Abobado

Archive for agosto 7th, 2015

O fim da era PT, a maior legião de corruptos do mundo!

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A nova prisão de Dirceu, num esquema de enriquecimento pessoal, transforma o partido num símbolo da corrupção e abrevia o adeus da legenda que prometeu mudar a maneira de fazer política no país, mas decepcionou os brasileiros

A segunda prisão de José Dirceu, ocorrida na segunda-feira 3, não constituiu uma surpresa para ninguém. Nem para ele. O ex-ministro, enredado no mensalão e, agora também, no Petrolão, já se encontrava na alça de mira da Lava Jato desde a prisão de Renato Duque, ex-diretor e seu apadrinhado na Petrobras. A delação do lobista Milton Pascowitch, relacionando o petista ao recebimento de propina pessoal travestida de consultoria, foi apenas a pá de cal. Apesar de não ter sido algo inesperado, o novo recolhimento de Dirceu ao cárcere teve um significado emblemático: cravou no partido a marca indelével da corrupção, decretando praticamente o fim da era petista no poder. Mesmo com a — cada vez mais improvável — sobrevivência da presidente Dilma Rousseff, fica difícil vislumbrar um horizonte para o PT sem haver uma reformulação radical na legenda. Isso se o partido não precisar mudar de nome mais adiante. “O cenário é distinto daquele do mensalão. Nem a melhora da economia salva o PT”, resignou-se o ex-presidente Lula em reunião com petistas na última semana. O Petrolão mostrou de maneira inequívoca que Dirceu e o PT criaram uma espécie de toque de Midas ao avesso: quase tudo em que o partido meteu a mão teve a sujeira da corrupção. Em vez de transformado em ouro, cada órgão administrado pela legenda se deteriorou. Saqueada pelo PT, segundo os investigadores da Lava Jato, a Petrobras já valeu R$ 500 bilhões em 2008. Hoje seu valor de mercado é de R$ 100 bilhões. Outras estatais como a Eletrobrás, aparelhadas sem piedade pelo partido, trilham semelhante caminho. Por práticas nada republicanas, foram parar na cadeia, antes de Dirceu, outras figuras de proa da legenda: o ex-presidente da sigla José Genoíno; o ex-presidente da Câmara, João Paulo Cunha; o ex-deputado e líder da bancada, André Vargas; e os ex-tesoureiros Delúbio Soares e João Vaccari Neto.


ACABOU-SE
A segunda prisão de José Dirceu enterra o projeto petista

A nova prisão de Dirceu trouxe, porém, outro elemento agravante — e, aí sim, decepcionante até para seus mais ferrenhos defensores, que ainda permaneciam iludidos, a despeito das abundantes e variadas evidências de desvios de dinheiro público. O petista, considerado “o capitão do time” por Lula quando era ministro da Casa Civil, foi apanhado roubando para enriquecimento pessoal e não mais em nome de um “projeto de País” ou de “poder”, como alegava o PT até então — como se isso já fosse algo banal. Ou seja, se já era abominável o discurso petista segundo o qual os fins justificavam os meios, mais inaceitável ainda é agora quando se descobre que tanto os meios quanto os fins eram indecentes. Ao decretar a prisão preventiva de Dirceu, o juiz Sérgio Moro disse que o petista recebia propinas desde 2003, quando assumiu a Casa Civil. Para Moro, as provas reforçam os indícios de “profissionalismo e habitualidade na prática do crime” e caracterizam “acentuada conduta de desprezo não só à lei e à coisa pública, mas igualmente à Justiça criminal e à Suprema Corte”. O procurador Carlos Fernando Lima, integrante da força-tarefa da Lava Jato resumiu: “A responsabilidade de José Dirceu, aqui, é como beneficiário de maneira pessoal, não mais de maneira partidária, enriquecendo pessoalmente”. Segundo a Lava Jato, os valores eram pagos a Dirceu por meio de falsos contratos de prestação de serviços da JD Consultoria. Às vezes em dinheiro vivo. Houve casos de ressarcimento de despesas pessoais. Entre 2007 e 2014, as propinas destinadas a Dirceu somavam R$ 90 milhões. Parte do dinheiro — cerca de R$ 1 milhão — serviu para reformar um apartamento do irmão do ex-ministro, Luiz Eduardo de Oliveira Silva, na Vila Mariana, Zona Oeste de São Paulo. Outros R$ 1,3 milhão pagaram a arquiteta responsável pela reforma da casa de Dirceu em Vinhedo (SP). O delator Milton Pascowitch ainda contou ter bancado para o petista metade de um jatinho Cessna 560 XL, avaliado em R$ 2,4 milhões. “O PT já está todo maculado. Isso é uma pá de terra”, avaliou o deputado federal Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE). “O PT está afetado no limite máximo, pelo que algumas pessoas da sigla realizaram, no mensalão e no caso da Petrobras. O partido chegou ao fim de um ciclo”, reconheceu o ex-governador petista Tarso Genro, eterno candidato a promover a reformulação da legenda.

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Não à toa, a recepção a Dirceu, na carceragem da PF em Curitiba, foi completamente distinta daquela exibida no mensalão. Em vez dos aplausos calorosos da militância, vaias, foguetórios e gritos de ladrão. Na primeira condenação, Dirceu, de punhos erguidos, foi recebido pelos camaradas ao coro de “guerreiro do povo brasileiro”. Havia, entre os petistas, a sensação de que a sentença inicial de Joaquim Barbosa, relator do mensalão, fora dura deamais ao apontá-lo. Semana passada, nem mesmo o PT teve a coragem de defendê-lo. Em nota, sem mencionar o líder de outrora, o partido alegou somente a legalidade das operações financeiras da legenda. “As acusações contra ele são de caráter pessoal”, lavou as mãos o presidente do PT, Rui Falcão. Claro, trata-se de mais uma estratégia do partido na tentativa de não se contaminar ainda mais com a prisão do seu ícone. Em vão — é impossível dissociá-los. A trajetória política e de vida de Dirceu se confunde com a do PT. Foi Dirceu quem, ao assumir o partido em 1995, pavimentou a ascensão de Lula e do PT ao poder, em 2002. Depois, tornou-se o homem forte de Lula na Presidência até desabar ladeira abaixo enrolado numa fileira de escândalos.

O que se conhece agora ainda é mais grave e, por isso, fere de morte a legenda um dia depositária dos sonhos de milhares e milhares de brasileiros que acreditaram na esperança vendida por Lula e companheiros. O esquema de corrupção e pagamento de propina começou no primeiro mandato lulista e perdurou até 2015, segundo a Lava Jato. Graças a uma simples descoberta, durante uma investigação de lavagem de dinheiro, a de que o doleiro Alberto Yousseff havia doado um carro importado a um diretor da Petrobras, no caso, Paulo Roberto Costa, o fio de um imenso novelo foi puxado e conclui-se sobre a confluência dos dois escândalos, o mensalão e o Petrolão. Ambos gestados, segundo os investigadores, a partir da Casa Civil de Lula. Agora, procuradores e agentes federais dedicam-se a buscar evidências que possibilitem destrinchar a cadeia de comando até o topo. Entre os investigadores, comentava-se na semana passada a possibilidade de o ex-presidente ser convocado a depor para prestar esclarecimentos, antes de uma eventual prisão, o que já seria péssimo para sua imagem. Para blindar Lula, há no Planalto quem defenda que ele assuma um ministério de Dilma. Neste caso, o ex-presidente ganharia foro privilegiado e, em caso de denúncia contra ele, o processo seria remetido ao STF. A alternativa, porém, dividia o governo até o fim da semana, pois enfraqueceria ainda mais a presidente.

Num último esforço para tentar limpar a barra da legenda, o PT foi à televisão na noite quinta-feira 6. Ao contrário do imaginado, no entanto, o programa só atiçou ainda mais a indignação de setores do eleitorado refratários ao PT — hoje a expressiva maioria da população. Recheado de cinismo, o filmete petista, ancorado pelo militante e abnegado petista José de Abreu, amigo pessoal de Zé Dirceu, chegou ao cúmulo de dizer que o País vivia “problemas passageiros na economia”. Dono dos piores índices econômicos em quinze anos, o partido teve a desfaçatez de se comparar ao que chamou de melhor período das gestões anteriores. “Nosso pior momento ainda é melhor do que o melhor momento dos governos passados”, diz, desta vez, na voz de Lula. Como na campanha, o PT ainda atentou contra o bom senso e a inteligência da população ao voltar a prometer a retomada do crescimento, com preços em baixa e emprego em alta, além de saúde e educação de qualidade. Resultado: consumou-se a reprise do sonoro panelaço a ecoar pelas principais cidades do País, gesto ilustrativo da debacle do partido.

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Roubalheira é consequência do modo petista de fazer política

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Má gestão, erros políticos e arrogância existem no PT desde os tempos de Lula e José Dirceu

Existem cidades assentadas sobre falhas geológicas, o que aumenta a probabilidade de terremoto — casos de Tóquio, Los Angeles e Istambul. Seus habitantes têm de se acostumar a pequenos sismos cotidianos e preparar-se para a ocorrência de grandes tremores. Em sua relação com o mundo político, os brasileiros vivem como os habitantes dessas cidades. Ocorrem terremotos todas as semanas — e, depois deles, terrenos que pareciam firmes se tornam movediços. Dois desses terremotos ocorreram neste início de agosto. O primeiro foi a prisão de José Dirceu, na segunda-feira, dia 3. O segundo foi a rebelião da base aliada do governo, na quarta-feira, dia 5, que se somou à divulgação de uma pesquisa em que a presidente Dilma Rousseff aparece com seus piores índices de popularidade.

A prisão de José Dirceu representou um grande baque para o Partido dos Trabalhadores. Primeiro, porque dirige os holofotes da Lava Jato para o primeiro mandato do ex-presidente Lula, onde foram montados os esquemas do mensalão e do petrolão. Revelações incômodas sobre a gênese da corrupção podem ferir gravemente uma candidatura de Lula à Presidência no futuro. Segundo porque, em meio às provas abundantes contra Dirceu, há sinais de enriquecimento pessoal. Isso torna difícil defender Dirceu junto à militância. Quando foi preso no mensalão, Dirceu deixou-se fotografar erguendo o punho cerrado — no gesto que os Panteras Negras, militantes do movimento negro nos anos 1960, tornaram célebre. Naquela ocasião, nas redes sociais, militantes petistas apresentaram Dirceu como vítima de um “julgamento político”. Desta vez, o partido abandonou Dirceu.

A semana atribulada de Dilma começou na quarta-feira, quando a Câmara, em sua estratégia irresponsável de explodir o Orçamento, aprovou um dos itens da “pauta-bomba”: a vinculação dos salários da Advocacia-Geral da União, delegados civis e federais a 90,25% da remuneração dos ministros do Supremo. Isso significa um gasto adicional de R$ 2,4 bilhões por ano, numa época em que qualquer gasto adicional pode representar uma piora sensível da situação econômica e dos cidadãos. É aquela situação em que os eleitos pelo povo, por puro oportunismo, prejudicam os próprios eleitores. Na mesma quarta-feira, dois partidos da base aliada, o PDT e o PTB, romperam com o governo — que ficou, assim, ainda mais frágil. A semana de más notícias se completou com a divulgação, na quinta-feira, de uma pesquisa em que Dilma atingiu seu pior resultado: 71% dos brasileiros consideram seu governo “ruim” ou “péssimo”, em comparação a 65% da pesquisa anterior. É o pior resultado da série histórica de Dilma.

Existem muitas conexões entre os dois fatos, a prisão de Dirceu e a crise do governo Dilma. A mais importante — e talvez menos aparente — é que uma coisa é consequência da outra. Muitas das agruras do governo Dilma foram plantadas durante o governo Lula, especialmente na época em que José Dirceu era o todo-poderoso ministro da Casa Civil. Se o governo sofre hoje com as investigações da Lava Jato, isso se deve a uma decisão tomada no início da era Lula. Em entrevista recente, o deputado Miro Teixeira disse que participou de uma reunião na qual estiveram quatro integrantes do governo. O tema da reunião era como formar uma base de apoio político. Alguns, como o ex-­ministro da Fazenda Antonio Palocci, defendiam que deveria ser via convencimento, negociando propostas com outros partidos — na mesma linha do que ocorrera com o PFL, fiel aliado do governo Fernando Henrique. A proposta vencedora, no entanto, foi a via “orçamentária”: a base de apoio seria negociada caso a caso, com uso de dinheiro como argumento, de acordo com as “demandas” de cada partido ou parlamentar. O cinismo em relação à democracia levou aos esquemas de compra de apoio, mensalão e petrolão.

Se Dilma enfrenta problemas na economia, isso se deve a uma mentalidade estatizante que começou ainda no governo Lula. Que, num primeiro momento, ficou sob controle. Lula, pragmaticamente, adotou o arcabouço econômico do governo anterior, cujos fiadores eram o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. A partir da crise de 2008, no entanto, criou-se a “Nova Matriz Econômica”, política aprofundada no governo Dilma. A reboque da Nova Matriz, implantada na gestão de Guido Mantega, o mais longevo ministro da Fazenda da era democrática, o governo perdeu o controle dos gastos, tentou maquiar o deficit com as “pedaladas” e jogou o país na crise que vivemos.

Por fim, se Dilma enfrenta animosidade no Legislativo, e tem dificuldades para firmar um pacto nacional, isso se deve, em grande parte, à arrogância que se instaurou no governo desde os tempos de Lula e Dirceu. Como relembra o economista Ricardo Paes de Barros, Lula teve humildade, no início do mandato, para implantar várias políticas do governo anterior — além do já citado arcabouço econômico, Lula “importou” da era tucana o programa de combate à pobreza criado pela equipe de Paes de Barros no Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Lula implantou o Bolsa Família com competência e convicção. Os bons resultados desta e de outras políticas acertadas, aliados a uma conjuntura internacional favorável, levaram os petistas a achar que a política brasileira se dividia entre “antes” e “depois” deles — ideia expressa num dos bordões mais arrogantes de nossa história política, o “nunca antes neste país”. O crescimento brasileiro no período democrático, e a melhoria das condições de vida da população, se deve a uma sequência de fatos que começa na Constituição de 1988 e deve muito à estabilização econômica obtida no governo Fernando Henrique. Dizer que tudo começou com o governo do PT equivale a alguém comprar uma casa térrea, transformá-la num sobrado e maldizer quem construiu os alicerces (Constituição) e a parte de baixo (governos anteriores) — como se fosse possível erguer um segundo andar sem a existência do primeiro.

Corrupção na base política, má gestão econômica e a arrogância que divide o país. Três erros do modo petista de governar que, hoje, têm influência decisiva na crise. Neste momento em que urge criar um pacto nacional, é hora de reconhecer tais erros — e aprender com eles.

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