperados para financiar campanhas eleitorais de candidatos do PT, repassando valores para empresas de fachada que faziam "doações oficiais" aos seus comitês eleitorais.

Entre os diretores da Bancoop denunciados pelo MP à Justiça estava João Vaccari Neto. O ex-tesoureiro do PT, agora réu no processo do petrolão e preso desde abril, responde no caso da cooperativa por estelionato, formação de quadrilha, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro. Afirma o promotor José Carlos Blat, responsável pela investigação: "A Bancoop foi o embrião dos grandes esquemas criminosos que vieram em seguida, como o mensalão e o petrolão".

Agora, uma nova apuração do MP, também conduzida por Blat, verifica se houve ilegalidade no repasse das obras da Bancoop para a OAS e se isso acarretou prejuízo para os mutuários. Na semana passada, VEJA ouviu os relatos de cooperados que afirmam ter sido coagidos pela empreiteira a aceitar termos duríssimos em troca da manutenção de seus contratos. Alguns perderam com eles as economias de toda uma vida. Outros ainda lutam para um dia ao menos poder colocar os pés naquilo que foi um sonho. Nenhum deles relata ter sido convidado a vistoriar seu imóvel na companhia do presidente da OAS.

Veja Online