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Archive for novembro 5th, 2008

PF vasculha apartamentos de Protógenes

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Mentor da Operação Satiagraha, missão federal que investiga o sócio-fundador do Grupo Opportunity, Daniel Dantas, num suposto esquema de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e fraudes fiscais, o delegado Protógenes Queiroz tornou-se hoje alvo da Polícia Federal (PF), que integra há nove anos. Os policiais vasculharam um apartamento num hotel no centro da capital paulista, que o delegado ocupa quando se desloca para a cidade.

Pouco depois das 6 horas, Protógenes foi despertado por uma equipe de agentes e delegados federais, munidos de mandado de busca e apreensão expedido pelo juiz Ali Mazloum, da 7ª Vara Criminal Federal de São Paulo. Os federais levaram o computador pessoal do delegado, o rádio e o celular de Protógenes.

Outras equipes da PF, simultaneamente, fizeram blitz em outros dois endereços de Protógenes, em Brasília e no Rio, onde mora o filho dele, de 21 anos. Também nesses locais foram recolhidos pertences e equipamentos do delegado, alvo de inquérito que investiga o vazamento de informações sigilosas da operação que ele próprio criou para esmiuçar a vida e as atividades empresariais de Dantas.

O inquérito, presidido pelo delegado Amaro Lucena, corregedor da PF, apura ainda suspeita de grampos telefônicos ilegais. Além de Protógenes, são investigados agentes de sua equipe que também sofreram busca e apreensão por ordem judicial.

A devassa nos endereços de Protógenes foi requisitada, formalmente, pela PF, mas o procurador da República Roberto Diana se manifestou contra a inspeção e a apreensão de bens do delegado. No fim da tarde de hoje, Protógenes dirigiu-se à sede da Procuradoria da República, disposto a obter mais informações sobre os motivos pelos quais é investigado. O cunhado dele, o advogado Fernando Alfonso Garcia, declarou que Protógenes se indignou muito com a busca realizada na casa onde mora o filho, no Rio. Estadão Online

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novembro 5th, 2008 at 7:54 pm

Papanicolau – O que é isso?

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Papanicolau ou citologia cervical é o exame preventivo do câncer do colo uterino. O nome origina-se do médico greco-americano Georgios Papanicolaou (1883-1962), considerado o pai da citopatologia.

O exame deve ser realizado em todas as mulheres com vida sexual activa ou não, pelo menos uma vez ao ano. Após 3 exames anuais consecutivos normais, o teste de Papanicolau pode ser realizado com menor frequencia, podendo ser, em mulheres de baixo risco, até a cada 3 anos, de acordo com a análise do médico, porém mulheres com pelo menos um fator de risco para câncer do colo uterino devem continuar se submetenmdo ao exame anual.

Consiste basicamente na colheita de material do colo uterino com uma espátula especial, sendo este material colocado em uma lâmina e analisado posterioremente por patologista ao microscópico. É citológico, examina a morfologia das células da mucosa do colo do útero, analisa alterações nas células cervicais, chamadas de displasia cervical.

A displasia que se desenvolve deve-se a uma infecção causada pelo vírus que se designa Papiloma Vírus Humano (HVP). Este vírus altera de tal forma as células que se podem formar tumores benignos ou mesmo malignos.

Atualmente já existe uma vacina para conter para este vírus. O exame de Papanicolau também pode diagnosticar doenças sexualmente transmissíveis ou o condiloma, uma afecção que pode levar a uma doença maligna. O teste é um exame de triagem. Desta maneira não define diagnósticos definitivos, mas levanta suspeitas. É necessária a confirmação por outros métodos.

O exame citológico é simples, mas não é indolor e é oferecido gratuitamente pelo sistema público de saúde em qualquer unidade básica do Sistema Único de Saúde e também em todas as faculdades de Medicina do Brasil, porém algumas mulheres ainda deixam de se submeter por medo, desinformação ou vergonha. Jornal da Medicina

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novembro 5th, 2008 at 7:12 pm

Aécio diz que Lula não conseguirá eleger seu sucessor

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Apontado como pré-candidato do PSDB à Presidência em 2010, o governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), criticou nesta quarta-feira o governo federal e disse acreditar que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não conseguirá eleger seu sucessor. Aécio disse que, se o PSDB tiver "juízo", terá capacidade de vencer a corrida pelo Palácio do Planalto.

"Nossas chances são enormes se tivermos juízo, desprendimento e capacidade para aglutinar as forças que estão sobre o Lula mas não estão no guarda-chuva do PT", afirmou governador, durante reunião da bancada do PSDB na Câmara.

Aécio disse que vai ser difícil o governo reeditar em torno do PT em 2010 a ampla base aliada que hoje apóia Lula. "Uma coisa é o presidente da República, outra é o PT", disse.

Segundo o governador, os tucanos precisam ter como foco na campanha à Presidência propostas diferentes do modelo adotado no governo petista.

"Mas do que definir um candidato, é preciso que o PSDB apresente o que tem de diferente do que está aí. O PSDB tem que destacar a qualidade de uma administração de peso", afirmou.

Ao classificar o governo de "perdulário", Aécio disse que Lula não terá o dom de eleger isoladamente o seu sucessor. "O presidente da República não terá o dom, solitariamente, de urgir alguém na cadeira presidencial. Não existe presidente que se diz midas", afirmou. Folha Online

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novembro 5th, 2008 at 6:20 pm

2 x 0 pro boi – STF suspende liminarmente norma que abriu crédito extraordinário no Executivo

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O Supremo Tribunal Federal declarou, em caráter liminar, a inconstitucionalidade da Medida Provisória 402 (convertida na Lei 11.656/08), que abriu crédito extraordinário de R$ 1,65 bilhão no orçamento federal para uso em obras, rodoviárias ou transposição de rios, entre outros. O argumento da maioria – seis ministros – é de que os eventos que justificariam esses gastos não podem ser considerados imprevisíveis, de calamidade pública e comoção interna.

A discussão do caso ocorreu no julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 4049 – ajuizada pelo Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB). Os ministros Carlos Ayres Britto (relator), Cármen Lúcia Antunes Rocha, Ellen Gracie, Marco Aurélio, Celso de Mello e Gilmar Mendes deram razão ao PSDB e deferiram a liminar. Por outro lado, Ricardo Lewandowski, Eros Grau, Cezar Peluso e Carlos Alberto Menezes Direito acreditam que não há motivos para suspender a lei questionada na ADI e, por isso, indeferiram o pedido.

O mérito da ADI 4049 deverá ser apreciado futuramente, em data a ser definida. Notícias STF

Comentário: Eu estava deitado, tentando dormir agora à tarde, mas assistindo ao julgamento dessa ADI. Me surpreendi com a insistência do ministro Ricardo Lewandowski em defender que a Medida Provisória obedecia aos requisitos da relevância, urgência e por aí vai. O governo Lula tá levando o segundo pau com essas MPs sobre crédito extraordinário (a outra foi a ADI 4048). Devo salientar que o relatório do ministro Ayres Brito foi mais do que brilhante (o que não é nenhuma novidade), além do voto do sempre equilibrado Celso de Mello, que mencionou em seu voto o verdadeiro engessamento por que passa o legislativo em função da enxurrada de medidas provisórias enviadas pelo Executivo que entopem e trancam a pauta das duas casas do Congresso. Bem feito. Tchau pra ti, Paulo Bernardo!

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novembro 5th, 2008 at 5:57 pm

Lula se reúne com peemedebistas para discutir disputa à presidência do Senado

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reúne na tarde desta quarta-feira com os líderes do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), e no Congresso, Roseana Sarney (PMDB-MA), e peemedebistas para discutir a sucessão à vaga de Garibaldi Alves (PMDB-RN) na presidência do Senado.

Interlocutores de Lula informaram que a idéia é tentar convencer o PMDB a apoiar o nome do senador Tião Viana (PT-AC), abrindo mão do desejo de manter a cadeira entre peemedebistas.

O ministro José Múcio Monteiro (Relações Institucionais) será um dos articuladores das negociações. Cauteloso, ele evitou antecipar os resultados da reunião. "O desenho político é que se tenha o PMDB aqui [na Câmara] e o PT lá [no Senado]. Esse é o desenho político, precisamos adequá-lo ao real", afirmou.

Apontado como candidato do PMDB à presidência do Senado, o senador José Sarney (AP) tenta se esquivar do debate. Segundo ele, o imbróglio deve ser resolvido entre os líderes partidários. Oficialmente, Sarney negou interesse na disputa. "Eu já cumpri a missão. É uma decisão pessoal [não disputar as eleições para a presidência no Senado]", disse.

Nos bastidores, os senadores Renan Calheiros (PMDB-AL) e Roseana Sarney articulam em favor de Sarney. O ex-presidente da República e do Senado informou que não quer enfrentar disputa com outros nomes, só aceita concorrer às eleições para a presidência do Senado se for candidato único.

Paralelamente, o PT não admite abrir mão da candidatura de Viana. Na semana passada, houve um jantar oficializando a candidatura do petista. Integrantes da base aliada reconhecem que a falta de consenso divide os senadores que apóiam o governo federal.

Apesar de a eleição para a Mesa Diretora do Senado ser realizada secretamente e por cédula, os parlamentares afirmam que há um constrangimento em torno da disputa, uma vez que a tradição orienta para que se busque um acordo em torno de um único nome. Folha Online

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novembro 5th, 2008 at 5:02 pm

Senado – Interrogatório de presos por videoconferência é aprovado na CCJ em primeiro turno

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A Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) aprovou em primeiro turno a proposta que permite o interrogatório de presos por meio de videoconferência. O texto aprovado nesta quarta-feira (5) foi o substitutivo que o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) apresentou a um projeto de lei do senador Aloizio Mercadante (PT-SP). Como foi aprovado um substitutivo, o regimento interno da Casa exige que a matéria seja votada novamente pela comissão.

O presidente da CCJ, senador Marco Maciel (DEM-PE), ressaltou que há urgência na tramitação da matéria, "tendo em vista a manifestação do Supremo Tribunal Federal sobre a questão". Ele se referia à decisão dessa corte, anunciada na semana passada, que julgou inconstitucional a lei estadual que permite o uso da videoconferência em interrogatórios no estado de São Paulo. De acordo com o Supremo, esse procedimento deveria ser tratado por uma lei federal – atribuição, portanto, do Congresso Nacional.

Quando o substitutivo de Tasso Jereissati for apreciado novamente na CCJ, o texto será votado em decisão terminativa. Jereissati afirmou que as modificações foram realizadas após acordo com Mercadante e que o substitutivo não altera a essência do projeto, "apenas o aperfeiçoa".

O texto prevê que o interrogatório do preso por meio de videoconferência ocorrerá em apenas situações excepcionais e quando o juiz permitir, motivado por questões como a segurança pública e a eventual dificuldade do réu para comparecer em juízo, entre outras razões. Jereissati reiterou que o procedimento seria uma exceção, e não uma regra, e reconheceu que a proposta "tem despertado polêmicas no meio jurídico". Ele argumentou, no entanto, que a iniciativa seria necessária para suprir lacunas na legislação brasileira. Agência Senado

Comentário: Já não é sem tempo. O STF vem negando a eficácia jurídica do interrogatório através da videoconferência em função da inexistência de lei que regulamente o assunto. Que acelerem essa votação ao máximo possível. O contribuinte não pode ficar financiando o passeio de bandido pra tudo quanto é lado, além do risco de fuga e a transferência de pessoal e equipamento para acompanhar o preso à presença do juiz (no forum). Aliás, o que acontece é que o juiz não chega nem a olhar pra cara do bandido que está na sua frente, da mesma forma como fazem os médicos da perícia do INSS quando algum doente vai solicitar benefício.

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novembro 5th, 2008 at 4:40 pm

Ulysses Guimarães – Há 20 anos era promulgada a Constituição Cidadã

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Vale a pena relembrar esse momento histórico.

Há 20 anos, a Assembléia Nacional Constituinte aprovava a Carta que blindou a democracia brasileira. Ouça o histórico discurso de Ulysses Guimarães, de 5 de outubro de 1988, com que foi promulgada.

 

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novembro 5th, 2008 at 1:06 pm

Como funcionam as eleições presidenciais americanas?

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Prévias

Esta primeira etapa das eleições americanas vai determinar a escolha dos candidatos dos principais partidos, indicados formalmente nas convenções de cada agremiação, que acontecem entre agosto e setembro. Na maioria dos estados, os partidos usam o sitema das primárias, em que os eleitores podem votar diretamente no candidato de sua preferência. Mas em alguns deles, como Iowa, o sistema usado será o chamado caucus. São encontros públicos em que as regras também variam de estado para estado.

Nos caucus são eleitos os delegados que se comprometem a votar em um detrminado presidenciável na convenção de seu partido. O nome vitorioso pode ser connhecido antes das convenções por meio da soma de delegados conquistados por cada pré-candidato nos diferentes estados. Os estados maiores têm mais delegados.

Eleição

Diferentemente do Brasil, nos EUA não é o número de votos de eleitores que determina o resultado do pleito. Em última análise, a escolha do presidente é conseqüência dos votos obtidos em cada estado e do peso destes estados segundo o sistema eleitoral do país. Isso porque a eleição é decidida pelo Colégio Eleitoral – um conjunto de representantes escolhidos em cada estado, de acordo com sua população.

A Califórnia, que com 36 milhões de habitantes é o estado mais populoso dos EUA, tem 55 votos, o maior peso no colégio eleitoral. A legislação determina um número mínimo de três delegados por estado, caso de Delaware, por exemplo, que tem 853 mil habitantes. A participação na eleição não é obrigatória.

Colégio eleitoral

Ao todo, são 538 representantes, escolhidos em cada estado, de formas diferentes. Eles se reúnem em dezembro, depois das eleições. No final, vence o candidato que conseguir pelo menos 270 votos no Colégio Eleitoral.

Em geral, todos os representantes costumam seguir o resultado geral de seus estados, mesmo que o candidato vitorioso tenha ganhado por uma margem mínima. Assim, o sistema de Colégio Eleitoral pode provocar distorções, levando à eleição de um presidente que tenha conquistado a maioria dos estados, mas não a maioria absoluta do voto popular. Foi o que aconteceu em 2000, quando George W. Bush venceu Al Gore, mas teve um número menor de votos.

Caucus

Nos Estados Unidos da América designa-se por caucus o sistema de eleger delegados em dois estados (Iowa e Nevada), na etapa das eleições primárias ou preliminares na qual cada partido decide quem irá receber a nomeação desse partido para a presidência.

Cada partido político reúne os apoiantes ou militantes dos diferentes candidatos. Nesta reunião, o número de delegados é atribuído dependendo da quantidade de pessoas que residem no círculo eleitoral; há uma fórmula matemática que determina o número de votos que é preciso obter na eleição primária (caucus), e os delegados são eleitos por representação proporcional.

A partir de 2004, os eleitores do estado de Nevada participaram de uma eleição primária (caucus), sendo o de 2008 realizado em 19 de Janeiro.

Contados os resultados das votações nos estados, fica nomeado por cada partido o candidato à presidência. O presidente será escolhido em eleições indiretas por um colégio eleitoral, às quais se apresenta o candidato de cada partido.

Folha de S.Paulo

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novembro 5th, 2008 at 11:34 am

Jabor, racismo e misoginia

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Reinaldo Azevedo

Por que vocês fazem isso comigo? Leitores me pedem que comente o texto de Arnaldo Jabor publicado hoje no Estadão e no Globo. Maldade com o Tio Rei. Jabor é um artista, entendem? Quando ele trata de política, recorre a tropos e fantasias, não a argumentos. É um direito dos artistas. Ele já começa correndo terríveis riscos no título: “Vai dar Obama na cabeça”… Uau!

Logo no primeiro parágrafo, lê-se: “Obama ou McCain? Quem dá mais? A inteligência que resiste à estupidez ou aqueles 59 milhões de idiotas que elegeram o Bush na fraude do século, na Flórida. Será que vão repetir a fraude? Estranha herança da democracia fundada – furos propositais no sistema eleitoral, zebras programadas. Será que ganha o racismo oculto, recôndito, a KKK na alma de ‘wasps’?”
– Para Jabor, quem concorda com ele é inteligente; que não concorda é estúpido;
– ele comprou a tese de Michael Moore da “fraude” na Flórida, o que nem os democratas sustentam. Mais: refere-se à primeira eleição de Bush. Mas Bush venceu a segunda eleição, sem contestação. E, claro, eleitores de Bush e dos republicanos são “idiotas”;
– o sistema eleitoral americano seria fruto de uma tramóia conspiratória para impedir a vitória do bem;
– só o racismo oculto derrotaria Obama, e todo wasp tem a KKK na alma.

O que vocês querem que eu diga? Um parágrafo com esse grau de boçalidade, que fosse racista contra os negros, como é contra os brancos, e que ofendesse os eleitores de Obama, chamando-os de “idiotas”, não seria publicado no Globo, no Estadão e em lugar nenhum. Como é contra brancos, republicanos e, claro!, Bush, tudo bem: o coquetel de ofensas é lido como ousadia.

Para Jabor, McCain prisioneiro no Vietnã “era o criminoso abatido – não a vítima. McCain luta por sua fama. Como está velho, caído, finge uma desenvoltura de caubói ligeiro que não cola e, como teve câncer que pode voltar, pode acabar nos legando aquele pit bull de batom, a perua careta e despreparada Sarah Palin, que seria a ‘boceta de Pandora’ final para o mundo, a mulher de onde sairiam todos os males.”

Seria inútil explicar a Jabor o que representava o Vietnã no contexto da Guerra Fria. Ele não quer saber. Sob o pretexto de ser o mais anti-racista dos anti-racistas, refere-se a velhos e doentes de um modo grotesco e mal disfarça uma exacerbada misoginia. O recurso final, escolhendo a expressão “Boceta de Pandora”, em vez de “Caixa de Pandora”, que é como a coisa é referida no Brasil, faz seu texto mergulhar na lama. De certo modo, ele entrou realmente no clima: não foram poucos, neste 2008, os que combateram o suposto preconceito racial com o preconceito real contra as mulheres.

O Jabor sem receio de tratar as mulheres como tratou no parágrafo anterior, gosta, no entanto, de Obama porque ele “é o novo. Obama é o negro sem rancor, o negro pós-moderno, que passou por Malcolm X, pelo Luther King e que atingiu uma espécie de síntese de virtudes políticas que almejamos: tolerância, a ecologia, a inteligência contra a mentira, é antiguerra, pela superação do bipartidarismo numa busca de “entente cordiale”, contra os “lobbies”, contra a tirania do petróleo, contra o efeito estufa. E não me venham os fascistinhas chamá-lo de “esquerdinha sem programa”…

Como a gente vê acima, Obama é mesmo “o” homem sem mácula. E o Jabor que não gosta de preconceitos, escreve: “Se Obama ganhar, teremos a felicidade de não ver mais as famílias gordinhas dos boçais da direita, os psicopatas sorridentes de dogmas, seus hambúrgueres malditos, seus churrascos nos jardins (…)”.
No momento mais patético do texto, manda ver: “Obama parece pairar ‘acima’ da política, com um ‘honesto’ messianismo, pois seu programa é quase abstrato. E não faz mal, pois, como dizia Valery: ‘Que seria de nós sem o socorro das coisas que não existem?’” O que isso quer dizer? Por que Jabor escreveu “acima” e “honesto” entre aspas? Existe “messianismo honesto” além daquele do Messias original (e olhem que não há unanimidade nem sobre isso)? Valery??? Valery falava sobre arte, Arnaldo Jabor, não sobre a política.

O texto de Jabor expressa seu antiamericanismo primitivo, desinformado e ecoa esquerdismo jurássico. Nada mal para quem já foi tido como cronista do neoliberalismo… Há quem ache que ser acusado ora de uma coisa, ora de outra, é sinal de que se anda pelo meio, na trilha da virtude. Não necessariamente. Pode ser apenas confusão mental. Jabor deve estar farejando uma nova era, em que a esquerdopatia light voltará à moda. Será?

Desde os atentados de 11 de Setembro, Jabor tem um desculpa e tanto para exercer seu antiamericanismo rombudo: a direita americana seria a verdadeira responsável pelo extremismo islâmico, o que, lamento dizer, é uma mentira história facilmente demonstrável e uma vigarice ideológica. Ele insiste na ladainha: “O legado de Bush é nossa miséria. O Iraque destruído, milhares de homens-bomba disputando a honra de nos matar, o Irã nas mãos de um ‘Chávez’ islâmico, o Paquistão povoado por milhões de fundamentalistas com bomba atômica, embalando o Bin Laden”. Viram só? Nada disso é culpa do terrorismo. É tudo culpa do Bush. E, a partir de amanhã, esses problemas serão resolvidos por Obama, que, segundo o cronista, também é “sexy”, além de ser um “presidente que transa”, cuja mulher “tem corpaço, bumbum”. Deus do Céu…

Jabor realmente não sabe que ele é muito, mas muito mais velho do que John McCain, com seu racismo às avessas, suas misoginia explícita e sua abordagem de política externa que ficou congelada lá no CPC da UNE.

Achei que suas grosserias contra o povo americano já tinham chegado ao limite em textos anteriores. E tinham. Mas ele deu mais um passo. Ademais, para quem se preocupa tanto com a sexualidade alheia, seria o caso de investigar, sob o pretexto de atacar o reacionarismo de Sarah Palin, o seu escancarado ódio às mulheres.

Written by Abobado

novembro 5th, 2008 at 10:57 am

Opinião do Estadão: Desafios para o governo

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O governo começa, enfim, a preparar-se para um 2009 menos próspero do que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e alguns de seus ministros vinham prognosticando. O Ministério do Planejamento está avaliando que, por causa da crise, o governo federal deve arrecadar no próximo ano R$ 15 bilhões a menos do que o valor previsto na proposta de lei orçamentária. A má notícia foi discutida no Palácio do Planalto em reunião do grupo de coordenação política, na segunda-feira. Para se ajustar, o governo deverá adiar aumentos salariais ainda não convertidos em lei e cortar investimentos não incluídos no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), segundo informação extra-oficial. Para as novas estimativas, substituiu-se a expectativa de um crescimento econômico de 4,5% e adotou-se, como base de cálculo, uma expansão na faixa de 3,8% a 4%. Se confirmada, essa redução deverá custar R$ 10 bilhões. Outros R$ 5 bilhões corresponderão a royalties perdidos com a diminuição do preço do petróleo.

Por enquanto, pelo menos as projeções de crescimento econômico podem parecer razoáveis, se o futuro for avaliado com base nos excelentes resultados da atividade industrial até setembro, ontem confirmados pelo IBGE e pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Já há, no entanto, sinais de arrefecimento das encomendas, de acordo com os dados de outubro do Índice de Gerentes de Compras elaborado pelo Banco Real. Em outubro, as montadoras venderam 289,2 mil veículos, 2,1% menos que um ano antes e 10,9% menos que em setembro. Pela primeira vez em dois anos a quantidade vendida foi menor do que no mesmo mês do ano anterior.

Outros indicadores também mostram uma tendência de esfriamento da economia. Novos projetos de investimentos industriais têm sido suspensos desde outubro, segundo informação das respectivas entidades empresariais, e projetos de obras públicas vêm sendo prejudicados pela escassez de crédito. Obras avaliadas em R$ 34,2 bilhões estão em andamento, enquanto outras, estimadas em R$ 56,8 bilhões, foram contratadas, mas não iniciadas, de acordo com levantamento da Associação Brasileira das Indústria de Base e da Infra-estrutura (Abdib). A paralisação dos dois tipos de investimentos prejudicará o crescimento econômico no próximo ano, mas, em prazo mais longo, o atraso dos projetos de infra-estrutura será mais danoso, porque limitará severamente a eficiência de todo o sistema produtivo.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem qualificado como “questão de honra” a manutenção dos projetos do PAC – em geral atrasados não por falta de dinheiro, mas por excesso de lentidão do próprio governo. Neste momento, muito mais importante que a “questão de honra” é o grau de pragmatismo da política econômica.
O governo deveria preocupar-se prioritariamente com a ativação de obras contratadas e ainda não iniciadas e selecionar cuidadosamente as novas – começando pelo setor de energia.

Deveria acompanhar com muito cuidado a retomada dos financiamentos à exportação, sem apostar no desdobramento automático das medidas tomadas até aqui pelas autoridades monetárias. Os números de outubro mostram claramente a desaceleração das vendas ao exterior, com redução dos volumes embarcados de etanol, alumínio bruto, semimanufaturados de ferro e aço, automóveis, caminhões, soja em grãos e outros produtos. Sem o benefício dos altos preços observados nos últimos anos, será bem mais difícil manter um robusto superávit comercial, muito importante num país normalmente deficitário na conta internacional de serviços.

Enfim, seria muito conveniente o governo acompanhar com atenção os preços agrícolas. Desde o plantio, no primeiro semestre, o preço da tonelada de trigo caiu de R$ 750 para algo em torno de R$ 430. Isto é só um exemplo de como as cotações caíram nos últimos meses, mas é uma boa ilustração do problema. Colhido o trigo, o produtor preso naquela armadilha de preço deve em seguida plantar alguma lavoura de verão, como soja ou milho. Terá meios para isso? Se tiver, qual será sua condição financeira na próxima colheita, em março ou abril? Também esta é uma questão essencial para a política econômica neste momento.

Written by Abobado

novembro 5th, 2008 at 10:28 am