Abobado

Archive for setembro 18th, 2012

Serra recebe manifestação de apoio de artistas e intelectuais

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José Serra recebeu no começo da tarde desta terça-feira uma grande manifestação de apoio de artistas e intelectuais. O cinema Reserva Cultural, na Avenida Paulista, ficou pequeno para comportar todos que foram participar do encontro com o candidato.

Serra dividiu o palco com ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que abriu o evento falando das qualidades do candidato. “São Paulo precisa de compreensão, de alguém que a conheça bem e também de alguém que tenha amor pela cidade”, disse FHC. “Sei que Serra será o homem que vai cuidar de São Paulo.”

Em seguida, algumas personalidades que estavam na plateia também se manifestaram em favor de Serra, como as atrizes Bruna Lombardi e Beatriz Segall e o ex-ministro Celso Lafer (clique aqui para ler seus depoimentos e de outros intelectuais). “Eu quero ver São Paulo como a cidade que a gente sonha. Ainda está longe disso, mas eu vejo pessoas como o Serra, que repensam a cidade e querem que ela melhore”, disse Bruna.

O ex-ministro José Gregori, hoje secretário de Direitos Humanos da Prefeitura, subiu ao palco e leu um manifesto convocando todos os eleitores a trabalhar pela eleição de Serra. “Se a gente sair do casulo, conseguir que mais gente saia do casulo, Serra será o próximo prefeito de São Paulo”, disse.

Em seguida, Serra iniciou seu discurso alertando que São Paulo “corre o risco de andar para trás” se a administração cair nas mãos de gestores sem propostas. “Destruir uma administração é muito fácil, para reconstruir são dez anos.”

Serra enumerou suas realizações na área de cultura, como o Museu do Futebol e o Espaço Catavento, e lembrou que pretende construir mais três museus na cidade: do Carro, da Música Popular e da Moda.

Falou ainda que pretende construir mais unidades do Centro Cultural da Juventude, expandindo seus benefícios para todas as regiões da cidade, seguindo o modelo bem-sucedido do CCJ Ruth Cardoso, que ele idealizou e foi implantado na Vila Nova Cachoeirinha (na Zona Norte).

Citou as Fabricas de Cultura, a transferência do Museu de Arte Contemporânea (MAC) para o Parque do Ibirapuera e a criação da Companhia de Dança. “Fizemos uma bela reunião, um balanço do que foi feito em São Paulo e vamos continuar nessa linha de trabalho.”

O candidato anunciou ainda um outro plano: “Vamos reproduzir a Biblioteca de São Paulo, que funciona no antigo Carandiru, em outras regiões da cidade. É uma biblioteca totalmente adaptada para pessoas com deficiência, para que possam usufruir dos livros da mesma forma que uma pessoa perfeitamente normal. Nós vamos fazer mais três, vamos fazer na zona oeste, na zona leste e na zona sul, nos mesmos moldes. “

Serra ficou muito satisfeito com o encontro com a classe artística. “Fiquei muito feliz com a presença e as palavras do presidente Fernando Henrique e com tantos amigos aqui."

Este é o texto do manifesto lançado no evento:

São Paulo com Serra

PELA INOVAÇÃO. PELA EXPERIÊNCIA. PELA DEMOCRACIA. ESTAMOS COM SERRA!

A cidade de São Paulo vai escolher nestas eleições um de dois caminhos: o da inovação, que tem a seu favor a experiência e exemplos concretos de mãos limpas, ou o das ideias velhas, mirabolantes e ultrapassadas, somadas à inexperiência e a aventuras.

Estamos com Serra porque ele sempre soube pôr o interesse público acima das divergências pessoais, dos confrontos ideológicos e das rinhas partidárias. E fará isso novamente nos seus quatro anos na Prefeitura.

Estamos com Serra porque, na sua biografia, não há casas de papel, não há creches de saliva, não há trens-bala de festim, não há universidade de propaganda. As obras de Serra têm nome e endereço, têm benefícios concretos, têm verdade.

Estamos com Serra para cuidar de São Paulo por quatro anos. Pelo menos! Com nosso apoio!

Estamos com Serra porque aceitou defender os interesses da cidade quando foi chamado a concorrer ao governo do Estado para que este não caísse em mãos de aloprados, tendo sido o primeiro governador de São Paulo eleito no primeiro turno desde a instituição das duas etapas de votação. Serra honrou os votos que recebeu investindo como nunca na nossa cidade.

Combatemos de forma clara e decidida quem, não encontrando nenhuma mancha na biografia de Serra, o acusa de fazer da cidade trampolim para cargos futuros.

Estamos com Serra porque combatemos a turma do preconceito, do autoritarismo, do obscurantismo, das falsas promessas e dos que usam o poder para fazer negócios e negociatas, muitos já sendo condenados pela mais alta Corte da Justiça.

Estamos com Serra porque não aceitamos o que é velho na política. Velho é explorar as dificuldades do nosso povo só para conquistar votos. Velho é fazer promessas que não vão se cumprir.

Serra é o novo porque não trapaceia para ganhar votos, porque respeita a população – constrói AMAs em vez de explorar os doentes. São Paulo merece a experiência que inova, não a novidade que remete ao velho autoritarismo e ao velho populismo.

Estamos com Serra porque acreditamos nas suas ideias e nos valores éticos que ele representa e porque sua notável trajetória de homem público protegerá a cidade contra projetos autoritários de poder.

Estamos com Serra em nome da democracia, da transparência e do progresso de São Paulo e de seu povo.

Site Serra45

Written by Abobado

setembro 18th, 2012 at 9:37 pm

Roubalheira petralha: Ministério Público Federal responsabiliza Lula por prejuízo de R$ 10 milhões e autopromoção

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O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é acusado de ser responsável por um prejuízo de R$ 10 milhões aos cofres públicos, buscar autopromoção, fazer publicidade pessoal e favorecer o Banco BMG, ao enviar a aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) uma carta com informações sobre o programa de crédito consignado do governo federal. As acusações foram listadas pelo Ministério Público Federal em documento anexado ao processo que investiga atos de improbidade administrativa atribuídos a Lula.

A denúncia pede que o ex-ministro da Previdência Social Amir Lando devolva os R$ 10 milhões ao Erário. Lula e Lando são réus no processo, que começou a tramitar na Justiça Federal no Distrito Federal em janeiro de 2011. O documento do MPF, de agosto deste ano e ao qual O GLOBO teve acesso, é uma réplica da procuradora da República Luciana Loureiro à defesa preliminar apresentada por Lula, por meio da Advocacia Geral da União (AGU). O juiz Paulo César Lopes, diz que decidirá até o fim deste mês se dá prosseguimento à ação.

Lula e Lando assinaram as cartas enviadas a aposentados e pensionistas em 2004. O MPF ofereceu a denúncia à Justiça sete anos depois; o processo está prestes a ter uma primeira decisão judicial. Na réplica anexada, a procuradora rebate os argumentos da AGU. Segundo Luciana, ele não tem direito a foro privilegiado no caso da ação de improbidade nem pode ser beneficiado pela prescrição da pena, ao contrário do que requereu a AGU.

Segundo a procuradora, Lula e Lando tiveram responsabilidade na ordem dada à Dataprev (empresa pública responsável pelos dados da Previdência Social) para a execução do serviço. Para o MPF, os serviços foram feitos sem contrato.

A AGU, que fez a defesa de Lula, afirma que a ação civil pública não pode se somar à acusação de improbidade e que a lei de improbidade administrativa não se aplica a agentes políticos, caso de Lula. Os advogados dizem que ele, por ser ex-presidente, deve ter foro privilegiado e só ser processado no Supremo Tribunal Federal. O caso, diz a defesa, estaria prescrito. Para a AGU, a carta dirigida a pensionistas "tem caráter informativo. O texto não enaltece a figura do governante".

A ação de improbidade sobre o envio das cartas tem conteúdo semelhante a um inquérito sigiloso em tramitação no Supremo, aberto a partir da denúncia principal do mensalão. O inquérito apura "fatos relacionados às irregularidades no convênio firmado entre o Banco BMG e o INSS/Dataprev para a operacionalização de crédito consignado a beneficiários e pensionistas". O procurador-geral da República ainda não apresentou denúncia nem revela os investigados.

Para o MPF, o prazo para prescrição (cinco anos após o fim do mandato) deve ser contado a partir do fim do segundo mandato de Lula, e não do primeiro, como quer a AGU. A Lei de Improbidade Administrativa prevê perda dos direitos políticos por até dez anos e ressarcimento. Lando não foi localizado.

O Globo Online

Petralhas lambuzados no melado

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Dora Kramer – O Estado de S.Paulo

Marcos Valério demorou anos para se revoltar. Só quebrou o código de silêncio firmado com José Dirceu e Delúbio Soares para proteger Lula quando se viu diante da evidência de que lhe havia sido feita uma promessa vã.

Confiou que as instituições seriam fiéis aos coronéis de turno e se renderiam às conveniências do poder.

Isso está dito na reportagem de capa da Veja: "Em troca do silêncio, (Marcos Valério) recebeu garantias. Primeiro, de impunidade. Depois, quando o esquema (do mensalão) teve suas entranhas expostas pela Procuradoria-Geral da República, de penas mais brandas".

E quais seriam essas garantias? Vamos pensar juntos. Não é difícil percebê-las, partindo do princípio de que o PT fez o que fez confiando que aquela concepção de Lula sobre os "300 picaretas" que faziam e aconteciam no Congresso era o retrato do Brasil.

Primeira presunção de garantia: controlada pela maioria governista, comandada por um presidente do PT (Delcídio Amaral) e um relator do PMDB (Osmar Serraglio), a CPI dos Correios não daria em nada que pudesse produzir maiores e concretas consequências.

Segunda: a Polícia Federal sob as ordens do dublê de ministro da Justiça e advogado do Palácio do Planalto, Márcio Thomaz Bastos, cuidaria de limitar as investigações sem levá-las a inconvenientes profundezas.

Terceira: indicado e reconduzido ao cargo pelo presidente da República, o procurador-geral se apresentasse denúncia não o faria de maneira consistente.

Quarta: de composição majoritária teoricamente "governista" e de inescapável apego a formalidades, o Supremo Tribunal Federal não abriria processo.

Quinta: complexa e ampla demais, a denúncia não se sustentaria na fase judicial e poderia se estender à eternidade em decorrência de manobras da defesa.

Sexta: o julgamento não ocorreria tão cedo e, quando acontecesse, crimes estariam prescritos.

Sétima: permeável à influência dos comandantes da banda, a Corte de "maioria governista" teria comportamento de poder subordinado. Seja para absolver os acusados ou para lhes abrandar as punições, conforme a promessa feita a Marcos Valério sobre o pior que lhe poderia acontecer se calado ficasse.

Como a realidade mostrou e ainda não se cansou de demonstrar, o Brasil não é tão arcaico, desorganizado, institucionalmente desqualificado nem tão apinhado de vendidos como supunha o PT ao assumir a Presidência da República.

Há juízes em Brasília, como se repete agora a toda hora. Mas também há deputados, há senadores, há delegados, há agentes de polícia, há procuradores, há, sobretudo, uma sociedade a quem todos eles respondem em grau de responsabilidade muito maior que a lealdade supostamente devida ao modelo do "coronelato" que o PT pretendeu copiar.

Cópia cuja matriz é uma visão equivocada do País. Talvez o erro crasso do PT tenha sido acreditar que o Brasil era pior do que de fato é.

Lambuzou-se no melado ao imaginar que a posse do Estado lhe conferia poderes ilimitados para tratar a tudo e a todos como devedores de obediência total e reverência absoluta a uma hierarquia que só existia na cabeça autoritária do PT.

Caldo de galinha

Nota-se pela cautela da reação às declarações de Marcos Valério para Veja, que Lula e companhia não sabem exatamente o quê, mas percebem com nitidez o que vem mais pela frente.

Assim como não compartilham da ilusão da militância da internet de que o mineiro não tenha falado à revista já que as frases foram alegadamente ditas a terceiros, um expediente comum na preservação do sigilo da fonte de informações.

Diante do imponderável e da óbvia existência de lastro (gravações), acham melhor não provocar.

O esperneio de Valério revela que a história real é mais feia que a ora narrada pelo Supremo Tribunal Federal.

O título do artigo foi editado.

Petralha é uma praga: Haddad e a cascata da catarata

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Petista exibe doente em falsa fila de espera na propaganda eleitoral; exposta a farsa, em vez de se retratar, ele acusa a prefeitura de “quebra de sigilo” e segue mentindo

Há duas semanas, o programa de TV do candidato Fernando Haddad contou a história triste do senhor da foto acima, descrito como um caminhoneiro que não pode mais trabalhar porque espera há quatro anos na fila por uma cirurgia de catarata no sistema municipal de saúde.

Após a exibição do programa, o Estadão questionou a Secretaria de Saúde sobre o caso, e no dia 28/08 publicou a matéria Para expor erro de Haddad, Prefeitura abre dado de paciente, já desde o título dando mais ênfase à divulgação pelo órgão dos dados corretos – a pedido do próprio jornal – do que à mentira que despertou a curiosidade das repórteres. Confiram alguns trechos:

A reportagem do Estado questionou a Secretaria Municipal de Saúde sobre o problema. A assessoria de imprensa informou, então, que já havia consultado os dados do paciente na Unidade Básica de Saúde Guaianases 1 e no ambulatório de especialidades Jardim São Carlos e que a “hipótese de diagnóstico” não era catarata, mas pterígio – crescimento do tecido sobre a córnea.

A secretaria ainda questionou o fato de o paciente que aparece no programa de Haddad ter dito que estava na fila para receber a cirurgia de catarata. Segundo o órgão, não há filas para isso. Machado disse não ter dado autorização para a divulgação de seus dados.

(…)

A campanha de Haddad minimizou a informação errada exibida em seu programa de TV. Afirmou que foi Machado quem afirmou ter catarata. Disse ainda que, provavelmente, ele não sabia a diferença entre catarata e a doença que de fato possui. Os petistas também atacaram a Prefeitura afirmando que o problema de Machado deveria ter sido resolvido independentemente do diagnóstico. “Pterígio é mais simples que catarata”, disse Carlos Neder, vereador petista.

(…)

As informações sobre o prontuário do paciente foram passadas ao Estado por telefone pela assessoria de imprensa em dois contatos telefônicos. A assessoria afirmou que formalizaria as respostas mediante um pedido por escrito. A reportagem, então, enviou um e-mail solicitando informações sobre “a fila para realizar o atendimento médico do sr. José Machado”.

(…)

Nos dias seguintes, o debate sobre ética médica e a troca de acusações entre a prefeitura e o PT ficaram para trás enquanto o jornalismo seguia buscando o diagnóstico correto do paciente. Faz sentido: de acordo com José Machado, ele só queria mesmo era tratar de seu problema e estava até arrependido de ter dado depoimento ao programa eleitoral de Haddad.

Bem, isso foi até a semana passada. Logo que foi divulgado laudo confirmando que Machado tem mesmo catarata – porém, como havia afirmado a nota da Secretaria de Saúde, também sofre de pterígio, que precisa ser tratado antes – o caminhoneiro tratou de gravar novo depoimento para a propaganda do PT (arrependeu-se do arrependimento?), exibido na última sexta (14). Dizendo-se “de alma lavada”, o caminhoneiro cobra um pedido de desculpas de… José Serra, candidato do PSDB que havia defendido a divulgação dos dados dele pela Prefeitura. Reportagem do portal iG:

(…)

No programa de Haddad da noite desta sexta, o caminhoneiro se disse “de alma lavada” e cobrou um pedido de desculpas do candidato do PSDB, José Serra , que havia defendido publicamente a Prefeitura e dito que Machado não tinha catarata. “Hoje, no dia 13 de setembro de 2012, eu me sinto com a alma lavada. A minha esposa leu o jornal para mim falando a verdade, de que tudo o que eu falei era verdade. Hoje eu posso sair na rua de cabeça erguida”, diz o caminhoneiro no programa.

(…)

Após a reportagem publicada pelo “Estadão”, na última quinta, a Secretaria Municipal de Saúde divulgou uma nota em que mais uma vez rebate as informações veiculadas pela campanha do PT. “Como já dito em outras oportunidades, o principal problema oftalmológico que afeta o paciente não é a catarata. Tanto é que, no dia da cirurgia (17/01/2012) – que não era para catarata –, os especialistas do Instituto CEMA de Oftalmologia e Otorrinolaringologia concluíram que o caso era mais complexo”, diz o texto. O órgão também diz que “não é verdade que o paciente ficou dois anos em fila de espera por cirurgia, fosse qual fosse”. “Pouco mais de três meses depois de sua primeira consulta, ele teve sua cirurgia marcada (17/01/2012). Isso leva a crer que o programa eleitoral divulgou informação inverídica para confundir a opinião pública, desviando a discussão para o diagnóstico e não para o falso tempo de espera que a campanha eleitoral do PT vinha difundindo, levando consigo alguns veículos de imprensa.”

Para quem “só queria resolver o problema”, a comemoração desta pequena vitória parece um pouco exagerada.

Essa história tem mais um detalhe interessante: discordâncias sobre diagnóstico e tratamento à parte, a cirurgia de catarata é responsabilidade do SUS, do Governo Federal. Por coincidência, imagina-se, o Ministério da Saúde deu início no mês passado à campanha Mutirão pela cirurgia de catarata – algo que não acontecia desde 2003 -, com objetivo justamente de zerar a fila de espera para o procedimento no sistema federal.

Na intenção de criticar a saúde na cidade de São Paulo, a campanha de Haddad expôs um cidadão que (a princípio, vamos acreditar) não tem interesses além da própria cura, fabricou uma mentira e ainda evidenciou o relaxamento do governo Dilma no tratamento da catarata.

Do Implicante