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Oportunidades da crise

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João Bosco Rabello, O Estado de S.Paulo

A crise no Ministério dos Esportes, na seqüência dos Transportes, Agricultura e Turismo, revela uma prática comum de desvio de verbas públicas para fins partidários e projeta novos escândalos no governo Dilma Rousseff.

O caso não difere dos que o precederam: autoridades do primeiro escalão governamental respaldam um esquema de patrocínio partidário através de ONGs que não resistem ao simples exame de idoneidade que deveria anteceder a aprovação de convênios milionários.

Na mesma rota está o Ministério das Cidades, por exemplo, cujo titular, Mário Negromonte, sequer se preocupou em defender-se das acusações de patrocinar um mensalão dentro de seu partido, o PP. Limitou-se a ameaçar seus denunciantes, como ocorre agora com o PC do B em relação ao PT.

A ironia máxima é que o esquema de cobrança de propina do Ministério dos Esportes ocorria dentro de uma sala cedida pelo Dnit, órgão protagonista do esquema de corrupção no Ministério dos Transportes, segundo denúncia do soldado da PM, João Dias Ferreira.

Este, por sinal, protagonista de outros escândalos no governo do Distrito Federal, de quem se diz credor também e onde faz exigências em troca do silêncio sobre o que conhece da campanha que elegeu Agnelo Queiroz governador e sobre os esquemas montados dentro de seu governo.

Se admitida como comum, a prática pode impor à presidente Dilma Rousseff mais que uma reforma ministerial – uma reforma também administrativa, com enxugamento de estruturas.

Além de necessária é uma oportunidade para afirmação de autoridade política da presidente.

Essa expectativa já é detectável nos meios políticos, assim como se discute informalmente a conveniência de manter a previsão da reforma para o ano que vem.

Alguns temem que a pressão característica de ano de campanha eleitoral contamine a reforma ministerial e restrinja a autonomia da presidente para a reformulação de sua equipe, o que, em tese, não ocorreria agora.

A sucessão de escândalos em contraste com a falta de gestão no governo dá nitidez à ineficiência de, pelo menos, 80% dos 37 ministérios, já que a percepção de gerenciamento se restringe  praticamente a área econômica.

Trocando em miúdos, está cada vez maior a convicção geral de que há ministério demais e resultado de menos – e cada vez mais corrupção.