Abobado

Archive for novembro 6th, 2014

Após empréstimo à socialite, presidente do BB pede demissão

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Val Marchiori foi favorecida com empréstimo suspeito autorizado pelo petralha Aldemir Bendine

Desgastado por denúncias de favorecimento a uma amiga em empréstimos concedidos pelo Banco do Brasil (BB) e BNDES, o presidente do BB, Aldemir Bendine, entregou o cargo ao ministro da Fazenda, Guido Mantega. Mas a saída dele só será anunciada oficialmente depois da nomeação do novo ministro da Fazenda. O secretário executivo da pasta, Paulo Rogério Caffarelli, deve ser convidado a assumir o comando do BB, de onde é funcionário de carreira. Entre assessores palacianos, Cafarelli é visto como o substituto natural de Bendini.

Segundo interlocutores do Planalto, Caffarelli só não ocupará o posto se não quiser ou se estiver interessado em outra colocação. A avaliação do governo é que ele conquistou espaço e pode escolher para onde quer ir, porque desenvolveu um bom trabalho na pasta.

— O cargo será oferecido a ele e só não será dele se ele não quiser — garante um interlocutor do Planalto.

Bendine foi alvo de denúncias recentes, como o financiamento concedido pelo BB à socialite Val Marchiori em condições favorecidas e o relato de seu ex-motorista, ao Ministério Público Federal, confessando que fez diversos pagamentos em dinheiro vivo a mando do chefe. Com as denúncias, Bendine ficou desgastado demais para fazer o seu sucessor.

Até o nome de Caffarelli surgir como cotado à presidência do Banco do Brasil, as apostas eram de que o vice-presidente de Varejo do BB, Alexandre Abreu, herdaria a cadeira. Entre os funcionários, era dada como certa a ascensão de Abreu porque, desde as denúncias, Bendini afastou-se das atividades do dia a dia do banco. Com isso, o vice-presidente — responsável pelo programa Bom Pra Todos — ganhou mais espaço e, na prática, é quem toca a instituição.

A indefinição deixou o BB em compasso de espera. Projetos foram interrompidos neste ano, e, por enquanto, a ordem é cortar despesas para aumentar o resultado. Até viagens dos executivos foram limitadas para melhorar o balanço. Outra decisão é esperar 30 dias para repor funcionários que saíram do cargo. A contenção de pequenas despesas é cada vez mais importante, já que o banco diminuiu os juros há dois anos, a pedido da presidente Dilma. E não deve elevar tarifas para recompor a margem.

— Do (programa) Bom Pra Todos para cá, todo ano é isso. Os outros bancos podem demitir para aumentar lucro, o BB não. Tem de fazer economia onde dá — pondera um especialista.

O Globo Online

Roubalheira petralha — Exigência de auditoria americana provoca constrangimento na Petrobrás

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Foi necessária a pressão de uma auditoria estrangeira, que está sujeita às rigorosas leis dos Estados Unidos, para que um diretor da Petrobrás acusado de envolvimento no escabroso esquema de corrupção na estatal acabasse afastado do cargo. Tudo leva a crer que, não fosse por isso, predominaria mais uma vez a vista grossa — e o diretor continuaria em suas funções como se nada de errado ou ilegal tivesse acontecido. No governo petista, todos prometem combater os malfeitos, mas a história mostra que, na maior parte das vezes, os malfeitores só são afastados quando o escândalo já não pode mais ser abafado.

O Conselho de Administração da Petrobrás passou os últimos dias sob forte tensão, conforme noticiou o Estado. Em vez de priorizarem as discussões sobre o necessário reajuste dos combustíveis — afinal aprovado, mas ainda sem definição de porcentual nem de data para entrar em vigor —, para superar a crise financeira da estatal, seus integrantes tiveram de gastar energia para tratar do assunto que assombra a empresa e que agora, por força da auditoria externa, ameaça prejudicar ainda mais sua imagem lá fora — justamente no momento em que mais precisa de capitais estrangeiros.

Responsável por auditar os balanços financeiros e operacionais da Petrobrás, a PriceWaterhouseCoopers (PwC) resistia a aprovar a demonstração contábil porque entre os que a avalizaram constava o nome de Sérgio Machado, presidente da Transpetro, subsidiária de transporte e logística da Petrobrás. Segundo afirmou Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento e pivô do escândalo na estatal, Machado lhe deu R$ 500 mil em dinheiro para direcionar uma licitação.

Ao tomar conhecimento da delação de Costa, a PwC fez duas exigências à Petrobrás: a contratação de outras duas auditorias independentes, para ampliar as investigações, e a demissão imediata de Machado — ex-deputado, ex-senador e afilhado do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), nomeado para o cargo em 2003, no governo Lula.

Não se trata de um capricho da auditora. Como a Petrobrás tem ações negociadas na Bolsa de Nova York, ela está submetida à legislação que regula o mercado de capitais nos Estados Unidos. Essa lei manda que os auditores incluam em seu trabalho "procedimentos concebidos para detectar, com razoável grau de confiança, atos ilegais que tenham tido efeitos materiais diretos na determinação dos montantes declarados". Conforme a norma, o Conselho de Administração da Petrobrás, uma vez notificado pela PwC, deve declarar-se ciente das demandas perante as autoridades americanas.

O Conselho de Administração aceitou contratar as auditorias exigidas pela PwC e encontrou uma maneira de afastar Machado — oficialmente, ele se licenciou por um mês, até que se concluam as investigações sobre seu envolvimento. Na prática, o governo considera que sua volta ao cargo é improvável, em razão da pressão da PwC, mas não é isso o que pensam os padrinhos de Machado. Peemedebistas ouvidos pelo jornal O Globo disseram que a saída de Machado é apenas provisória.

Esse caso mostra como a Petrobrás, aparelhada pelos petistas e seus associados, está amarrada a compromissos políticos que lhe tiram a autonomia necessária para agir conforme interesses exclusivamente empresariais. No momento em que enfrenta dificuldades consideráveis e precisa empenhar-se para superá-las, a estatal passa pelo constrangimento de ter suas contas questionadas por uma auditoria americana.

Ainda que a Petrobrás consiga convencer os auditores da PwC de que fará o que for necessário para livrar-se da corrupção, fica claro que os responsáveis pela estatal já não estão mais na zona de conforto proporcionada por uma CPI que atende às conveniências do governo, na qual os diretores da empresa deram respostas previamente combinadas.

O cerco se fecha graças não só à confissão de alguns dos que participaram do assalto à Petrobrás, mas também a uma auditoria estrangeira, que nada tem a ver com os acordos subterrâneos do governo petista.

Editorial do Estadão